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Rússia passa a exigir que 'países hostis' paguem gás em rublos
Mundo 2 min. 23.03.2022 Do nosso arquivo online
Guerra na Ucrânia

Rússia passa a exigir que 'países hostis' paguem gás em rublos

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse esta quarta-feira que "já não faz sentido receber dólares e euros"
Guerra na Ucrânia

Rússia passa a exigir que 'países hostis' paguem gás em rublos

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse esta quarta-feira que "já não faz sentido receber dólares e euros"
Foto: AFP
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Guerra na Ucrânia

Rússia passa a exigir que 'países hostis' paguem gás em rublos

AFP
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Vladimir Putin anunciou esta quarta-feira que a Rússia deixará de aceitar pagamentos em dólares ou euros para fornecimentos de gás à UE, dando às autoridades russas uma semana para trabalharem no novo sistema do rublo.

"Tomei a decisão de implementar várias medidas para mudar para rublos o pagamento do nosso gás entregue a países hostis, e para renunciar a todas as moedas de liquidação que tenham sido comprometidas", disse o presidente russo numa reunião governamental, explicando que esta é uma reação ao congelamento dos bens da Rússia no ocidente devido à sua ofensiva na Ucrânia.


Venda do petróleo russo à Europa "está a financiar a guerra"
Estudo de organização europeia sem fins lucrativos Transport & Environment (T&E) considera, no entanto, que ainda é possível e viável reduzir a dependência europeia do 'ouro negro' russo.

Putin pediu ao banco central e ao governo para estabelecer "dentro de uma semana" o novo sistema, que deve ser "claro, transparente" e envolver "a aquisição de rublos no mercado de divisas russo".

O anúncio teve um efeito imediato na moeda russa, que se fortaleceu em relação ao euro e ao dólar, já que se encontrava desvalorizada desde 24 de fevereiro e a entrada das forças russas na Ucrânia.

O presidente russo também deu a entender que outras exportações russas seriam afetadas, uma vez que o ocidente congelou cerca de 300 mil milhões de dólares das reservas russas detidas no estrangeiro, uma medida que o chefe diplomático russo Sergei Lavrov chamou de "roubo" esta quarta-feira.

"É evidente que entregar os nossos bens à UE, aos EUA, e receber dólares, euros, outras moedas, já não faz qualquer sentido para nós", disse Vladimir Putin.


O chanceler alemão Olaf Scholz manifestou-se esta segunda-feira contra a hipótese de a Alemanha, e a Europa, conseguirem, para já, libertar-se do gás e petróleo russos.
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Atingir este objetivo vai ser “difícil como o raio”, desabafou o comissário Frans Timmermans, mas a agressão russa à Ucrânia não deixa alternativa.

Por enquanto, os hidrocarbonetos russos têm sido largamente poupados às pesadas sanções ocidentais contra a Rússia.

É verdade que Washington impôs um embargo ao petróleo e ao gás russos. Mas estes últimos continuam a passar para a Europa, que é altamente dependente dos hidrocarbonetos russos e é o principal mercado de Moscovo.

Mas a União Europeia está agora também a considerar um embargo ao petróleo russo. Espera-se a realização de várias cimeiras internacionais decisivas, que poderão levar a novas sanções ocidentais.

Por seu lado, Moscovo tem vindo a defender há anos a desdolarização da sua economia a fim de reduzir a sua vulnerabilidade às sanções.

Em março de 2019, a gigante do gás estatal russo Gazprom anunciou a sua primeira venda de gás em rublos a uma empresa europeia.


Chanceler alemão prevê guerra de longa duração e adverte contra sanções insustentáveis
Olaf Scholz apontou que a Alemanha não é o único país que depende da Rússia para o fornecimento de gás natural ou carvão.

"É absolutamente claro que sem hidrocarbonetos russos, se forem impostas sanções, os mercados de gás e petróleo entrarão em colapso. O aumento do preço dos recursos energéticos pode ser imprevisível", disse na quarta-feira Alexander Novak, vice-primeiro-ministro da Energia.


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