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Rússia e Ucrânia estão a lutar pelo fantasma de Chernobyl. Porquê?
Mundo 4 min. 25.02.2022 Do nosso arquivo online
Guerra

Rússia e Ucrânia estão a lutar pelo fantasma de Chernobyl. Porquê?

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Rússia e Ucrânia estão a lutar pelo fantasma de Chernobyl. Porquê?

AFP
Mundo 4 min. 25.02.2022 Do nosso arquivo online
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Rússia e Ucrânia estão a lutar pelo fantasma de Chernobyl. Porquê?

Redação
Redação
No mesmo dia em que a Rússia invadiu a Ucrânia, também tomou a central nuclear inativa Chernobyl, palco do maior acidente nuclear de sempre. O segredo está na geografia da antiga usina.

No mesmo dia em que a Rússia anunciou a invasão militar da Ucrânia, as tropas russas avançavam também para a tomada da zona de Chernobyl, onde ocorreu o pior acidente nuclear do mundo, na década de 1980. 

"Os nossos defensores estão a dar as suas vidas para que a tragédia de 1986 não se repita", disse na quinta-feira o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, antes de confirmar a captura da usina desativada pelas forças russas. 

Mas por que é que Vladimir Putin quer esta central nuclear inativa rodeada por quilómetros de terra radioativa? 

O segredo está na geografia. Chernobyl situa-se na rota mais curta da Bielorrússia até Kiev, a capital da Ucrânia, para onde as tropas russas avançam a passos largos. 


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Ao tomar Chernobyl, a Rússia está a usar a rota de invasão mais rápida da Bielorrússia, um aliado de Moscovo e um ponto de paragem para as tropas russas. "Era o caminho mais rápido de A a B", explicou à Reuters James Acton, do Carnegie Endowment for International Peace. 

Jack Keane, antigo chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA, confirma a mesma teoria e acredita que Chernobyl "não tem qualquer significado militar", mas é a forma mais rápida para chegar à capital. Keane explica que esta rota é um dos quatro "eixos" usados pelas forças russas para invadirem a Ucrânia, incluindo um segundo vector que parte da Bielorrússia, um avanço em direcção à cidade ucraniana de Kharkiv e um rota a partir da Crimeia, que é controlada pela Rússia, para a cidade de Kherson.

Estas ofensivas correspondem ao maior ataque realizado a um Estado europeu desde a Segunda Guerra Mundial. 

O pior acidente nuclear da história ocorreu em 26 de abril de 1986 na Ucrânia - que era, na altura, uma das 15 repúblicas soviéticas -, quando um reator da central de Chernobyl, localizada a cerca de 100 quilómetros de Kiev, explodiu, contaminando cerca de três quartos da Europa, especialmente a Ucrânia, a Rússia e a Bielorrússia. Quase 350.000 pessoas foram retiradas de um perímetro de 30 quilómetros ao redor da central nuclear.

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"Houve um aumento nos indicadores acima dos níveis de controlo às 03:20 (01:20 em Lisboa)", disse o subdiretor do departamento ucraniano para questões de segurança em instalações nucleares, Alexander Grigorach, citado pela agência francesa de notícias AFP. "Não podemos verificar [o que se passa], porque todos os funcionários foram retirados" das instalações, explicou Grigorach.

O parlamento ucraniano (Verkhovna Rada) também indicou, na sua conta na rede de mensagens Telegram, que o sistema de controlo automático emitiu um aviso de aumento de "raios gama", um sinal de radioatividade, sem especificar o nível. "Por causa da ocupação e das hostilidades, atualmente é impossível estabelecer as causas" para estas leituras, indicou.

Um porta-voz do exército russo assegurou, por sua vez, não haver necessidade de preocupações com a segurança do reator que explodiu em 1986, lançando então radiação para parte da Europa, nem com as instalações nucleares, garantindo, ao contrário do referido pelos ucranianos, que os funcionários da central continuam no local.

"Foi alcançado um acordo com um batalhão da força de segurança de energia atómica da Ucrânia para a segurança conjunta dos blocos de energia e do abrigo da central nuclear de Chernobyl", disse o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov.

"A radiação na zona da central nuclear está dentro dos níveis normais", assegurou, afirmando que "os funcionários da central (...) estão a monitorizar a situação da radioatividade".

A cooperação entre soldados russos e ucranianos para garantir a segurança da central "é uma garantia de que as formações nacionalistas ou outras organizações terroristas não poderão usar a situação do país para criar uma provocação nuclear", acrescentou o porta-voz.

Risco aumenta

A invasão russa da Ucrânia está a desenrolar-se num país com 15 reatores atómicos a operar quase em plena capacidade, expondo a segunda maior frota nuclear da Europa a potenciais riscos de segurança. 

Os monitores da Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA, na sigla inglesa) afirmaram, no final da quinta-feira, num e-mail que estão seriamente preocupados com a situação e permanecem em contacto com os reguladores de segurança nuclear ucranianos. Os reatores exigem um abastecimento constante de eletricidade e água, os quais podem ser postos em risco por ações militares.


(*com agências)


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