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Rússia ameaça tomar central nuclear de Zaporijia e sugere anexação da região
Mundo 2 min. 19.05.2022 Do nosso arquivo online
Guerra na Ucrânia

Rússia ameaça tomar central nuclear de Zaporijia e sugere anexação da região

Vista exterior da central nuclear de Zaporizhzhya, na Ucrânia.
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Rússia ameaça tomar central nuclear de Zaporijia e sugere anexação da região

Vista exterior da central nuclear de Zaporizhzhya, na Ucrânia.
REUTERS
Mundo 2 min. 19.05.2022 Do nosso arquivo online
Guerra na Ucrânia

Rússia ameaça tomar central nuclear de Zaporijia e sugere anexação da região

Lusa
Lusa
A Rússia quer retirar à Ucrânia a sua central nuclear em Zaporijia, a maior da Europa, ocupada pelo exército russo, a menos que Kiev pague a Moscovo pela eletricidade produzida, anunciou hoje o vice-primeiro-ministro russo, Marat Khousnullin.

Esta declaração junta-se a outras avançadas pelas autoridades russas nas últimas semanas, sugerindo que a Rússia está a preparar uma ocupação de longo prazo ou mesmo a anexação das áreas que controla no sul da Ucrânia: a região de Kherson e uma parte significativa de Zaporijia.

“Se o sistema de energia da Ucrânia está pronto para receber e pagar, [a central] poderá regressar [às mãos] da Ucrânia. Se [a Ucrânia] não aceitar, (a central) vai passar para a Rússia”, afirmou Khousnoulline, durante uma visita feita na quarta-feira à instalação nuclear e hoje citado pelas agências de notícias russas.

“Temos muita experiência com centrais nucleares, temos empresas na Rússia que têm essa experiência, não há dúvida de que (a de Zaporijia) vai continuar a funcionar”, disse.

A agência nuclear ucraniana, a Energoatom, garantiu hoje de manhã que a central nuclear continua a fornecer eletricidade à Ucrânia.

Os russos “não têm capacidade técnica para fornecer energia a partir da central nuclear de Zaporijia”, garantiu o porta-voz da Energoatom, Leonid Oliynyk, citado pela agência de notícias francesa AFP.

   “Ninguém vai ter de comprar nada deles [russos]”  

“Isso requer tempo e dinheiro. É como construir uma ponte na Crimeia. E daqui a um mês ou dois vamos retomar o controlo ucraniano sobre tudo”, acrescentou.

Segundo o porta-voz, “ninguém vai ter de comprar nada deles [russos]”.

Oliynyk assegurou ainda que a Rússia não tem capacidade para cortar a eletricidade das regiões da Ucrânia que não estão sob controlo russo, até porque “todos os equipamentos necessários estão sob controlo ucraniano”.

Em 2021, ou seja, antes da ofensiva russa contra a Ucrânia lançada em 24 de fevereiro, a central de Zaporijia era responsável por 20% da produção anual de eletricidade da Ucrânia e por 47% da produzida pelo parque nuclear ucraniano.

As forças de Moscovo assumiram, no início de março, o controlo desta central, localizada na cidade de Energodar, no sul da Ucrânia, separada pelas águas do Dnieper da capital regional Zaporijia, ainda nas mãos dos ucranianos.

Os confrontos que ocorreram na região nos primeiros dias do conflito levantaram receios de um possível desastre nuclear no país, onde um reator explodiu, em 1986, em Chernobyl.

Marat Khousnullin afirmou ainda que a Rússia está naquela região da Ucrânia para ficar, o que parece implicar uma anexação da zona.

“Considero que o futuro desta região é trabalhar dentro da simpática família russa. Por isso vim, para ajudar ao máximo a integração”, adiantou o vice-primeiro-ministro russo.

Moscovo diz que Kherson será, provavelmente, anexada pela Rússia

As autoridades russas e pró-Rússia colocadas na Ucrânia por Moscovo também disseram, na semana passada, que a região ucraniana de Kherson será, provavelmente, anexada pela Rússia.

O controlo da Rússia no litoral do Mar de Azov (em Kherson, Zaporijia e Donetsk), incluindo o porto de Mariupol, fornece uma ponte terrestre que liga o território russo à península da Crimeia, anexada em 2014.

Ao lançar a sua ofensiva militar, o Presidente russo, Vladimir Putin, garantiu que o país não iria ocupar territórios ucranianos.

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