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Revolta contra câmaras ocultas que gravaram mulheres a urinar em festa popular
Mundo 05.04.2021

Revolta contra câmaras ocultas que gravaram mulheres a urinar em festa popular

Revolta contra câmaras ocultas que gravaram mulheres a urinar em festa popular

Mundo 05.04.2021

Revolta contra câmaras ocultas que gravaram mulheres a urinar em festa popular

São quase 90 as mulheres que denunciam terem acabado em sites de pornografia depois de terem sido filmadas a urinar na rua durante uma festa na Galiza, norte de Espanha. Tribunal decidiu arquivar o processo.

Quase uma centena de mulheres que foram gravadas urinando na rua, cujas imagens apareceram em sites de pornografia, exigem justiça em Espanha, semanas depois das suas denúncias terem sido arquivadas, afirmou uma porta-voz à AFP esta segunda-feira.

"Não vamos parar" enquanto os vídeos continuarem publicados nesses sites e houver pessoas que "continuem lucrando", anunciou Paloma Maseda Díaz, porta-voz das 87 denunciantes neste caso que remonta a agosto de 2019, na popular festa de A Maruxaina, em San Cibrao, na Galiza.

Naquele verão, sem que soubessem, mais de 100 mulheres, algumas delas menores, foram filmadas na rua quando se agacharam para urinar.

Um ano depois, ao clicar num link com o nome da festa popular, um homem da região acedeu a um site que continha um vídeo em que reconhecia a namorada e a prima dela, conta Paloma Maseda Díaz, que também foi gravada.

No total, mais de 110 mulheres, em seis vídeos diferentes, foram identificadas em sites com conteúdo pago para adultos, de acordo com a porta-voz. "A pessoa que nos gravou sabia exatamente onde colocar as câmaras", cinco no total.

No verão de 2020, cerca de 100 mulheres entraram com uma ação coletiva por vulneração do direito à intimidade e comercialização ilegal de conteúdo pornográfico.

Em 15 de março, o tribunal local da cidade vizinha de Viveiro recusou-se a abrir uma investigação, considerando que não houve crime por se tratar de gravações de mulheres urinando em local público, "onde poderiam ser vistas por qualquer pessoa que passasse por lá", de acordo com a decisão judicial consultada pela AFP.

"O juiz decidiu arquivar o caso por ter sido em uma via pública", afirmou Mary Fraga, presidente da associação "Mulheres em Igualdade". Fraga acrescentou que os fatos se deram "num beco sem saída" e que as câmaras foram colocadas "com premeditação".

As denunciantes contestaram a decisão e organizaram, no domingo passado, uma manifestação para protestar contra a decisão do tribunal. Centenas de pessoas compareceram ao evento, segundo os organizadores.

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