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Revelado acordo da coligação na Alemanha. É o fim da era Merkel
Mundo 3 min. 24.11.2021
Política

Revelado acordo da coligação na Alemanha. É o fim da era Merkel

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Revelado acordo da coligação na Alemanha. É o fim da era Merkel

Foto: AFP
Mundo 3 min. 24.11.2021
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Revelado acordo da coligação na Alemanha. É o fim da era Merkel

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Salário mínimo de 12 euros por hora, planos para legalizar a venda regulamentada de canábis, possibilidade de votar a partir dos 16 anos e o objetivo de construir 400 mil novos apartamentos por ano para combater a crise habitacional são algumas das intenções da nova coligação.

Após quase dois meses de intensas negociações, desde as eleições de 26 de setembro, os sociais-democratas de centro-esquerda (SPD) anunciaram, esta quarta-feira, o seu acordo de coligação com os Verdes e os Democratas Livres (FDP). O candidato a chanceler, Olaf Scholz (SDP) disse, em conferência de imprensa, que os três partidos chegaram a um acordo para formar um novo governo que irá pôr fim à era Merkel. As negociações foram levadas a cabo num "ambiente amigável, mas intenso", disse Scholz.

Vinte e um representantes dos três partidos - os Democratas Sociais de centro-esquerda (SPD), os Verdes ambientalistas e os Democratas Livres centrados nos negócios (FDP) - reuniram-se para concluir as negociações esta quarta-feira.    

Esta será a primeira vez, em 16 anos, que a Alemanha terá um governo de centro-esquerda e um novo chanceler, Olaf Scholz, social-democrata, cuja função será substituir Angela Merkel, e dar conta do legado que esta deixou na Alemanha e no mundo. 



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O novo governo promete concentrar-se na protecção do clima, garantiu o co-líder do Partido Verde, Robert Habeck, que garantiu que a reconciliação do "bem-estar com a proteção climática" estará subjacente às políticas do novo governo. Será ainda intenção da coligação investir em novas tecnologias, bem como impulsionar a modernização da infra-estrutura alemã, considerada envelhecida e altamente burocrática.

As partes concordaram que a Alemanha irá, idealmente, eliminar gradualmente o carvão até 2030, aumentar o transporte ferroviário de mercadorias em 25% e ter pelo menos 15 milhões de carros elétricos nas estradas até 2030. Os três partidos acordaram ainda em auementar a sobretaxa de viagem aérea europeia para a Alemanha.

Incluem-se ainda nos acordos o salário mínimo de 12 euros por hora, a intenção de legalizar a venda regulamentada de canábis, a possibilidade de votar a partir dos 16 anos e o objetivo de construir 400 mil novos apartamentos por ano para combater a crise habitacional.

Imigrantes poderão requerer cidadania após cinco anos 

Como resultado das conversações da coligação que começaram a 21 de outubro, destacam-se ainda medidas como a de permitir que imigrantes sejam capazes de requerer a cidadania após cinco anos bem como permitir a dupla cidadania, uma enorme mudança para milhares de turcos étnicos, muitos dos quais permanecem com estatuto de estrangeiros após décadas a viverem na Alemanha. A coligação permite ainda criar um sistema de imigração baseado em pontos para atrair trabalhadores qualificados.



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Fontes internas da Deutsche Welle disseram que os partidos gostariam de ver o candidato do SPD, Olaf Scholz, eleito como chanceler pelo Bundestag na segunda semana de dezembro, para que o novo governo possa iniciar os seus trabalhos. 

"Isso significaria também que a chanceler cessante, Angela Merkel, não ultrapassaria o recorde dos dias de mandato de Helmut Kohl", escreveu a imprensa alemã.

Se a eleição de Scholz como chanceler avançar como planeado, terão sido necessários 73 dias para formar um novo governo após as eleições. Um período bastante inferior aos 171 dias necessários após as eleições de 2017 para formar a chamada grande coligação dos democratas cristãos de Merkel (CDU) e o SPD. 

Segundo a imprensa alemã, a principal razão do atraso na altura foi o FDP ter abandonado as conversações dizendo não ser capaz de trabalhar com os Verdes e a CDU, também numa aliança de três vias.

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