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Residentes de Beirute criticam Governo e exigem respostas sobre as explosões que arrasaram a cidade
Mundo 3 min. 06.08.2020

Residentes de Beirute criticam Governo e exigem respostas sobre as explosões que arrasaram a cidade

Residentes de Beirute criticam Governo e exigem respostas sobre as explosões que arrasaram a cidade

AFP
Mundo 3 min. 06.08.2020

Residentes de Beirute criticam Governo e exigem respostas sobre as explosões que arrasaram a cidade

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
As explosões foram causadas por 2.750 toneladas de nitrato de amónio, que tinham sido confiscadas há cerca de seis anos, e armazenadas sem segurança num armazém no porto da capital do país.

As explosões de terça-feira, em Beirute, Líbano, que provocaram 137 mortos, mais de cinco mil feridos e um número indeterminado de desaparecidos, segundo o último balanço, estão a gerar revolta nos residentes contra o Governo, que culpam de incompetência e de ter sido negligente com as causas que levaram à tragédia.

Segundo o Presidente libanês, Michel Aoun, as explosões foram causadas por 2.750 toneladas de nitrato de amónio, que tinham sido confiscadas há cerca de seis anos, e armazenadas sem segurança num armazém no porto da capital do país

A BBC adianta que são muitos os que responsabilizam as autoridades do país pelo acidente e as acusam de corrupção, negligência e má gestão.

Num Líbano já devastado por uma economia arruinada, pela pandemia da covid-19 e pelas sucessivas guerras e conflitos que foi enfrentando nos últimos 50 anos, a população revela o cansaço e a revolta acumuladas.

Além dos mortos, feridos e desaparecidos, estima-se que cerca de 300 mil pessoas tenham ficado sem casa por causa das explosões.

"Beirut está a chorar, está a gritar, as pessoas estão desesperadas e cansadas" resumiu o cineasta Jude Chehab à estação britânica, pedindo que se faça justiça.

 Chadia Elmeouchi Noun, que está hospitalizada, não poupou nas palavras para denunciar aquilo que classifica de ato "criminoso" das autoridades do país. "Há muito tempo que sei que somos governados por pessoas incompetentes, por governos incompetentes (...) mas o que eles fizeram agora é absolutamente criminoso", afirmou, citada também pela BBC.

No dia das explosões, o primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, prometeu que o Governo não iria deixar impune os acontecimentos e que iria punir os seus eventuais responsáveis.

"Os responsáveis por esta catástrofe terão de pagar o preço pelo que fizeram”, disse numa comunicação ao país através das televisões.


Governo libanês decreta estado de emergência de duas semanas
O Governo libanês decretou o estado de emergência por duas semanas em Beirute, na sequência das explosões devastadores e mortíferas no porto da capital do Líbano.

Na quarta-feira, o Governo anunciou que vários responsáveis do porto de Beirute foram colocados sob prisão domiciliária, enquanto se aguarda pela conclusão das investigações às causas das explosões de terça-feira. O Conselho Superior de Defesa anunciou no mesmo dia que os que forem considerados culpados enfrentam "pena máxima", o que poderá significar a pena de morte.

A Aministia Internacional pediu entretanto que seja feita uma investigação independente às causas do acidente.

Uma das maiores explosões não-atómicas da história

A explosões desta terça-feira são consideradas já uma das maiores explosões não-atómicas da história.

De acordo com engenheiros da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, citados pelo 'EveningStandard', a intensidade da explosões de Beirute corresponde a 10% da da bomba nuclear lançada em Hiroshima, em 1945.

Com recurso à informação disponível, incluindo as fotografias e vídeos que foram sendo publicados, a equipa de especialistas concluiu que a intensidade das explosões foi equivalente a cerca de 1500 toneladas de TNT, valores muito superiores ao de rebentamentos provocados por armas explosivas mais convencionais.


Beirute, Líbano.
Fotos. Explosões em Beirute deixaram cidade num cenário de guerra
A capital do Líbano acordou, esta quarta-feira, 5 de agosto, sobre escombros, depois de duas explosões no porto terem morto, pelo menos, mais de 100 pessoas e ferido milhares de outras.

Andy Tyas, especialista em engenharia de protecção contra explosões naquela universidade, explicou ao Standard que "há regras que relacionam a expansão máxima da bola de fogo com a dimensão da carga explosiva original, e a partir de algumas medições muito aproximadas de imagens de vídeo online, pensamos que a explosão é equivalente a algo da ordem de 1.000-1.500 toneladas de TNT". 

A equipa analisou também as imagens que mostram "o atraso temporal entre a detonação e a chegada da onda de choque em pontos a várias centenas de metros da explosão e estas correspondem amplamente com essa dimensão de carga" explosiva, concluiu. 

A intensidade das explosões levou muitos habitantes a pensar que se tratava de um terramoto e, de facto, o seu impacto foi equivalente ao de um sismo de 4,5 na escala de Richter, tendo sido sentida no Chipre, a 240 kms de distância, e até na Tunísia e Alemanha.


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