Escolha as suas informações

Republicanos querem adiar decisão de impeachment de Trump para fevereiro
Mundo 3 min. 22.01.2021

Republicanos querem adiar decisão de impeachment de Trump para fevereiro

Republicanos querem adiar decisão de impeachment de Trump para fevereiro

Foto: AFP
Mundo 3 min. 22.01.2021

Republicanos querem adiar decisão de impeachment de Trump para fevereiro

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
O ex-Presidente dos Estados Unidos da América está acusado de incitamento à insurreição no Capitólio, no passado dia 6 de janeiro.

Os republicanos no Senado dos EUA pediram aos democratas para adiar o início do julgamento de impeachment do ex-presidente Donald Trump até fevereiro. 

O objetivo, segundo argumenta o partido que apoio o ex-chefe de Estado, é que este tenha tempo de preparar a sua defesa. Trump está acusado de incitar à insurreição, na sequência da invasão do Capitólio, em Washington, pelos seus apoiantes, no dia 6 de janeiro.

Nesse dia, num comício em frente à Casa Branca, o então Presidente cessante, pediu aos manifestantes para se dirigirem para o edifício onde funcionam os órgãos políticos de soberania do país e fazerem ouvir a sua voz, em protesto contra o que considerou ser uma “fraude eleitoral”.  

A Câmara dos Representantes dos Estado dos Estados Unidos da América aprovou dias depois, a 13 de janeiro, a instauração de um processo de destituição a Donald Trump, sob a acusação de ter incitado o ataque ao Capitólio.


Câmara dos Representantes aprova destituição de Trump
O novo processo de ‘impeachment’ de Donald Trump foi apresentado na Câmara de Representantes, na segunda-feira, acusando o líder republicano de “incitação a insurreição” por ter induzido os seus apoiantes a assaltar o Capitólio.

Apesar da obtenção de uma maioria na Câmara de Representantes para iniciar o julgamento político de Trump, o processo segue para o Senado, que é agora controlado pelos democratas, onde é necessária a aprovação de uma maioria de dois terços. 

Segundo a BBC, esta quinta-feira, o líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell pediu aos democratas da Câmara de Representantes que adiassem o envio do artigo do impeachment para o Senado até 28 de janeiro - uma medida que daria início à primeira fase do julgamento. 

De acordo com este calendário, Trump teria então duas semanas - até 11 de fevereiro - para apresentar a sua defesa antes do julgamento - começando a apresentação de argumentos em meados desse mês.

"Os republicanos do Senado estão fortemente unidos no apoio ao princípio de que a instituição do Senado, o cargo da presidência e o próprio ex-Presidente Trump merecem um processo completo e justo que respeite os seus direitos e as graves questões factuais, jurídicas e constitucionais em jogo", referiu  Mitch McConnell, numa declaração. 


Trump diz que eventual novo julgamento de destituição é "absolutamente ridículo"
Trump, que arrisca um segundo processo de ‘impeachment’, cuja acusação será discutida na Câmara de Representantes na quarta-feira, também disse que não deseja nenhuma forma de violência no país.

O partido republicano espera que o novo líder da maioria democrática, Chuck Schumer, concorde com o pedido. Da parte da Câmara de Representantes ainda não é claro o acordo para uma nova data, mas a realização do julgamento não está, para já, posta em causa. 

A presidente do órgão, Nancy Pelosi, não avançou uma data para enviar ao Senado a iniciativa de destituição contra Donald Trump, contudo insistiu que um julgamento deve ser realizado, mesmo com o apelo do novo presidente Jode Biden à unidade.

"Será em breve. Não acho que demore muito, mas deve ser feito", disse a líder democrata aos jornalistas, citada pela AFP.

Pelosi acrescentou que o Senado deverá examinar a estrutura de um julgamento contra Trump, que seria o primeiro ex-presidente americano a enfrentar este processo no Congresso.

Questionada sobre se esse julgamento afetaria a mensagem de unidade de Biden, proferida no seu discurso de tomada de posse, na quarta-feira passada, a líder da Câmara de Representantes rejeitou que uma coisa seja impeditiva da outra.

"Isso não me preocupa. O facto é que o presidente dos Estados Unidos cometeu um ato de incitamento à insurreição", afirmou, sublinhando que nada se unifica dizendo aos americanos para "esquecer e seguir em frente".


Impeachment a Trump expõe divisões internas entre republicanos
Nunca tantos republicanos votaram a favor da destituição de um presidente do seu partido.

Apesar de ter havido críticas aos acontecimentos de dia 6 de janeiro e à postura de Trump também da parte de republicanos, nem todos estão dispostos a torná-las consequentes e a penalizar juridicamente os atos do ex-Presidente, alegando que isso levará a mais divisões no país, lançando também dúvidas sobre a legalidade de julgar um presidente depois de este ter deixado o cargo. Uma destituição nesta fase pode, no entanto, impedir que Donald Trump volte a exercer um cargo público.

Ainda que os democratas controlem o Senado, a margem é estreita e para haver um impeachment ao ex-Presidente será preciso o apoio de pelo menos 17 republicanos para garantir os dois terços necessários.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

EUA. Senado absolve Trump
Ex-Presidente americano estava acusado de ter incitado a insurreição, que levou à invasão do Capitólio, que causou cinco mortos. A votação foi de 57-43, abaixo dos dois terços necessários para o 'impeachment' no Senado.
Câmara dos Representantes aprova destituição de Trump
O novo processo de ‘impeachment’ de Donald Trump foi apresentado na Câmara de Representantes, na segunda-feira, acusando o líder republicano de “incitação a insurreição” por ter induzido os seus apoiantes a assaltar o Capitólio.