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A batalha de Budapeste

A batalha de Budapeste
Reportagem

A batalha de Budapeste


por Ricardo J. Rodrigues/ 29.07.2021

A controversa lei anti-LGBT húngara teve esta semana resposta nas ruas, com 30 mil pessoas a desfilarem na maior marcha do orgulho gay a que a capital alguma vez assistiu. Viktor Orbán, no entanto, insiste no alvo – e em desafiar a Europa. História da Cortina de Ferro que se está a levantar na Hungria. Reportagem de Ricardo J. Rodrigues (texto) e Rick Tonizzo (fotos), em Budapeste.

Há seis anos que Eszter Bagyina, 31, frequenta o Charme, uma das poucas escolas de danças de salão para casais do mesmo sexo que existem no Leste da Europa. Hoje está a aperfeiçoar o cha-cha-cha. “Vamos ver quanto mais tempo Orbán nos deixa dançar com quem quisermos”, diz meio a sério, meio a brincar. “Eu sempre dancei com quem me deu na gana e, se me impedirem de fazer isso, não vou ficar muito tempo por aqui.” 

Tem um orgulho danado em ter nascido dois meses depois de tudo mudar na Europa. “O muro de Berlim caiu em outubro de 1989 e eu nasci em dezembro. Gosto de dizer que sou filha da liberdade.” Dos anos de comunismo não tem memória, mas pais e avós contaram-lhe demasiadas vezes sobre os constrangimentos que viveram numa Hungria sob constante vigilância do Estado. “O país em que eu cresci era outro, era um lugar que se queria abrir ao ocidente. Budapeste era a cidade que liderava esse caminho para toda a Europa de Leste”, diz Eszter, “e esta escola, que abriu em 2009, era um exemplo disso. Agora sinto que é precisamente aqui, na minha cidade, que se está a levantar uma nova Cortina de Ferro.”

Depois do Brexit, o dilema europeu parece ter na capital húngara o seu novo epicentro. A aprovação da Lei de Proteção de Menores em junho pelo governo de Viktor Orbán foi a gota de água para associações de direitos humanos e países-membros da União Europeia levantarem a voz . “O partido Fidesz mantém-se há 11 anos no poder com um discurso de nós contra eles. Vai escolhendo os inimigos do povo e faz deles os seus alvos. Fê-lo com os ciganos, com os refugiados e agora com a comunidade LGBT”, diz David Vig, diretor da Amnistia Internacional na Hungria.

David Vig, diretor da Amnistia Internacional na Hungria
David Vig, diretor da Amnistia Internacional na Hungria
Foto: Rick Tonizzo

 Em maio de 2020, os transexuais húngaros viram-lhe ser retirado o direito de mudar de nome e género nos documentos nacionais, mesmo que já tivessem completado a cirurgia de transição. Em dezembro, as adoções passaram a ser permitidas exclusivamente a casais heterossexuais. Agora, há uma lei que impede os menores de idade de terem contacto com o que o governo diz ser propaganda LGBT. Livros passam a ser identificados com bola vermelha. Séries e filmes, mesmo que estejam catalogadas para todas as idades, passam para maiores de 18 e só podem ser transmitidos das dez da noite às cinco da manhã. Referências a outra orientação sexual que não a heterossexualidade são banidas das aulas de educação sexual.

A reação foi forte, dentro e fora de portas. O campeonato europeu de futebol foi o primeiro palco de visibilidade, com as federações, patrocinadores e jogadores a tomarem como sua a bandeira do arco-íris. A maioria dos líderes da UE, com Ursula von der Leyen à cabeça, insurgiram-se e ameaçam agora a Hungria com sanções. No Conselho Europeu, o primeiro ministro holandês chegou mesmo a convidar Orbán a abandonar a União – e um muito veemente Xavier Bettel, do Luxemburgo, contou a sua história pessoal enquanto homem gay para repelir o absurdo das medidas. Ao Contacto, o porta-voz do governo húngaro, Zoltán Kovacs, respondeu isto: “Os burocratas de Bruxelas queixam-se de que o que já está estabelecido na Europa Ocidental não é possível aqui. Não cabe a Bruxelas dizer aos pais como é que devem educar os filhos. Pode não agradar ao Ocidente, mas na Hungria não há lugar para propaganda sexual nas escolas e nas creches. É o futuro das nossas crianças que está em jogo. E esta causa é igualmente uma luta pela Europa Central. Temos de mostrar que a cultura, os valores e a identidade da nossa região fazem tanto parte da UE como os da Europa Ocidental – e a longo prazo a União não pode funcionar com sucesso sem a coexistência dos dois.”

Zita Gurmai, do Partido Socialista
Zita Gurmai, do Partido Socialista
Foto: Rick Tonizzo

No início de 2022, a Hungria vai referendar esta lei. “Se Orbán ganhar, pode desafiar ainda mais a Europa e ganhar o eleitorado interno para as legislativas de abril”, avisa no seu gabinete em Buda Zita Gurmai, antiga eurodeputada e vice-presidente do Partido Socialista, líder da oposição. “Neste momento ele já começou a campanha: Budapeste está cheia de cartazes a perguntar se queremos os nossos filhos a mudarem de sexo ou se queremos que a União Europeia mande em nós. O Fidesz quer liderar o populismo de extrema-direita na Europa e quer refundar os princípios, direitos e liberdades que fundaram esta União.” 

No último sábado, as ruas da capital encheram-se: o dia do Orgulho Gay juntou 30 mil pessoas e foi mais protesto do que celebração. Ao longo do percurso, grupos neonazis insultavam quem passava envergando bandeiras da Hungria e cruzes cristãs. Budapeste tornou-se no campo de batalha ideológico para duas visões da Europa. E as histórias que os seus habitantes contam dão bem para perceber a cisão que cresce no continente. As palavras de Eszter Bagyina, bailarina de cha-cha-cha, ficam a retinir na cabeça: “Para quem cresceu no leste, o início da Europa com que sonhávamos era Budapeste. E agora parece ser aqui que ela acaba.”

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Foto: Rick Tonizzo


Foto: Rick Tonizzo

Ainda os relógios não tinham batido as duas da tarde do último sábado, 24 de julho, e já se percebia que o Budapest Pride de 2021 iria bater todos os recordes de comparência. À praca Madách, em Peste, chegavam ativistas de todo o continente, adolescentes e idosos, pais com bebés de colo, gente gay, lésbica, bi, trans, queer, hetero e de todas as orientações. Bandeiras do arco-íris enchiam o cenário, e muitos cartazes protestavam contra Orbán. A Association France Presse avançou uma primeira estimativa de dez mil participantes, mas a organização e a polícia corrigiriam o número ao fim da tarde: estavam 30 mil pessoas na marcha. “Em 25 anos, nunca tínhamos chegado sequer a ser 20 mil”, disse ao Contacto Kati Csatlós, porta-voz da organização.

Na cabeça da parada seguia um camião de caixa aberta, onde Lázlo Farkás dava música à multidão. Tem 34 anos, é gay, de etnia cigana. “Cresci num vilarejo a 80 quilómetros da capital chamado Tapiogyorgye, rural, onde não vivem mais de duas mil pessoas. Sei muito bem o que é ser vítima de discriminação”, contava ele um dia depois da marcha, num edifício vetusto onde marcámos encontro no VII distrito de Peste. “O que Orbán agora está a fazer aos miúdos como eu, que sempre se sentiram diferentes, é de uma violência sem limites”, diz de rosto fechado.

Lázlo Farkás
Lázlo Farkás
Foto: Rick Tonizzo

Sempre foi o melhor aluno da turma, mas muitos professores e colegas duvidavam do seu verdadeiro talento por ser cigano. “Diziam-me que os ciganos eram burros e por isso eu não podia ser esperto”, conta. “Se desaparecia a algum dos meus colegas, o primeiro suspeito era eu. Cheguei a ser espancado por causa de um colega que perdeu o lanche que trazia na mochila. Depois encontrou os bolos lá no fundo da mala, mas nunca me pediu desculpa. Vivi isto a vida inteira.” E um suspiro de uma infinita tristeza.

A puberdade duplicou-lhe os problemas, quando percebeu que preferia os homens decidiu esconder o facto para o resto do mundo – e para o resto da aldeia, onde nunca o tinham tratado como igual. “Aos 19 anos lá contei à minha mãe, que me levou logo a um psicólogo. O meu pai morreu no ano seguinte e aí ela aceitou. Os meus irmãos também aceitaram sem problemas, um deles agora já não aceita e está sempre a repetir os argumentos do Orbán”, diz Farkás. “Isso é uma coisa que magoa bastante.”

Lázlo Farkás.
Lázlo Farkás.
Foto: Rick Tonizzo

Depois de sair do armário mudou-se para Budapeste. Foi agredido várias vezes, uma vez queimaram-no com cigarros porque usava uma camisola cor de rosa, outra vez foi atirado para fora de um autocarro e sovado por dois homens por usar brincos e roupas que os agressores consideraram femininas. “Isto foi antes do Fidesz começar a atacar a nossa comunidade. Agora as coisas estão muito piores, estas bestas sentem-se empoderadas pelo governo e nós somos alvos fáceis”, conta. De facto, no final da marcha do orgulho gay, o mais que se viam eram grupos de pessoas a trocarem de roupa e limparem as pinturas de arco-íris dos rostos. “Na última marcha, em 2019, houve vários casos de agressões, então aconselhamos os participantes a voltarem a casa sem símbolos vísiveis e em grandes grupos”, explicou David Vig, diretor da Amnistia Internacional.

Farkás, hoje, não é o mesmo miúdo inseguro que foi alvo de toda a discriminação. Mudou-se há dois anos para Berlim, e foi a partir de lá que abriu uma televisão online para a comunidade LGBT de etnia cigana, a Baxtale TV – projeto que está este ano nomeado para o mais importante prémio de direitos humanos da Hungria, o Tasz Award. A carreira como DJ é internacional, e atua regularmente em clubes e paradas gay em toda a Europa Central. Em Budapeste, pôs milhares de pessoas a dançar e tornou o protesto em festa.

Foto: Rick Tonizzo

A marcha saiu de Peste embalada pela batida disco e seguiu em direção ao Danúbio, rodeada por milhares de agentes de polícia. Na envolvente da ponte de Szabadsag, palavra húngara para liberdade, concentrações da extrema-direita tentavam intercetar a multidão - mas as autoridades tinham prevenido confrontos colocando barreiras de proteção e formando uma muralha de guardas. Do lado de Peste, um grupo de idosos levantava os braços com a saudação nazi. Membros do Mi Hazánk, partido da extrema-direita, e da juventude partidária do Fidesz levantavam cruzes e cartazes ofensivos. “Aberrações”, “pedófilos”, “desapareçam daqui”, gritavam. Um rapaz de 18 anos chamado David Babcsany dizia que, “apesar de ter amigos gays, a homossexualidade deve ficar escondida dentro das quatro paredes. E se insistirem em mostrar-se nas ruas, então hão de sofrer as consequências." 

Do outro lado da ponte, um grupo de skinheads mantinha-se em silêncio, observando e fotografando pessoas que passavam na multidão. Se alguém calhava insultá-los, levavam a mão à garganta e ameaçavam-nos com um corte no pescoço. Mas eram poucos em número – não mais de 500, no total de todas as pequenas concentrações. A marcha prosseguiu o seu caminho pela margem norte do rio até desaguar no Tabán, um parque em Buda. À chegada da cabeça da manifestação, um grupo de rapazes da extrema-direita desfraldou um enorme cartaz no palacete da entrada, com o desenho de uma criança de olhos tapados por um arco-íris e a inscrição: “Será assim o 26° dia do orgulho gay.”

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Foto: Rick Tonizzo

Gábor Bencre tem 78 anos, mas só aos 40 teve coragem de sair do armário. “Antes da queda do muro de Berlim já se respirava um certo ar de liberdade e, apesar de ter dormido com homens toda a minha vida, só nessa altura senti que podia ser quem era e que o mundo estava a mudar”, conta na sua casa em Buda. Ao seu lado está Lázlo Láner, 65, com quem partilha a vida desde os anos noventa. Quando as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo foram permitidas na Hungria, em 2009, os dois homens foram os primeiros a celebrá-la no país.

Cresceram nos anos de comunismo e ambos contam o medo que experimentaram quando perceberam que a sua orientação sexual não era a da maioria. “Nessa altura, só se falava da questão quando se falava de crime ou pedofilia. Não havia qualquer representação nos media, na cultura, nada. Descobrias sozinho e sofrias sozinho”, conta Lázlo. Apesar de não constituirem crime a partir de 1961, as relações entre pessoas do mesmo sexo só eram permitidas a partir dos 21 anos, enquanto que as heterossexuais eram aos 14. “Mas a pressão do regime era enorme”, insiste Gábor.

Alguns cafés transformavam-se em cafés para cavalheiros ao cair da noite, e esses estavam constantemente a ser vigiados pela polícia secreta. “Faziam rusgas e identificavam as pessoas”, conta o mais velho. “Depois obrigavam-nos a dizer o nome de outros homossexuais. Criavam aquilo a que chamávamos os ficheiros rosa, uma lista que guardavam para usar no momento apropriado, fosse para chantagear ou extorquir dinheiro. E, por mais cuidados que tivesse, eu estava nesse ficheiro. Todos estávamos.”

Em 1986, as coisas começaram realmente a mudar. “Criámos uma associação LGBT que foi tolerada e tentávamos alugar barcos no Danúbio para fazer festas. Claro que só aconteceu uma vez, à segunda já nenhum dono quis”, ri-se Lázlo. Três anos depois veio a queda do muro, a Hungria declara-se república em vez de república popular. “E em 1991 fundámos a Masok [diferente, em húngaro], uma fanzine que teve um enorme sucesso e acabou por se tornar em revista”, diz Gábor. “Depois organizámos um piquenique LGBT e o movimento começou a crescer.”

A adesão da Hungria à União Europeia, em 2004, deu-lhes a confirmação de que o caminho de abertura não voltaria a recuar. Oficializaram a relação em 2009, um ano antes de Orbán chegar ao poder. “A partir daí, começou o processo ao contrário. Foi aprovada uma nova constituição, o casamento ficou reservado aos casais heterossexuais, o vento de abertura foi travado pela velha fortaleza da Hungria conservadora”, e Lázlo abana a cabeça num lamento que quase o leva às lágrimas. “Mas nada nos podia preparar para este tempo que estamos a viver agora. É como se nos empurrassem de volta para a invisibilidade. É como se tivéssemos de ter medo de fazer parte dos ficheiros rosa outra vez. Somos o inimigo de Orbán e então ele está a tornar-nos em inimigo do povo.”

Como é que o primeiro-ministro húngaro consegue tamanho apoio popular? “Orbán não agrada seguramente à esquerda, mas também não colhe apoio da direita aristocrática”, diz Richard Borbas, um antigo guia turístico que hoje faz as vezes de comentador político no Kisüzem, um bar onde se juntam os intelectuais da capital. “Ele bebe da desilusão dos que se sentem injustiçados pela corrupção, pela desilusão com a Europa, pelo sentimento de inferioridade que há num país humilhado.

Richard Borbas
Richard Borbas
Foto: Rick Tonizzo

As antigas altas e médias patentes do regime comunista votam Orbán, diz Borbas. Os agricultores, quase todos também. Se em 1990 quase metade da população vivia da terra, o número de empregos tem caído a pique desde a entrada na UE. “A política agrícola comum foi uma humilhação para um país habituado a produzir”, continua ele. “Então o discurso anti-europeu floresce e Orbán vai aí beber muito apoio. Voltou a fazê-lo com a covid-19, aceitando vacinas da Rússia e da China e imunizando o país muito mais cedo. A Europa, em suma, é para muitos húngaros uma entidade externa, que condiciona o povo sem olhar para ele.” E esta é a arma do Fidesz na batalha pela Europa.

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Agora chega
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Foto: Rick Tonizzo

Mate Mali acabou de completar 18 anos. Desde os 14 anos que se sabe gay, mas aceitar-se revelou-se tão difícil que pensou muitas vezes, demasiadas, em fazer mal a si mesmo. “Comecei a comer de uma forma irracional, olhava ao espelho e insultava-me, cortava os braços. Ainda hoje estou a fazer o meu processo. Se vou à praia, só consigo estar de camisola ou então dentro de água. Lido mal com o meu corpo.” 

Mate Mali.
Mate Mali.
Foto: Rick Tonizzo

O processo de aceitação, no entanto, começou nos livros e nos filmes. “Quando li e vi o ‘Call Me By Your Name’ comecei a perceber que não havia obrigatoriamente nada de mal comigo. Comecei a aceitar-me, a ganhar a coragem para falar com os meus pais, procurar amigos e informação que me auxiliasse.” É por isso que agora insiste em dar a cara. “Se eu não tivesse lido aqueles livros e visto aqueles filmes provavelmente não estaria aqui. Ao vedar o acesso à informação aos adolescentes, o governo está criar um pesadelo. Por mim, lutarei contra isso até não ter mais forças. Ou, então, irei embora da Hungria.”

Sair da Hungria é precisamente o que Joana Viana, 38, e Denisa Mihaliskova, 29, estão a pensar fazer. A primeira é portuguesa, a segunda eslovaca, conheceram-se há oito anos em Bratislava, apaixonaram-se e mudaram-se para Budapeste, onde puderam encontrar oportunidades de trabalho e uma sociedade mais aberta do que na Eslováquia. “Com este rumo dos acontecimentos que Orbán trouxe, sinto que não posso viver a minha vida descansada e com normalidade, tenho de ser de alguma forma uma ativista em constante luta. E isso acaba por ser muito desgastante”, diz Joana.

São daquela geração de europeus que cresceu com a ideia de um continente aberto, tolerante, móvel, multicultural. “Budapeste era isso para os países de Leste”, diz Denisa, “ou era. Estes ataques de Orbán estão a mudar tudo. Não quero viver num país onde me chamam pedófila por amar uma mulher.” Vieram à procura da abertura e agora só pensam em sair daqui. Continuar na Europa de Leste, dizem as duas de imediato, não está em cima da mesa. “Os discursos estão a endurecer, as políticas estão a mudar, a discriminação que antes era intolerável está a tornar-se norma. E nesta parte da Europa está mesmo a acontecer mais rápido.” Então vão sair. Quase toda a gente que falou para esta reportagem, aliás, disse o mesmo. Se não se travar a construção de uma nova muralha, não é deste lado da Europa que eles querem ficar. 


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