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Reino Unido. Quem são os 10 candidatos para suceder a May
Mundo 6 min. 11.06.2019

Reino Unido. Quem são os 10 candidatos para suceder a May

Reino Unido. Quem são os 10 candidatos para suceder a May

Foto: AFP
Mundo 6 min. 11.06.2019

Reino Unido. Quem são os 10 candidatos para suceder a May

O vencedor deve ser anunciado pelo Partido Conservador em agosto.

São dez os aspirantes a suceder a Theresa May à frente do governo britânico. Um dos oito homens e duas mulheres terá de de enfrentar a crise do Brexit mas só depois de uma campanha para conquistar a maioria dos 160 mil membros do Partido Conservador. Os candidatos a ocupar o lugar tinham até às 17 horas de segunda-feira, 10 de junho, para garantir o apoio formal de pelo menos oito deputados numa corrida que agita as águas já pouco paradas do Reino Unido. 

Quem não fica neste grupo é o antigo secretário de Estado das Universidades, Sam Gyimah, que anunciou ao final da tarde de segunda-feira que ia abandonar a disputa, por não ter tido "tempo suficiente para angariar apoios". Gyimah era o único dos 11 candidatos que defendia um novo referendo pela permanência do Reino Unido na União Europeia. Já os restantes comprometem-se a implementar o resultado do referendo de 2016 e concretizar o processo de saída do bloco europeu.

Para os próximos dias estão previstos vários debates e votações, a começar na quinta-feira, 13 de junho. Continuam depois nos dias 18, 19 e 20 de junho, culminando na seleção de dois finalistas para suceder à primeira-ministra britânica, Theresa May. A partir de 22 de junho, estes dois candidatos serão submetidos a uma votação dos cerca de 160.000 membros do Partido Conservador, devendo o vencedor ser anunciado um mês mais tarde. May, que renunciou oficialmente ao cargo de líder no final de maio, vai permanecer em funções como primeira-ministra até à escolha do sucessor.

Em cima, da esquerda para a direita: Boris Johson, Michael Gove, Jeremy Hunt, Dominic Raab e Sajid Javid. Na linha de baixo, da esquerda para a direita: Matt Hancock, Marker Harper, Esther McVey, Rory Stewart e Andrea Leadsom.
Em cima, da esquerda para a direita: Boris Johson, Michael Gove, Jeremy Hunt, Dominic Raab e Sajid Javid. Na linha de baixo, da esquerda para a direita: Matt Hancock, Marker Harper, Esther McVey, Rory Stewart e Andrea Leadsom.
AFP

Dez candidatos à 'liderança' do Brexit

Boris Johnson

"O que se passou na Segunda Guerra Mundial? Cortem isto por um segundo. Eram neutrais. O que fizemos nos Açores?", perguntou em 2017 o então chefe da diplomacia britânica num vídeo gravado em Lisboa, que foi tornado público pela estação televisiva BBC um ano mais tarde. Boris Johson disse depois que James Bond "nasceu aqui perto, no Estoril", ato que levou um assessor a interromper a gravação para esclarecer que estava errado dizer que a personagem dos espião mais famoso do cinema tinha nascido no Estoril, mas que o correto seria dizer que a ideia surgiu naquela localidade do concelho de Cascais.

Apesar das fenomenais gaffes, Boris Johnson é o favorito de todas as casas de apostas e das sondagens. Prometeu baixar os impostos mas não os dos rendimentos mais elevados. O ex-autarca de Londres que evita aparecer em público para minimizar os erros e gaffes anunciou na sua coluna semanal no jornal Daily Telegraph que pretendia subir de 55 mil euros para 90 mil euros anuais o limite a partir do qual se passaria a pagar o imposto máximo de 40%. Mas com um país a sair de um período de austeridade e com uma base eleitoral que tem respondido eleitoralmente com o apoio ao Brexit como forma de castigar as elites, a ideia de Boris Johnson em cultivar uma imagem inclusiva e moderna saiu pela culatra. A mensagem que passa é que quer baixar os impostos para um setor da população que, ainda assim, vive muito melhor do que a maioria.

Dominic Raab

Em resposta a Boris Johnson, Dominic Raab, o ex-ministro para o Brexit afirmou que esta é uma "forma de apresentar os conservadores perante a opinião pública como o partido dos privilegiados, que se dedica só a ajudar os mais ricos". Paradoxalmente, apresenta-se como o candidato do Brexit duro e da política económica mais thatcheriana apesar de ter dito que preferia destinar os impostos a "ajudar as pequenas e médias empresas".

Mas o perfil conservador de Dominic Raab fala por si. Quando foi apresentado por Maria Miller, a responsável pelo Comité de Mulher e Igualdade afirmou que "algum dia" havia de conseguir que Dominic "acredite que é feminista". Em 2011, quando ainda deputado Raab escreveu no Politics Home, portal online sobre notícias relativas à política inglesa, que se devia acabar com a "intolerância feminista" que provocava "discriminação sobre os homens". Chegou também a dizer que "as feministas se encontram entre os fanáticos mais odiosos". Oito anos depois, o político continua a defender as mesmas ideias.

Andrea Leadsom

A ex-líder da Câmara dos Comuns demitiu-se em maio em desacordo com Theresa May e juntou-se à corrida pela liderança. Em 2013, quando o parlamento britânico aprovou a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, Andrea Leadsom absteve-se na votação. Anos depois, continua a defender que não é adepta do casamento homossexual visto que "o matrimónio no sentido bíblico só pode acontecer entre um homem e uma mulher".

Esther McVey

Foi ministra para o Trabalho e Pensões de Theresa May e recentemente declarou numa entrevista à emissora LBC que as aulas de educação sexual onde se abordam as relações LGBT (sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgéneros) não deviam ter a participação de alunos com menos de 16 anos porque até então não têm "a idade apropriada" para a abordagem destas temáticas. De acordo com a candidata, os pais deviam ter ainda a liberdade de poder retirar os filhos dessas aulas se assim entenderem adequado.

Jeremy Hunt

O atual ministro dos Negócios Estrangeiros que votou pela permanência do Reino Unido na UE defende agora o Brexit e já se posiciona como um dos favoritos à liderança dos conservadores britânicos. Defendeu na estação televisiva Sky News que o prazo legal para o aborto devia ser reduzido das 24 para as 12 semanas. Já anunciou também que, se for eleito, vai aumentar o orçamento para a Defesa para o dobro porque entende que num cenário pós-Brexit o Reino Unido vai precisar de se reforçar. O responsável pela pasta dos assuntos externos está também na memória dos britânicos quando se enganou numa missão diplomática a Pequim, capital chinesa, em frente aos seus congéneres afirmando que a sua mulher é japonesa quando na verdade é chinesa.

Outros candidatos

Rory Stewart, ex-militar e atual ministro para o Desenvolvimento Internacional, tem poucas possibilidades de ganhar a corrida. Michael Gove, atual ministro do Ambiente, é outro dos candidatos. Matt Hancock, ex-ministro da Saúde, Sajid David, ex-ministro da Administração Interna, e o dirigente Mark Harper são outros dos aspirantes a primeiro-ministro.

Sete dos dez candidatos consumiram drogas

No fim de semana, Michael Gove, atual ministro do Ambiente que aparecia como o principal adversário de Boris Johnson, admitiu o consumo de cocaína no passado em declarações que soaram a vitimização e que acabaram por ser um tiro no pé. Com o perfil conservador dos candidatos, o consumo de drogas, que ganhou centralidade no debate político, atinge praticamente todos os candidatos. Sete dos dez aspirantes confessaram mesmo o consumo de algum tipo de substância ilícita no passado. O atual ministro de Desenvolvimento Internacional, Rory Stewart, assegurou ter fumado ópio numa viagem ao Afeganistão em 2002 e a ex-porta-voz do governo no parlamento inglês, Andrea Leadsom, fumou marijuana durante a universidade. Boris Johnson também admitiu o consumo de estupefacientes à revista Marie Claire. "Creio que me deram uma vez cocaína mas espirrei e, portanto, não me subiu pelo nariz", afirmou também à BBC em 2005. O atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Jeremy Hunt, admitiu que bebeu um lassi de canábis na Índia e Dominic Raab afirmou que consumiu este substância psicoativa quando ainda era estudante.

Bruno Amaral de Carvalho