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Reino Unido. “Order, Order”! Parlamento reabre trabalhos
Mundo 2 min. 25.09.2019 Do nosso arquivo online

Reino Unido. “Order, Order”! Parlamento reabre trabalhos

Boris Johnson.

Reino Unido. “Order, Order”! Parlamento reabre trabalhos

Boris Johnson.
Foto: AFP
Mundo 2 min. 25.09.2019 Do nosso arquivo online

Reino Unido. “Order, Order”! Parlamento reabre trabalhos

Com Boris Johnson de regresso antecipado a Londres, proveniente de Nova Iorque, o parlamento britânico reabriu hoje os seus trabalhos, interrompidos pela decisão de suspensão do primeiro-ministro e agora desautorizada pelo Supremo Tribunal.

Johnson sofreu na terça-feira uma derrota humilhante após o inesperado veredicto pronunciado pelo Supremo Tribunal que considerou a suspensão do parlamento “ilegal”, “nula” e “vazia”.

Boris Johnson vai dirigir-se esta tarde ao parlamento, provavelmente para insistir na sua retórica de saída da UE, com ou sem acordo. O líder Trabalhista, por seu lado, vai dizer-lhe que devia pedir desculpas à Rainha e ao país.

A crise política britânica assemelha-se a uma opereta bufa, sem final à vista, com o primeiro-ministro a insistir que o Reino Unido sairá da União Europeia, com ou sem acordo, no dia 31 de Outubro, mas a maioria dos parlamentares está empenhada em impedir um cenário de não acordo.

O primeiro-ministro afirmava que a decisão de suspender o parlamento nada tinha a ver com o Brexit, mas acabou por se contradizer, em Nova Iorque, ao declarar, sobre a decisão do Supremo, que algumas pessoas estavam a tentar “frustrar” a tarefa da saída da União europeia com esta decisão judicial.

O antigo ministro das Reformas Amber Rudd, que abandonou o governo de Johnson em protesto contra a sua expulsão e dos “rebeldes do Brexit” do partido Conservador, disse que o primeiro-ministro estava a tentar jogar em dois tabuleiros.

Para este Conservador “rebelde” foi pouco avisado para o primeiro-ministro ter insistido inicialmente que o Brexit não estava por trás da sua decisão de suspender o parlamento e que agora “não é responsável” mudar de discurso.

O reinício dos trabalhos em Westminster esta manhã não permite antecipar as ideias que os parlamentares apresentarão para se ultrapassar este impasse político crescente.

Fontes parlamentares admitem que possa ser sugerida a demissão de Boris Johnson e a nomeação de um primeiro-ministro interino.

Ainda na Assembleia Geral da ONU, Boris Johnson rejeitou os apelos para se demitir por parte do Partido Trabalhista que declarou ter chegado a altura para o parlamento tentar derrubá-lo.

No entanto, o líder trabalhista afirma que a sua prioridade, nesta altura, é impedir uma saída sem acordo da UE a 31 de Outubro.

O jornal "Financial Times" diz hoje que a decisão do Supremo deixa uma “mancha no carácter e competência” de Boris Johnson. “Confrontado com um julgamento tão prejudicial qualquer primeiro-ministro com uma réstia de respeito pela democracia britânica e pelas responsabilidades pelo seu cargo demitir-se-ia”.

No outro extremo, o "The Sun", apoiante declarado do Brexit, considera a decisão judicial do Supremo como um “perigoso golpe de juízes políticos”.

Um colunista do “The Telegraph” ironiza afirmando que o “Speaker” dos Comuns, Samuel Bercow, actua agora como se fosse um Presidente da República. “A Grã-Bretanha tornou-se uma República com Bercow à cabeça”. 

Sérgio Ribeiro Soares


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