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Rei dos belgas pede perdão por feridas do colonialismo no Congo
Mundo 30.06.2020

Rei dos belgas pede perdão por feridas do colonialismo no Congo

Rei dos belgas pede perdão por feridas do colonialismo no Congo

AFP
Mundo 30.06.2020

Rei dos belgas pede perdão por feridas do colonialismo no Congo

Lusa
Lusa
O rei Filipe manifestou o seu “mais profundo pesar” por atos de violência e crueldade durante o período colonial, numa carta enviada ao Presidente da República Democrática do Congo, nos 60 anos da independência do país.

Na carta ao Presidente Félix Tshisekedi, o rei dos belgas apresentou o seu “mais profundo pesar pelas feridas” infligidas durante o período colonial no antigo Congo belga, um ato inédito de um monarca em exercício.

Filipe condenou ainda “os atos de violência e crueldade” cometidos sob a administração de Leopoldo II, bem como “os sofrimentos e humilhações” vividos durante a colonização do Congo pela Bélgica.

Impedidos de participar presencialmente nas cerimónias em Kinshasa por causa da pandemia da covid-19, o rei Filipe evocou, na carta que foi divulgada publicamente, o reinado de Leopoldo II que geriu o Congo e as suas riquezas como bens privados, numa época considerada particularmente brutal pelos historiadores (1885 a 1908).

“Nessa época (…) foram cometidos atos de violência e de crueldade que pesam ainda sobre a nossa memória coletiva”, escreveu Filipe.

O atual rei – que sucedeu ao seu tio Alberto II em 2013 – adiantou também que o período colonial que se seguiu à entrega da colónia por Leopoldo II à Bélgica (1908-1960) “causou também sofrimentos e humilhações”.

“Gostaria de expressar o meu mais profundo pesar por estas feridas do passado, cuja dor é hoje reavivada pela discriminação que ainda está demasiado presente nas nossas sociedades”, acrescentou.

Por seu lado, a primeira-ministra, Sophie Wilmès, desejou que a história partilhada entre a RDCongo e a Bélgica seja “debatida sem tabus, com sinceridade e severidade”.

Para além do Congo (depois Zaire a agora RDCongo), a Bélgica foi ainda potência colonial do Ruanda-Urundi, de cuja independência, em 1962, resultaram o Ruanda e o Burundi.

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