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Bielorrússia força aterragem de avião da Ryanair para deter jornalista
Mundo 4 min. 24.05.2021
Regime de Lukashenko

Bielorrússia força aterragem de avião da Ryanair para deter jornalista

Regime de Lukashenko

Bielorrússia força aterragem de avião da Ryanair para deter jornalista

Foto: AFP
Mundo 4 min. 24.05.2021
Regime de Lukashenko

Bielorrússia força aterragem de avião da Ryanair para deter jornalista

AFP
AFP
A aterragem forçada de um avião da Ryanair a pedido das autoridades bielorrussas está a gerar novo clima de tensões entre o regime de Lukashenko, a Europa e os EUA.

Um caça bielorrusso interceptou este domingo um avião de passageiros da Ryanair com um jornalista opositor ao regime de Lukashenko. O jornalista foi detido à chegada a Minsk (capital bielorrussa), o que está a motivar a ameaça de novas sanções por parte da União Europeia e um apelo à "investigação internacional" feito pela NATO. 

Também os EUA já condenaram "veementemente o sequestro forçado" e a detenção do jornalista Roman Protassevich, em Minsk, e exigem a sua libertação imediata, afirmou o Secretário de Estado norte-americano, António Blinken. Também a Organização da Aviação Civil Internacional, pertencente à ONU, já considerou que a aterragem forçada "poderá ser uma violação da Convenção de Chicago", que protege a soberania do espaço aéreo das nações.   

Os media da oposição bielorrussa Nexta relataram este domingo que o seu antigo editor Roman Protassevich foi preso após a aterragem de emergência do voo FR4978, um Boeing 737-800 que voava de Atenas (Grécia) para Vilnius (Lituânia). A televisão estatal bielorrussa confirmou mais tarde a detenção do jornalista. 

"Virou-se para as pessoas e disse que estava a enfrentar a pena de morte", disse uma passageira lituana no voo, Monika Simkiene, 40 anos, citada pela AFP. "Ele não gritava, mas era visível que estava muito assustado. Parecia que se a janela tivesse sido aberta ele teria saltado", descreveu Edvinas Dimsa, 37 anos, que estava no mesmo avião. 

O aparelho retomou o voo para a Lituânia no final da noite de domingo, país báltico membro da União Europeia, onde aterrou várias horas mais tarde do que o previsto - sem Protassevich.   

Roman Protassevich é um antigo editor da Nexta, um meio de comunicação social que desempenhou um papel fundamental na recente vaga de protestos contra a reeleição do Presidente Lukashenko em 2020, que detém o cargo desde 1994. Fundada em 2015, a Nexta ("Alguém", em bielorrusso) tinha nomeadamente cordenado comícios em toda a Bielorrússia, espalhando slogans e partilhando fotos e vídeos dos comícios e da violência das autoridades policiais. 

As autoridades bielorrussas alegaram que o avião se tinha desviado da sua trajetória por causa de uma "ameaça de bomba". Segundo a Nexta, a aterragem de emergência foi causada por uma "luta" dos oficiais de segurança bielorrussos a bordo, que afirmavam que tinha sido colocado um dispositivo explosivo. 

O aeroporto de Minsk, citado pela agência noticiosa oficial Belta, disse pouco depois que a ameaça de bomba que levou a uma aterragem de emergência tinha-se revelado "errónea" após uma busca ao avião. Alexandre Lukashenko ordenou pessoalmente um caça MiG-29 que o intercetasse após a alegada ameaça de bomba, disse o serviço de imprensa. "O avião foi verificado, nenhuma bomba foi encontrada, e todos os passageiros foram enviados para um controlo de segurança", escreve mais tarde a agência de notícias opositora ao regime.

UE estuda possíveis sanções 

Os chefes de Estado e de Governo reunidos em Bruxelas esta segunda e terça-feira vão discutir "possíveis sanções" contra o país, para além das que já foram apontadas e que levaram o presidente Alexander Lukashenko a aproximar-se do homólogo russo Vladimir Putin.   

Poucas horas após o incidente, os líderes da UE tinham apelado conjuntamente às autoridades bielorrussas para permitirem a partida do avião e que "todos os passageiros" continuassem a sua viagem. A União Europeia condenou "a ação completamente inaceitável" de Minsk, tal como a Alemanha, França e Polónia. Também o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, apelou a um inquérito ao "incidente grave e perigoso". 

Ao mesmo tempo, a Lituânia e a Letónia apelaram a que os voos internacionais deixassem de utilizar o espaço aéreo bielorrusso. Também o recém ex-membro da UE, o Reino Unido, advertiu o regime de Minsk de que poderia enfrentar "consequências graves".

No verão e outono passados, o presidente bielorrusso foi confrontado com um movimento histórico de protesto que reuniu dezenas de milhares de pessoas em Minsk e noutras cidades do país durante várias semanas, uma enorme mobilização para um país de apenas 9,5 milhões de habitantes. 

Mas o protesto foi-se desgastando gradualmente face a detenções em massa, violência policial que deixou pelo menos quatro pessoas mortas, assédio judicial contínuo e pesadas penas de prisão a ativistas e jornalistas opositores ao regime.

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