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Quem é Giorgia Meloni, próxima PM de Itália e admiradora de Mussolini?
Mundo 5 6 min. 26.09.2022
Legislativas

Quem é Giorgia Meloni, próxima PM de Itália e admiradora de Mussolini?

Giorgia Meloni, tem 45 anos e está prestes a tornar-se a primeira-ministra de Itália de um Governo de direita e extrema-direita.
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Quem é Giorgia Meloni, próxima PM de Itália e admiradora de Mussolini?

Giorgia Meloni, tem 45 anos e está prestes a tornar-se a primeira-ministra de Itália de um Governo de direita e extrema-direita.
Foto: AFP
Mundo 5 6 min. 26.09.2022
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Quem é Giorgia Meloni, próxima PM de Itália e admiradora de Mussolini?

Redação
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Aos 45 anos, a líder do partido FdI tem por lema "Deus, Pátria e Família", assumindo-se anti-Europa, anti-aborto e contra os "lobbies LGBT".

Na posição cimeira para se tornar a primeira mulher a ser chefe de Governo na história da Itália, Giorgia Meloni, presidente do partido Fratelli d'Italia (FdI) (Irmãos de Itália), lidera um movimento com ADN pós-fascista que ela conseguiu "humanizar" para chegar ao poder. 

Sob a liderança desta romana de 45 anos, anti-Europa e nacionalista, o FdI tornou-se o principal partido do país com quase um quarto dos votos, numas eleições marcadas pela maior taxa de abstenção desde que o país vive em democracia, atingindo os 36,09%. 

O partido de Meloni concorreu a estas eleições liderando uma coligação de direita e extrema-direita, que reúne a Liga, de Matteo Salvini, e o partido conservador Força Italia, de Silvio Berlusconi, obtendo 43% dos votos nas legislativas, de acordo com os resultados parciais. É também a primeira vez que a extrema-direita sobe à liderança do país, desde que este vive em democracia. 

A coligação vencedora em Itália: (esq. para dir.)  Liga de Matteo Salvini,  Forza Italia de Silvio Berlusconi FdI de Giorgia Meloni num comício em Roma, a  22 de setembro
A coligação vencedora em Itália: (esq. para dir.) Liga de Matteo Salvini, Forza Italia de Silvio Berlusconi FdI de Giorgia Meloni num comício em Roma, a 22 de setembro
AFP

Nas eleições legislativas de 2018, o FdI teve de se contentar com uns parcos 4% dos votos, mas desde então Giorgia Meloni conseguiu reunir em torno do seu nome o descontentamento e a frustração de muitos italianos fartos do "diktat" de Bruxelas, do elevado custo de vida e do futuro bloqueado dos jovens.

O seu lema? "Deus, pátria, família". As suas prioridades? Encerrar as fronteiras para proteger a Itália da "islamização", renegociar os tratados europeus para que Roma recupere o controlo do seu destino, lutar contra os "lobbies LGBT", contra o aborto e o "inverno demográfico" do país (a queda da natalidade), cuja idade média é a mais alta do mundo industrializado, logo atrás do Japão.

"Sim à família natural, não ao lobby LGBT! Sim à identidade sexual, não à ideologia do género! Sim à cultura da vida, não ao abismo da morte! Sim aos valores universais da Cruz, não à violência islâmica! Sim à segurança das fronteiras, não à imigração em massa! Sim ao trabalho dos nossos cidadãos, não às grandes finanças internacionais! Sim à soberania do povo, não à burocracia de Bruxelas! Sim à nossa civilização, não àqueles que a querem destruir!”, declarou Meloni aos ativistas da Vox, em Espanha, em junho de 2022.

Mussolini? "Um bom político"

Giorgia Meloni e o seu partido são os herdeiros do Movimento Social Italiano (MSI), um partido neo-fascista criado após a Segunda Guerra Mundial.

Aos 19 anos, disse ao canal francês France 3 que o ditador Benito Mussolini era "um bom político". Contudo, apesar de admiradora de Mussolini, Meloni sabia que para vencer, teria de tranquilizar os moderados. "Se eu fosse fascista, diria que sou fascista", defendeu numa recente entrevista com a revista britânica The Spectator.

Numa demagogia de equilíbrio, a líder dos IdI reconheceu que Mussolini "realizou muito", sem o exonerar dos seus "erros": as leis anti-semitas e a entrada na guerra. E para esclarecer: nas suas fileiras, "não há lugar para os nostálgicos do fascismo, nem para o racismo e o anti-semitismo".

“Eu sou mulher e cristã”

Nascida em Roma a 15 de Janeiro de 1977, Giorgia Meloni tornou-se ativista aos 15 anos de idade em associações de estudantes de direita, enquanto trabalhava como babysitter ou empregada de mesa. Em 1996, tornou-se chefe de uma associação de liceu, Azione Studentesca, cujo emblema é a Cruz Celta.

Em 2006, Meloni tornou-se deputada e vice-presidente da Câmara. Dois anos mais tarde, foi nomeada Ministra da Juventude no governo de Silvio Berlusconi. Esta foi a sua única experiência governamental.

À conquista da popularidade

Desde cedo que esta política soube que a escada para a popularidade estava nos media e na frequência com que aparecia. Por isso, tornou-se presença frequente programas de televisão. A sua juventude, a sua ousadia e as suas fórmulas captaram o interesse dos meios de comunicação social. 

Giorgia Meloni compreendeu que, pelo menos tanto quanto as suas ideias, a personalidade de uma jovem e bonita mulher loira era atraente para uma Itália ainda muito patriarcal.

Companheiro é de esquerda

"Eu sou Giorgia, sou mulher, sou mãe, sou italiana, sou cristã", foi assim que Giorgia Meloni se apresentou aos seus apoiantes em 2019, em Roma num discurso fervoroso que se tornou famoso. A futura primeira-ministra de Itália vive em união de facto com Andrea Giambruno, jornalista de televisão, com quem tem uma filha de 7 anos, Ginevra, segundo o diário italiano La Repubblica.

 No passado, o seu companheiro defendia a esquerda não concordando com a ideologia seguida por Meloni. O casal vive juntos há sete anos, em Roma e em várias ocasiões Meloni brincou com o fato de ter "um inimigo em casa". "O meu companheiro é de esquerda, agora acho que ele vai votar em mim nas próximas eleições", declarou a líder da FdI no programa televisivo Witness.

Oradora talentosa, a líder do FdI sabe cativar os italianos, cultivando o seu típico sotaque popular romano, mas por vezes, também se torna agressiva, e cai no mau gosto, como num vídeo que publicou recentemente no TikTok onde Meloni aparece com dois melões nas mãos ao nível dos seus seios, em referência ao seu nome de família.

No final de 2012, cansada dos conflitos que assolavam a direita, fundou o Fratelli d'Italia com outros dissidentes Berlusconi, e optou por dar nas vistas na oposição. Quando Mario Draghi, antigo governador do Banco Central Europeu, formou um gabinete de unidade nacional em Fevereiro de 2021 para tirar a Itália da crise sanitária e económica, Meloni e o seu partido foram os únicos a recusar-se a participar.

"A Itália precisa de uma oposição livre", disse a política na altura. Foi em nome desta liberdade, sinónimo de soberania, que denunciou a invasão russa da Ucrânia desde o primeiro dia.


Coligação de direita e extrema-direita reclama vitória em Itália
De acordo com resultados parciais, a coligação de direita e extrema-direita - FdI, Liga e Força Italia - obteve entre 43% dos votos nas legislativas. Giorgia Meloni deverá tornar-se a primeira mulher a liderar um governo italiano.

França atenta

Clamando a vitória nas legislativas de domingo, Giorgia Meloni e a sua coligação preparam-se agora para formar um Governo de direita e extrema-direita em Itália. O governo francês foi o primeiro a reagir aos resultados eleitorais que colocam esta líder anti-Europa, neofacista e anti-aborto no poder italiano. 

A primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, declarou já que o Governo de Paris vai estar "atento" no que diz respeito aos direitos humanos e ao direito ao aborto em Itália, após a vitória da coligação liderada por Giorgia Meloni. 

"É evidente que estaremos atentos, com a presidente da Comissão Europeia (Ursula von der Leyen), para que os direitos humanos, o respeito mútuo e em particular o respeito pelo direito ao aborto, sejam cumpridos por todos", em Itália, disse Borne, em declarações à cadeia de televisão BFMTV.   

*Com AFP

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