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Quais são os países que apoiam Vladimir Putin?
Mundo 7 min. 03.03.2022
Guerra na Ucrânia

Quais são os países que apoiam Vladimir Putin?

Um cartaz de apoio ao Presidente russo Vladimir Putin em Simferopol, na Crimeia, a 3 de março de 2022.
Guerra na Ucrânia

Quais são os países que apoiam Vladimir Putin?

Um cartaz de apoio ao Presidente russo Vladimir Putin em Simferopol, na Crimeia, a 3 de março de 2022.
Foto: Singer/AFP
Mundo 7 min. 03.03.2022
Guerra na Ucrânia

Quais são os países que apoiam Vladimir Putin?

Maria MONTEIRO
Maria MONTEIRO
Desde o início da ofensiva militar russa na Ucrânia, a 24 de fevereiro, as reações dos aliados tradicionais e parceiros estratégicos de Moscovo têm variado. Há quem se remeta ao silêncio, mas importa conhecer os países que estão do lado da Rússia.

Na quarta-feira, apenas cinco dos 193 estados-membros votaram contra a resolução da ONU que condena a invasão russa, numa ação que espelha o crescente isolamento de Putin na cena internacional. A declaração contou, ainda, com 35 abstenções.

Para António Guterres, secretário-geral da ONU, a mensagem da maioria foi “óbvia”. “Acabem com as hostilidades na Ucrânia — agora. Calem as armas — agora. Abram a porta ao diálogo e à diplomacia — agora”, disse aos jornalistas.


ONU aprova resolução para o fim da guerra. Só houve cinco votos contra
O texto "deplora" a agressão russa contra a Ucrânia e "exige" a Moscovo que ponha fim a esta intervenção militar e retire imediatamente e incondicionalmente as suas tropas do país vizinho.

Mas, até à data, a Rússia continua a agressão militar ao país vizinho, resguardada pelo apoio ou cumplicidade de diversos países, maioritariamente do sul da Ásia e da América.

Alguns dos seus aliados tradicionais, como China, Índia, Paquistão, alguns países da Ásia Central — que integram uma aliança militar encabeçada pela Rússia —, mostram-se reticentes em condená-la, mas defendem o fim da violência. Esta neutralidade deve-se, sobretudo, a fortes relações políticas e económicas que mantêm com a Rússia.

Mas quem são, afinal, os países que apoiam Putin abertamente?

  • Bielorrússia

É possivelmente o aliado mais claro de Putin. Além de uma fronteira, a Bielorrússia partilha fortes laços históricos, culturais, políticos e económicos com a Rússia, sendo esta responsável por 48% das suas exportações. Por outro lado, ambos são governados por autocratas com uma linha de pensamento muito próxima. Alexander Lukashenko, que está no poder desde 1994 e que alterou a constituição bielorrussa para se manter no cargo até 2035, foi apoiado por Moscovo aquando dos protestos de 2020-21 que quase o depuseram; agora tem uma dívida para com o regime de Putin. 

Nos meses que antecederam a invasão, Lukashenko autorizou as tropas russas a conduzir exercícios militares no seu território, junto à fronteira com a Ucrânia. Chegou mesmo a afirmar estar disponível para entrar no conflito se fosse necessário. A 26 de fevereiro, os bielorussos votaram num referendo constitucional que eliminou os artigos que até agora asseguravam a neutralidade e a inexistência de armas nucleares no país.


O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, diz que uma terceira guerra mundial está na mente dos políticos ocidentais, e não na mente dos russos.
Rússia acusa Ocidente de querer uma guerra nuclear
O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, acusou esta quinta-feira os líderes ocidentais de terem planos para uma "verdadeira guerra" contra a Rússia, que só poderá ser nuclear.

  • Síria

O presidente sírio, Bashar al-Assad, descreveu a invasão russa como “uma correção da História e um restauro do equilíbrio mundial que foi perdido depois da queda da União Soviética”, segundo a agência noticiosa SANA. Assad acrescentou, ainda, que “a Síria está do lado da Federação Russa com base na convicção de que a sua posição é correta e porque o confronto do expansionismo da NATO é um direito da Rússia”. 

Assad fez questão de telefonar a Putin, a 25 de fevereiro, para expressar o seu “forte apoio à operação militar especial da Rússia”, recorrendo à expressão que tem sido oficialmente usada pelos russos para designar o ataque à Ucrânia. 

A Síria tem fortes relações com a Rússia desde que esta apoiou a sua independência, em 1946. A aliança tornou-se mais forte quando Putin decidiu intervir na guerra civil síria, a primeira ação militar de Moscovo desde o desmantelamento da União Soviética.

 A participação da Rússia no conflito salvou o governo de Assad e permitiu-lhe recuperar o controlo de larga parte do território. A Síria passou, depois, a servir de zona de teste para armas e táticas dos russos e, em algumas áreas, organizaram-se festivais para difundir a cultura russa, com propaganda a passar até na televisão síria.

  • Venezuela

A Venezuela, o maior aliado comercial da Rússia na América Latina e um dos grandes antagonistas dos Estados Unidos, “expressou a sua preocupação pelo agravamento da crise na Ucrânia, e lamenta o escárnio e violação dos acordos de Minsk pela NATO, encorajada pelos Estados Unidos da América”, segundo declaração do ministério dos Negócios Estrangeiros citada pela Reuters. Adicionalmente, o governo venezuelano afirmou que o desrespeito destes acordos “criou sérias ameaças à Federação Russa, à sua integridade territorial e soberania, e impediu boas relações entre países vizinhos”.


A Comissão Europeia espera mais milhões de refugiados a entrar na UE nos próximos dias.
Um milhão de refugiados da Ucrânia já estão na UE mas Bruxelas espera mais
Um milhão de ucranianos estão já na União Europeia devido à invasão russa do país, revelou esta quinta-feira a Comissão Europeia.

De acordo com o Kremlin, o presidente Nicolás Maduro ligou a Putin na semana passada para expressar o “forte apoio” do seu país. Após a chamada, Maduro denunciou “os planos perversos que pretendem cercar a Rússia militar e estrategicamente” e disse que “a paz da Rússia é a paz do mundo”.

A cumplicidade entre os dois países remonta ao tempo da União Soviética e continuou sob a liderança de Hugo Chávez, que gastou biliões de dólares na compra de armas à Rússia. Na mais recente crise presidencial da Venezuela, desencadeada por eleições aparentemente fraudulentas, Putin deu o seu apoio ao governo de Maduro.

  • Cuba

À semelhança da Venezuela, Cuba partilha com a Rússia a oposição às nações do ocidente. A 23 de fevereiro, ainda antes da invasão, o ministro dos negócios estrangeiros, Bruno Rodríguez, afirmou que os Estados Unidos “andam a ameaçar a Rússia há semanas e a manipular a comunidade internacional sobre os perigos de uma ‘invasão massiva iminente’ da Ucrânia”, considerando que a Rússia “tem o direito de se defender”.

O país reprovou “a expansão progressiva da NATO em direção às fronteiras da Federação Russa”. Contudo, Cuba não se posicionou a favor do conflito com todas as letras, apesar de se mostrar ao lado da Rússia, daí que tenha defendido “uma solução diplomática através do diálogo respeitoso e construtivo” em nome da paz internacional.

  • Nicarágua

Daniel Ortega foi um dos primeiros líderes mundiais a manifestar o seu apoio à ação militar da Rússia. O presidente da Nicarágua disse, no início da semana passada, que Vladimir Putin tinha tomado a decisão correta ao reconhecer a independência das autoproclamadas repúblicas de Lugansk e Donetsk — a derradeira decisão de Moscovo que legitimou a entrada das tropas em território internacionalmente reconhecido como ucraniano.

“Tenho a certeza que, se fizerem um referendo como o da Crimeia, o povo vai votar para anexar estes territórios à Rússia”, declarou Ortega. Segundo a Reuters, o governante acusou os Estados Unidos e a Europa de “usarem a Ucrânia para provocar a Rússia” que, no seu entender, “só estava a pedir segurança”. Além disso, Ortega apresentou a Putin a sua “solidariedade e encorajamento nesta luta”.


Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia.
Presidente ucraniano: "Rússia vai pagar todos os danos infligidos ao país"
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky prometeu "reconstruir todos os edifícios" destruídos pelos ataques russos.

  • Myanmar

O general Zaw Min Tun, porta-voz da junta militar que governa o Myanmar desde o golpe de estado de fevereiro de 2021, expressou o seu apoio à decisão de Moscovo em invadir a Ucrânia. Na sua perspetiva, esta é “a coisa certa a fazer”, porque “a Rússia tem trabalhado para consolidar a sua soberania” e “serve para mostrar a todos que a Rússia é uma potência mundial”. 

Este apoio da junta militar pode ser visto como uma retribuição pelo apoio da Rússia que, como a China, facilitou e auxiliou a execução do golpe militar. Um especialista em direitos humanos das Nações Unidas disse, na semana passada, que os dois países estão a fornecer armamento à junta, nomeadamente aviões militares que têm sido usados indiscriminadamente para massacrar civis. O governo atualmente exilado condenou a intervenção da Rússia.

  • Coreia do Norte

A Coreia do Norte partilha com a Rússia uma fronteira de cerca de 17km, um grande sentimento anti-ocidente e anti-NATO e um arsenal nuclear. Em comunicado, um porta-voz do ministério do negócio de negócios estrangeiros culpou as “políticas hegemónicas”, a “arbitrariedade” e o “abuso de poder” dos Estados Unidos e do ocidente pelo atual conflito na Ucrânia. Mais, a Coreia do Norte acusou Washington e os seus aliados de “ignorar os pedidos legítimos e razoáveis da Rússia” para ter garantias da sua segurança, informou a agência noticiosa KCNA.


Militar ucraniano na linha da frente perto da cidade de Novoluhanske, no leste da Ucrânia, a 19 de fevereiro de 2022.
Rússia contra Ucrânia. Afinal, como é que Putin foi preparando a invasão?
Vladimir Putin anunciou na quinta-feira o início de uma operação militar na Ucrânia. Desde então, há registos de confrontos em vários locais do país e baixas dos dois lados.

Além disso, o governo de Kim Jong-Un refere que o ocidente “minou constantemente o clima de segurança na Europa ao aprofundar a expansão da NATO para este, incluindo ao mobilizar descaradamente sistemas de armamento para ataque [para aquela zona]”. A Coreia do Norte foi mais longe nas críticas aos Estados Unidos. “Enquanto tiverem uma política unilateral e dupla que ameace a paz e a segurança de um país soberano, nunca haverá paz no mundo.”

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