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Putin dá passo atrás. Paris aplaude, mas Berlim e Londres estão mais cautelosos
Mundo 7 min. 15.02.2022 Do nosso arquivo online
Tensão Rússia/Ucrânia

Putin dá passo atrás. Paris aplaude, mas Berlim e Londres estão mais cautelosos

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Putin dá passo atrás. Paris aplaude, mas Berlim e Londres estão mais cautelosos

Kay Nietfeld/dpa
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Tensão Rússia/Ucrânia

Putin dá passo atrás. Paris aplaude, mas Berlim e Londres estão mais cautelosos

Redação
Redação
Presidente russo indicou que está disposto a iniciar conversações sobre a limitação da instalação de mísseis de médio alcance na Europa, transparência de manobras militares e outras medidas, mas insiste que Ocidente tem de atender às principais exigências de Moscovo.

A declaração foi feita depois de a Rússia ter anunciado que está a retirar algumas tropas de manobras junto à fronteira da Ucrânia que causaram receio de uma potencial invasão do país.

Falando após uma reunião com o chanceler alemão, Olaf Scholz, Putin disse que os Estados Unidos e a NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte) rejeitaram a exigência de Moscovo de manter a Ucrânia e outras antigas repúblicas soviéticas fora da Aliança Atlântica, parar de enviar armas para perto das fronteiras da Rússia e retirar as forças da organização da Europa de Leste.

Mas os Estados Unidos e a NATO concordaram em discutir uma série de medidas de segurança que a Rússia tinha anteriormente proposto.

Putin indicou que a Rússia está disposta a iniciar conversações sobre a limitação da instalação de mísseis de médio alcance na Europa, transparência de manobras militares e outras medidas de construção de confiança, mas enfatizou a necessidade de o Ocidente atender às principais exigências de Moscovo.

No entanto, nem todos estão confantes neste aparente "passo atrás" de Putin. O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol e a sua homóloga alemã consideraram hoje, em Madrid, que ainda é cedo para avaliar o alcance e os efeitos da retirada das tropas russas da fronteira.Paris saúda retirada de tropas, Berlim e Londres reagem com cautela.


Kremlin confirma retirada de tropas da fronteira com a Ucrânia
A Presidência russa (Kremlin) confirmou esta terça-feira, 15, o início da retirada de algumas das suas tropas de perto das fronteiras da Ucrânia, denunciando a "histeria ocidental" sobre uma suposta invasão iminente do país pela Rússia.

A França saudou também o anúncio da Rússia de que vai retirar algumas das suas tropas da fronteira ucraniana como um “sinal positivo”, mas Alemanha e Reino Unido reagiram mais cautelosamente e disseram esperar atos concretos.

“Se forem confirmados, seria um sinal positivo, um sinal de desescalada que temos vindo a pedir há semanas”, disse o porta-voz do Governo francês, Gabriel Attal, citado pela agência France-Presse (AFP).

Attal disse que nas próximas horas, “estão planeados intercâmbios a nível de chefes de Estado, e em particular com o Presidente da República”, referindo que Emmanuel Macron alterou a sua agenda para a tarde de hoje.

“Isto confirmaria também que fizemos bem em retomar o diálogo. Recordo que o Presidente da República [Macron], ao deslocar-se a Moscovo, ao conversar com Vladimir Putin, reiniciou um diálogo com a Rússia, precisamente para alcançar uma estabilização, ou mesmo uma desescalada”, disse Attal.

O porta-voz referiu que desde o início da crise, a França procurou manter uma “linha de prudência, rigor e, sobretudo, de trabalho e diálogo”.

“Nunca estivemos numa reação exagerada, nem num sentido nem no outro”, disse.

Em Madrid, a chefe da diplomacia alemã, Annalena Baerbock, disse que o anúncio de Moscovo deve ser “seguido de factos”.

“Até agora, só houve anúncios e estes devem agora ser seguidos de factos, porque precisamos de confiança, precisamos de segurança para todos os cidadãos aqui, no nosso país, na Europa”, disse Baerbock numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo espanhol, José Manuel Albares.

Baerbock disse que a Alemanha não tem ilusões sobre a “capacidade da Rússia para levar a cabo os seus planos”.

“É precisamente por isso que, nas últimas semanas, temos vindo constantemente a apontar ao Governo de Moscovo, a todos os níveis e através de todos os canais, as consequências de qualquer agressão contra a Ucrânia”, disse, citada pela AFP.

Segundo Baerbock, o caminho para sair da crise está “claramente traçado” e passa por conversações entre as partes.

“Cabe agora à Rússia comprometer-se com uma desescalada e apoiá-la com medidas muito concretas, como a retirada das tropas”, acrescentou a chefe da diplomacia alemã.


EUA e União Europeia reafirmam união contra a Rússia
Ameaça de ataque à Ucrânia sobe de nível e segundo o jornal New York Times é agora imediato. Macron e Putin, um encontro diplomático marcado pela desconfiança. Norte-americanos tèm 48 horas para deixar o país.

Também o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, apelou a Moscovo para um “programa de desescalada” que permita uma “sensação de que a ameaça acabou". “Acreditamos que existe um caminho para a diplomacia”, disse Johnson em Londres, após uma reunião interministerial de crise sobre a Ucrânia.

Johnson disse que as informações dos serviços secretos sobre a presença russa nas fronteiras da Ucrânia “ainda não são encorajadoras”.

“A Rússia está aberta ao diálogo, mas, por outro lado, a [informação da] inteligência que vemos hoje ainda não é encorajadora”, disse, citado pela AFP.

Sinais da Rússia são "mistos", dis Boris Johnson 

Referiu-se, em concreto, a “hospitais de campanha russos em construção perto da fronteira ucraniana na Bielorrússia” e a “mais grupos táticos de combate a aproximarem-se da fronteira”.

“Os sinais são, neste momento, mistos, o que nos dá ainda mais razões para sermos muito firmes e muito unidos, especialmente no que diz respeito às sanções económicas” contra Moscovo em caso de ataque, disse.

  "A guerra é evitável"  

Numa conferência de imprensa depois de uma reunião que tiveram na capital espanhola, José Manuel Albares e Annalena Baerbock reconheceram, no entanto, que qualquer gesto que permita que a tensão se reduza seria uma "excelente notícia".

"A guerra é evitável", destacou Albares, tendo os dois responsáveis pela diplomacia dos respetivos países defendido que neste momento "a bola está no campo da Rússia".

Nesse sentido, o ministro espanhol assegurou que os "130.000 soldados" que a Rússia teria acumulado junto à Ucrânia "não respondem a nenhuma necessidade defensiva".

O Governo russo anunciou esta terça-feira a retirada de algumas dessas tropas, mas Albares indicou que "ainda é cedo" para avaliar este possível gesto: “Estamos a verificar se realmente é uma pequena desescalada”, o que seria uma “excelente notícia”, acrescentou.


Presidente ucraniano e Casa Branca dizem que o ataque será dia 16
Entretanto, todos os intervenientes acreditam que o diálogo com Putin ainda é possível. O chanceler alemão vai amanhã a Moscovo, enquanto a NATO continua a enviar tropas para os países vizinhos. A Casa Branca teme que Putin fabrique um incidente para justificar a invasão.

Annalena Baerbock também acredita que "qualquer passo para baixar a tensão seria um momento de esperança", embora tenha exortado que se passe das palavras aos atos e a verificar "se são informações verdadeiras ou rumores".

Da mesma forma, ambos os ministros indicaram que os países aliados estão preparados para os "diferentes cenários" que possam ocorrer, não necessariamente a invasão, e que haverá medidas contundentes se Moscovo persistir na sua provocação atual.

Segundo a ministra alemã, a Rússia "brinca com fogo" há algumas semanas e isso é "extremamente perigoso".

"Estamos preparados para qualquer cenário", enfatizou Albares, acrescentando que “em nenhum caso deve haver qualquer tipo de agressão”.

Roménia prepara plano para vaga de refugiados em caso de guerra

Entretanto, a Roménia já tem um plano de emergência para lidar com uma possível vaga de refugiados da vizinha Ucrânia em caso de invasão russa, avançou hoje a imprensa local, citando o ministro do Interior romeno, Lucian Bode.

“Preparámos um plano de ação para gerir um afluxo muito grande de refugiados em território romeno”, afirmou na segunda-feira à noite o ministro, em entrevista à televisão romena.

O Ministério do Interior identificou possíveis pontos de entrada dos refugiados e está a preparar uma infraestrutura para os acolher e abrigar, adiantou.

A Roménia faz fronteira com a Ucrânia a nordeste e partilha com aquele país zonas fluviais, terrestres e marítimas ao longo de quase 650 quilómetros.

Um dos possíveis cenários de guerra previstos pelos especialistas seria uma invasão russa do sudoeste da Ucrânia, o que possibilita a abertura de um corredor entre a península da Crimeia, que a Rússia anexou em 2014, e o território da Transnístria, controlado por rebeldes pró-Rússia dentro da República da Moldávia.

Uma situação de guerra no sudoeste da Ucrânia poderia provocar uma avalanche de refugiados ucranianos em direção à Roménia, que, nesta parte da fronteira, é separada da Ucrânia pelo último trecho do Danúbio.

A Roménia, que faz parte da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e abriga uma importante base aérea da Aliança Atlântica no Mar Negro, antecipa que, em caso de guerra na região, também terá de lidar com um afluxo de refugiados por terra.


Governo pede a luxemburgueses para saírem da Ucrânia
"Todas as viagens para toda a Ucrânia são fortemente desaconselhadas", afirma em comunicado o ministério dos Negócios Estrangeiros luxemburguês.

Luxemburgo e Portugal aconselharam os seus cidadãos a sair da Ucrânia

Os presidentes da câmara das províncias romenas de Iasi, Suceava e Botosani, perto da fronteira com a Ucrânia, confirmaram à imprensa local já terem começado a trabalhar para encontrar locais onde possam ser alojados possíveis refugiados.

 Algumas das sanções do Ocidente contra Moscovo, em caso de ataque à Ucrânia, visam o acesso das empresas russas ao mercado financeiro em Londres.

Os Estados Unidos alertaram, na sexta-feira, que a Rússia podia atacar “a qualquer momento” e aconselharam os seus cidadãos a sair da Ucrânia, no que foram seguidos por vários países, incluindo Luxemburgo e Portugal.

O Ocidente acusa a Rússia de tencionar invadir novamente o país vizinho, depois de ter anexado a península da Crimeia em 2014.


*com agência Lusa

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