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PT confirma Lula como candidato e Bolsonaro escolhe general como vice

PT confirma Lula como candidato e Bolsonaro escolhe general como vice

Foto: AFP
Mundo 3 min. 05.08.2018

PT confirma Lula como candidato e Bolsonaro escolhe general como vice

No último dia para os partidos políticos brasileiros apresentarem as suas candidaturas, ficou a saber-se que o PT mantém Lula, apesar de preso; e depois de várias negativas, o candidato da extrema-direita, o segundo mais votado nas sondagens depois de Lula, apontou o general Hamilton Mourão como seu companheiro de candidatura.

Centenas de mascarados com a cara de Lula agitam a sala. Mais de 30 discursos sucedem-se em crescendo. Mas o principal protagonista desta saga não está presente. Encontra-se preso a mais de 400 quilómetros de distância do local onde se desenrolou a convenção do Partidos dos Trabalhadores (PT), no passado sábado.

A sua prisão não impediu que os delegados do partido designem candidato o homem mais popular do Brasil - com 33% dos votos nas sondagens e que todos os estudos eleitorais garantem que ganharia facilmente as eleições - , embora dificilmente a justiça eleitoral lhe vai permitir ir às urnas. 

Condenado no processo da Lava Jato, baseado numa instrução muito duvidosa, Lula da Silva encontra-se sob a alçada da chamada “lei da chapa limpa” , que impede de concorrer a cargos públicos pessoas condenadas em segunda instância, mesmo que não tenham esgotado todos os recursos judiciais e que a sua condenação ainda não seja totalmente apurada na justiça brasileira.

Na convenção no sábado, o PT decidiu indicar Lula como seu candidato à presidência. Enquanto se sucedem negociações com Manuela D'Ávila, do PCdoB (Partido Comunista do Brasil), para ser vice-presidente na lista do partido e perssistem dúvidas sobre a legislação eleitoral. Por isso a convenção deixou em branco quem será indicado para companheiro de “chapa” de Lula. Apesar da preocupação de muitos petistas , nomeadamente os encarregues da defesa do ex-presidente, em apresentar o nome do vice até a segunda-feira 6, Lula quer esperar até 15 de agosto, data limite para o registo das candidaturas presidenciais.

A lei determina a apresentação dos nomes do candidatos, em qualquer meio de comunicação, 24 horas após o fim do prazo para as convenções partidárias, que terminou neste domingo. O PT confia que a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite a escolha de um vice apenas no momento do registro, que pode ser feito até 15 de agosto.

O objetivo do PT é registar o nome de Lula ao Palácio do Planalto e forçar uma disputa judicial para lutar pela sua candidatura. Se receber duas negativas, uma no TSE e outra no Supremo Tribunal Federal, o partido terá até 17 de setembro para trocar de candidato presidencial.

Se Lula não puder disputar, o PT debate nos bastidores um plano B de dentro do partido para assumir no lugar do ex-presidente. Um dos mais falados é o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, atual coordenador do programa de Lula.

Cinco partidos tiveram convenções marcadas para este domingo, numa verdadeira corrida contra o tempo para cumprir os prazos. Logo no dia 16 de agosto terá início a campanha eleitoral, mas na rádio e na televisão, a propaganda política só arranca no dia 31 de agosto.

Para já há 13 candidatos oficialmente apresentados: Lula, Bolsonaro, Gerardo Alckmin do PSDB, Ciro Gomes do PDT, Marina Silva, Guilherme Boulos, Henrique Meirelles, Manuela D´Ávila, Álvaro Dias, Cabo Daciolo, João Amoêdo, José Maria Eymael e Vera Lúcia.

Na ausência de Lula nas urnas, as sondagens apontam para a vitória do candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro. Deputado federal que cumpre o sétimo mandato consecutivo, já foi inscrito em nove partidos, é militar na reserva, professor de Educação Física, tem 63 anos, e apresenta-se como candidato do Partido Social Liberal. É réu numa ação penal no Supremo Tribunal Federal por alegado crime de apologia à violação e injúria por ter afirmado que não violaria a deputada Maria do Rosário, do Partido dos Trabalhadores, porque a mesma "não merecia". As sondagens dão-lhe , com a Lula a concorrer, cerca de 18% dos votos.

A convenção do PSL foi realizada no clube no Jaçanã (zona norte de SP), foi para um público formado por pessoas com t-shirts com o rosto de Bolsonaro, vestimenta militarizada e muitas bandeiras do Brasil.

O antigo capitão do Exército, que faz o elogio da ditadura militar e dos torturadores, foi recebido por uma bateria de escola de samba e um polícia militar vestido de Capitão América.

Aí foi anunciado que o vice-presidente de Bolsonaro será o general Hamilton Mourão, que foi corrido do exército e deixou a Secretaria de Economia e Finanças do Comando do Exército, passando à reserva, após ter feito declarações públicas com sugestão de uma intervenção militar que colocasse o exército a mandar no país.

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