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África do Sul. Negócios portugueses saqueados e pelo menos 32 mortos em onda de violência
Mundo 6 min. 13.07.2021
Protestos

África do Sul. Negócios portugueses saqueados e pelo menos 32 mortos em onda de violência

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África do Sul. Negócios portugueses saqueados e pelo menos 32 mortos em onda de violência

Foto: AFP
Mundo 6 min. 13.07.2021
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África do Sul. Negócios portugueses saqueados e pelo menos 32 mortos em onda de violência

Lusa
Lusa
Os primeiros incidentes, com estradas bloqueadas e camiões incendiados, ocorreram na sexta-feira, um dia após a prisão no país do ex-Presidente Jacob Zuma, condenado a pena de prisão por desacato à justiça.

Pelo menos seis grandes superfícies e uma loja de venda de álcool de empresários portugueses foram saqueados por completo em várias áreas de Joanesburgo, a capital económica da África do Sul, relatou esta segunda-feira o comerciante José dos Anjos à Lusa.

No litoral do país, as ações violentas afetaram pelo menos três supermercados de empresários portugueses, filhos de madeirenses, que foram saqueados e incendiados em Pietermaritzburg e Durban em resultado dos distúrbios pró-Zuma, disse hoje o cônsul honorário de Portugal em Durban, Elias de Sousa, à Lusa.

No país, estima-se em 450 mil portugueses e lusodescendentes, a maioria com ligações à Madeira.

O balanço de mortos na onda de violência e saques que atinge a África do Sul há vários dias subiu para 32, após mais 22 mortes confirmadas esta terça-feira pelo primeiro-ministro da província de KwaZulu-Natal, Sihle Zikalala.

Zikalala confirmou ainda que, até ao momento, 26 pessoas morreram nesta província do país. Outras seis mortes em Joanesburgo foram confirmadas na noite de segunda-feira pelo Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.

O governante regional mencionou em particular o facto de várias destas mortes terem ocorrido durante "tumultos neste contexto de motins", sem especificar os locais em que ocorreram.

A violência, os saques e os incêndios espalharam-se no fim de semana na área metropolitana de Joanesburgo, a capital económica do país.


Ex-presidente da África do Sul condenado a 15 meses de prisão
O Tribunal Constitucional da África do Sul condenou o ex-Presidente Jacob Zuma (2009-2018) a 15 meses de prisão por desrespeito ao tribunal, ao recusar repetidamente cumprir a citação que lhe exigia o testemunho em investigações de corrupção.

A situação teve continuidade até a madrugada de terça-feira, segundo vários jornalistas da agência de notícias AFP no local, especialmente em Soweto, um enorme município a oeste de Joanesburgo.

O Governo sul-africano destacou na quinta-feira militares das Forças Armadas (SANDF, na sigla em inglês) para as ruas de Gauteng e KwaZulu-Natal para ajudar a conter a situação de violência, pilhagens e intimidação que eclodiu no país desde quinta-feira após a detenção do ex-Presidente Jacob Zuma por desrespeito à Justiça e que parece não dar sinais de abrandamento.

As forças de segurança já fizeram detenções nas localidades em que ocorreram os tumultos.

Presidente condena violência 


O Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa condenou esta segunda-feira a violência no país garantindo que o Governo vai reforçar os meios de segurança e agir contra os responsáveis pelos distúrbios que afetam há vários dias as províncias de Gauteng  e KwaZulu-Natal.

“A esta hora, várias famílias no nosso país estão de luto. Falo das famílias Nkosikhona Chiza, Ndumiso Shezi, Khaya Mkhize, Zethembe Ndwandwe, Lindani Bhengu e Lindokuhle Gumede em Gauteng, Bhekani Ndlovu, Themba Mthembu, Aphiwe Gama e Cebo Dlamini em KwaZulu-Natal”, declarou o Presidente da República sul-africana.

“A perda de vidas humanas é o maior custo de todos”, sublinhou.

No seu discurso na noite de segunda-feira sobre a resposta do governo à violência pública que fustiga partes do país, após a prisão do seu antecessor Jacob Zuma, na noite de quarta-feira, o chefe de Estado sul-africano anunciou o reforço de meios e efetivos de segurança operacionais “em todas as áreas afetadas”, além do exército, para conter os distúrbios violentos.

“Tomaremos medidas para proteger todas as pessoas neste país contra a ameaça de violência, intimidação, roubo e pilhagem”, frisou Ramaphosa.

Ramaphosa condenou a violência afirmando que “poderá ter começado com um objetivo político, mas que descendeu para a criminalidade”.

O Presidente da República sul-africana disse que 166 suspeitos foram presos no KwaZulu-Natal e 323 suspeitos foram presos em Gauteng por envolvimento nos incidentes violentos dos últimos dias. “No entanto, a violência continua em muitas áreas”, sublinhou.

Ramaphosa disse que os serviços-chave da economia serão reestabelecidos, salientando que o Governo está a envidar também esforços juntamente com líderes comunitários para assegurar o retorno à “estabilidade”.

O chefe de Estado sul-africano disse que se irá reunir com líderes de partidos políticos, sem precisar datas.

“Os ministros da Economia e da Segurança reuniram-se com o Business Unity SA para fazer um balanço do que aconteceu e do que precisa ser feito”, referiu também o Presidente Ramaphosa. “A condenação dos envolvidos na violência será prioridade”, referiu. Acrescentando que “é vital que estejamos calmos e que se evite mais perdas de vidas e destruição”.

Quatro agentes da Polícia ficaram feridos tendo sido hospitalizados, referiu o presidente sul-africano.

Várias áreas da grande Joanesburgo, na província de Gauteng e no KwaZulu-Natal, litoral do país, foram descritas por residentes como “zonas de guerra”, com dezenas de viaturas incendiadas, estabelecimentos comerciais saqueados, destruídos ou incendiados nos últimos cinco dias de distúrbios e intimidação politicamente motivados pela prisão do antigo chefe de Estado e ex-líder do ANC, Jacob Zuma.

“Em breve iremos enfrentar um elevado risco de insegurança alimentar e insegurança médica dentro de algumas semanas”, frisou o presidente sul-africano.

Ramaphosa adiantou que o programa de vacinação contra a covid-19 foi “suspenso em partes do país”, sublinhando que “terá consequências” na recuperação económica da África do Sul.

África do Sul enfrenta há mais de dois anos uma grave crise económica, agravada pela pandemia da covid-19. No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego era de 32,6%, segundo dados oficiais.

Governo pede precaução aos portugueses 

O Governo português aconselhou esta terça-feira e a comunidade portuguesa na África do Sul a “seguir estritamente as recomendações das autoridades sul-africanas e a agir com a maior precaução possível”, garantindo estar acompanhar de forma “próxima” a situação no país.

“Aconselha-se a comunidade portuguesa a seguir estritamente as recomendações das autoridades sul-africanas e a agir com a maior precaução possível”, fez saber o gabinete da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, numa declaração enviada à Lusa.

As situações de emergência e de necessidade de assistência consular “devem ser comunicadas em permanência ao Gabinete de Emergência Consular ou aos postos consulares”, indicou ainda a mesma fonte.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros garante estar a acompanhar de “forma muito próxima a situação na África do Sul através da Embaixada de Portugal em Pretória e das estruturas consulares no país”, sublinha a nota do gabinete de Berta Nunes.

Os primeiros incidentes, com estradas bloqueadas e camiões incendiados, ocorreram na sexta-feira, um dia após a prisão no país do ex-Presidente Jacob Zuma, condenado a 15 meses de prisão por desobediência à justiça.

A violência, os saques e os incêndios espalharam-se no fim de semana na área metropolitana de Joanesburgo, a capital económica do país, e não pararam desde então em várias zonas do país.

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