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Projeção. Bolívia devolve partido de Evo Morales ao poder
Mundo 2 min. 19.10.2020

Projeção. Bolívia devolve partido de Evo Morales ao poder

Projeção. Bolívia devolve partido de Evo Morales ao poder

Foto: AFP
Mundo 2 min. 19.10.2020

Projeção. Bolívia devolve partido de Evo Morales ao poder

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
Quase um ano depois de golpe de Estado que retirou Evo Morales da presidência, bolivianos escolhem Luís Arce, do partido do ex-presidente, que em sondagem à boca das urnas vence com maioria absoluta.

Há quase um ano, as forças armadas bolivianas impuseram um Governo não-eleito depois de terem perseguido vários ministros de Evo Morales. O ex-presidente foi obrigado a fugir do país enquanto a violência se espalhou, sobretudo nas zonas mais pobres. Jeanine Añez assumiu o cargo depois de os deputados do Movimento ao Socialismo (MAS) terem sido ameaçados e não terem comparecido deixando assim o parlamento à mercê da direita e dos militares.

As eleições presidenciais adiadas várias vezes e rejeitadas por diferentes candidatos pelo medo a que os eleitores voltassem a escolher o MAS realizaram-se finalmente no domingo. Durante a madrugada de segunda-feira, o candidato do MAS defendeu que a Bolívia "voltou à democracia", depois de uma sondagem à boca das urnas indicar que ganhou as eleições para a presidência à primeira volta.

A Bolívia "voltou à democracia (...) Vamos trabalhar por todos os bolivianos, vamos constituir um Governo de unidade nacional", declarou numa conferência de imprensa Luis Arce, candidato indicado pelo ex-líder socialista Evo Morales. Arce manifestou a sua vontade de responder às expectativas dos eleitores.

Já a partir de Buenos Aires, o ex-Presidente da Bolívia Evo Morales garantiu que o seu partido, o MAS, ganhou as eleições e que Luis Arce será o novo Presidente. "Assinalam-me que houve uma vitória do Movimento Ao Socialismo, do irmão Lucho [Luis Arce] Presidente e o irmão David [David Choquehuanca] vice-Presidente. Além disso, o MAS terá maioria nas duas câmaras da Assembleia Legislativa. Irmãos da Bolívia e do mundo, Lucho será o nosso Presidente", assegurou Evo Morales.

"Hoje recuperamos a democracia. Recuperamos a pátria. Recuperaremos a estabilidade e o progresso. Recuperaremos a paz. Devolveremos a liberdade e a dignidade ao povo boliviano", afirmou. O ex-chefe de Estado também apelou aos diversos líderes a envolverem-se num grande acordo nacional para tirar o país da crise.

"Devemos deixar de lado as diferenças, os interesses setoriais e regionais para conseguirmos um grande acordo nacional com partidos políticos, empresários, trabalhadores e o Estado. Juntos construiremos um país sem rancores e que nunca recorra à vingança", disse Morales.

Por sua vez, a Presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, publicou na rede social Twitter que ainda não existe uma contagem oficial, mas que, com base nos dados disponíveis, Arce e Choquehuanca venceram as eleições. "Parabenizo os vencedores e peço-lhes que governem tendo a Bolívia e a democracia em mente", escreveu a Presidente interina.

A empresa de sondagens Ciesmori, que fez uma projeção para as redes de televisão Unitel e Bolivision, dá 52,4% dos votos ao candidato presidencial do MAS. No segundo lugar aparece Carlos Mesa da Comunidade Cidadã com 31,5%.

O órgão eleitoral, o Governo interino da Bolívia e as missões internacionais de observadores pediram calma enquanto se aguarda o resultado oficial, que pode levar vários dias. Para além de elegerem o Presidente e vice-presidente, os eleitores também votaram para escolher deputados e senadores.

Com Lusa

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