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Procuradores de Malta indiciam empresário de cumplicidade no assassinato de jornalista Caruana Galizia
Mundo 2 min. 01.12.2019 Do nosso arquivo online

Procuradores de Malta indiciam empresário de cumplicidade no assassinato de jornalista Caruana Galizia

Procuradores de Malta indiciam empresário de cumplicidade no assassinato de jornalista Caruana Galizia

Foto: AFP
Mundo 2 min. 01.12.2019 Do nosso arquivo online

Procuradores de Malta indiciam empresário de cumplicidade no assassinato de jornalista Caruana Galizia

Yorgen Fenech foi detido na semana passada no Mediterrâneo a bordo do seu iate, quando aparentemente tentava abandonar a pequena ilha, suspeito de ser o mandante do crime ocorrido em 2017.

Os procuradores de Malta indiciaram hoje um importante empresário local de cumplicidade no assassinato da jornalista anti-corrupção Daphne Caruana Galizia, morta em 2017 por uma bomba colocada no automóvel que conduzia.

O empresário, Yorgen Fenech, declarou-se inocente das alegações que o relacionam com este atentado, ocorrido em 16 de outubro de 2017. A família da jornalista de investigação tem alegado que Fenech mantém relações próximas com o círculo do primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat.

Pouco antes desta decisão, fontes próximas do Partido Trabalhista, a formação de Muscat, referiram em declarações à agência noticiosa AFP que o primeiro-ministro pode abandonar funções em janeiro sob determinadas condições.


Primeiro-ministro de Malta demite-se por alegadas ligações a morte de jornalista
O primeiro-ministro de Malta anunciou hoje ao Presidente a sua intenção de se demitir no âmbito da investigação sobre o assassínio da jornalista Daphne Caruana Galizia, conhecida por expor casos de corrupção da elite política e empresarial.

Yorgen Fenech foi detido na semana passada no Mediterrâneo a bordo do seu iate, quando aparentemente tentava abandonar a pequena ilha, suspeito de ser o mandante do crime ocorrido em 2017.

O empresário é dono do fundo secreto do Dubai “17 Black” e acionista da companhia da central elétrica Electrogas, que foi mencionada nos Papéis do Panamá como o veículo para depositar fundos em empresas secretas desse país e propriedade e que envolviam responsáveis governamentais que já apresentaram a demissão, incluindo dois ministros.

Um dia antes da detenção de Fenech, Muscat ofereceu o indulto pessoal a um suposto intermediário na morte da jornalista, que terá colaborado com as autoridades e identificado posteriormente como Melvin Theuma.

A jornalista Caruana Galizia também investigava a relação da classe política maltesa, incluindo o primeiro-ministro e sua mulher, com os Papéis do Panamá e outros casos de corrupção.

Ainda hoje, e ao citar fontes do seu partido, a agência noticiosa AFP referiu que Muscat, suspeito de interferência na investigação sobre o assassinato, pode abandonar funções em janeiro sob determinadas condições.

Daphne Caruana Galizia foi assassinada em 16 de outubro de 2017, aos 53 anos, por uma bomba colocada na sua viatura.

A família da jornalista de investigação (em particular os seus dois filhos), a oposição (Partido Nacionalista) e movimentos cívicos acusaram Muscat de ingerência no inquérito em curso, ao proteger em particular o seu colaborador próximo e ex-chefe de gabinete, Keith Schembri.

Responsáveis do Partido Trabalhista, a formação de Muscat, asseguraram que o contestado primeiro-ministro pode demitir-se em 18 de janeiro caso os trabalhistas malteses elejam nessa data um novo líder.

De acordo com este cenário, Muscat deverá anunciar, em data ainda por determinar, “que haverá uma eleição para a direção do partido em 18 de janeiro”, com as mesmas fontes a indicarem que “não deve ser designado qualquer dirigente interino porque [Muscat] se demitirá formalmente quando for escolhido o novo chefe”.

No sistema parlamentar maltês, o chefe do partido que vencer as eleições legislativas, torna-se de imediato primeiro-ministro.

As fontes não indicaram a forma como Muscat pretende emitir um anúncio oficial sobre as suas intenções – provavelmente através de uma comunicação ao país pela televisão – mas sugeriram que não permanecerá no seu posto para além de 18 de janeiro.

Nos últimos dias intensificou-se a pressão sobre o chefe do Governo trabalhista para que abandone de imediato as suas funções. Na sexta-feira, milhares de manifestantes desceram à rua para exigir a demissão de Muscat.

Lusa


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