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Procurador-geral sueco procura assassino de Olof Palme
Mundo 3 min. 12.09.2019

Procurador-geral sueco procura assassino de Olof Palme

Procurador-geral sueco procura assassino de Olof Palme

Mundo 3 min. 12.09.2019

Procurador-geral sueco procura assassino de Olof Palme

Jornalista alemão Patrick Baab revelou numa entrevista algumas das hipóteses apontadas pelo procurador-geral como móbil do crime contra o primeiro-ministro sueco.

Não há ainda resposta para a pergunta sobre quem matou Olof Palme há mais de 33 anos mas há quem diga estar perto da verdade. Depois do livro lançado em junho pelo escritor sueco Jan Stocklassa sobre a morte do primeiro-ministro sueco, os autores da publicação Na Teia dos Serviços Secretos consideram que se está no bom caminho. Robert Harkavy, professor e investigador na Universidade do Estado da Pensilvania e Patrik Baab, jornalista alemão e autor de vários livros, deram uma entrevista à página Nach Denk Seiten em que afirmam que pela primeira vez um procurador-geral sueco está decidido a investigar “a sério” o caso. Krister Petersson, já perto da idade da reforma, procura dar uma resposta definitiva ao assassinato de Olof Palme.

O primeiro-ministro sueco foi assassinado na noite de 28 de fevereiro de 1986 quando saía de um cinema em Estocolmo na companhia da mulher. Um homem disparou contra Palme nas costas e desapareceu sem deixar rasto. A hipótese oficial de haver apenas um assassino solitário tem sido descartada pelas evidências de que havia pessoas com walkie talkies nos arredores e pelo o facto de a decisão do casal ir ao cinema ter sido tomada em cima da hora. De acordo com Patrick Baab, o procurador-geral sueco acredita em algo mais realista como a ação de um profissional com formação militar e com ligação aos serviços secretos locais.

O assassinato do primeiro-ministro abalou a imagem de um país politicamente estável como a Suécia e deixou muitas perguntas sobre o móbil do crime. Entre as muitas hipóteses em cima da mesa, os investigadores recordam que o país escandinavo não fazia parte da NATO mas dispunha de um contingente da rede Stay Behind, uma estrutura secreta da aliança atlântica que promoveu ações terroristas em vários pontos da Europa. 

Suspeita-se que os 20 atentados realizados no Luxemburgo naquilo que ficou conhecido como o caso Bommeleeër Luxemburgo tenha sido organizado precisamente por esta rede. No início da investigação dos atentados, os serviços de informação luxemburgueses (SREL) teriam informado o governo luxemburguês da implicação das redes Stay Behind nos atentados. Estas redes tinham como função coordenar a resistência a uma eventual ocupação soviética. A coincidência desse tipo de atentados ter ocorrido em vários locais da Europa faria parte de uma estratégia de tensão para substituir governos e regimes democráticos, considerados demasiado brandos perante a alegada ameaça soviética, por governos militarizados de extrema-direita.

A investigação do procurador-geral Krister Petersson tentou enumerar as razões que poderiam ter levado esta estrutura a assassinar Olof Palme. Na época, os Estados Unidos, através do governo de Ronald Reagan, tentavam entregar uma quantidade considerável de armas ao Irão através de países terceiros, incluindo a Suécia. Olof Palme opôs-se firmemente a essa possibilidade. A entrega de armas ao Irão por parte dos Estados Unidos, alguns anos antes, foi também apontada várias vezes como um dos possíveis motivos pelos que sustentam a hipótese de atentado como razão para a queda do avião que transportava, em 1980, o então primeiro-ministro português Francisco Sá Carneiro e o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa. 

Outra das hipóteses levantadas recai sobre a visita agendada de Olof Palme a Moscovo para estar com Gorbachov três semanas depois do assassinato. O primeiro-ministro sueco queria negociar uma zona desnuclearizada na Europa Central e uma Escandinávia neutral. O último líder da União Soviética considerou sempre que não havia dúvida de que “foi um assassinato político porque ameaçava interesses muito poderosos defensores de manter o estado de coisas” de então.

O facto de Palme ser um acérrimo adversário do regime sul-africano do apartheid e de apoiar o Congresso Nacional Africano de Nelson Mandela é outros dos motivos apontados. É, aliás, uma das pistas apresentadas no livro de Jan Stocklassa que traz à luz a investigação feita durante anos pelo jornalista e escritor Stieg Larsonn. Os documentos do regime sul-africano tornados públicos evidenciam que a Suécia era vista como um país inimigo. 

São precisamente estas três linhas, em separado ou em conjunto, que Patrick Baab considera estarem em cima da mesa do procurador-geral sueco.

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