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Presidente ucraniano apela às pessoas para ficarem em casa e compara invasão russa à dos nazis
Mundo 5 min. 24.02.2022
Ucrânia

Presidente ucraniano apela às pessoas para ficarem em casa e compara invasão russa à dos nazis

Volodymyr Zelensky.
Ucrânia

Presidente ucraniano apela às pessoas para ficarem em casa e compara invasão russa à dos nazis

Volodymyr Zelensky.
Foto: AFP
Mundo 5 min. 24.02.2022
Ucrânia

Presidente ucraniano apela às pessoas para ficarem em casa e compara invasão russa à dos nazis

Redação
Redação
Volodymyr Zelensky anunciou o corte de relações diplomáticas com a Rússia depois dos ataques desta madrugada e, apesar de apelar aos ucranianos para não entrarem em pânico avançou que vai distribuir armas "a quem quiser e tiver a capacidade de defender" a Ucrânia.

"A Rússia atacou traiçoeiramente o nosso Estado pela manhã, como fez a Alemanha nazi" nos anos da II Guerra Mundial, disse esta quinta-feira, a meio da manhã o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na sua página de Twitter.

No mesmo post nesta rede social, o chefe de Estado diz que "a partir de hoje, os nossos países encontram-se em diferentes lados da história mundial", acusando a Rússia de ter embarcado num caminho do mal" e avisando que a Ucrânia "está a defender-se e não abdicará da sua liberdade, independentemente do que Moscovo pense".

A mensagem no Twitter reitera o discurso que o presidente ucraniano fez à  nação também esta quinta-feira anunciando o corte das relações diplomáticas com a Rússia, na sequência dos ataques russos desta madrugada.


O conselheiro Mykhailo Podolyak referiu que o exército ucraniano está a responder e "já infligiu perdas significativas ao inimigo".
Forças russas lançaram ataque em três frentes e há vítimas civis, diz Ucrânia
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou, esta quinta de madrugada, o início de uma operação militar no leste da Ucrânia.

"Cortámos os laços diplomáticos com a Rússia", disse Zelensky, lembrando que a relação entre Kiev e Moscovo foi mantida mesmo depois de o Kremlin ter anexado a península da Crimeia, em 2014.

Apesar de a situação política e de segurança se ter degradado nos últimos oito anos, mais de três milhões de ucranianos vivem na Rússia, e a continuidade dos serviços consulares foi considerada uma prioridade estratégica. Esta quarta-feira, Moscovo começou a retirar os seus diplomatas das embaixadas e consulados na Ucrânia.

Zelensky pede às pessoas que fiquem em casa mas não se rende  

Depois de semanas de tensão crescente, a Rússia invadiu, na madrugada desta quinta-feira, a Ucrânia, fazendo ataques aéreos em todo o país, incluindo na capital, Kiev, e avançando com forças terrestres em três frentes: a partir do norte, leste e sul do país.

A invasão foi justificada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, com a necessidade de proteger civis de etnia russa nas repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, que reconheceu como independentes na segunda-feira.

Logo após o ataque o presidente ucraniano pediu aos cidadãos, numa mensagem de vídeo no Facebook, para ficarem em casa, mas para não entrarem em pânico. O chefe de Estado instituiu a lei marcial e encerrou o espaço aéreo, uma vez que a Rússia bombardeou infraestruturas militares e atacou a segurança nas fronteiras.

"Não entrem em pânico, estamos prontos para tudo, vamos ganhar"  

"Não entrem em pânico, estamos prontos para tudo, vamos ganhar", afirmou, de acordo com os media estatais ucranianos, citados pela BBC, o presidente ucraniano. Volodymyr Zelensky disse ainda que serão fornecidas armas a todos os que as quiserem.

"As forças armadas da Ucrânia estiveram envolvidas em duros combates, repelindo ataques no Donbass e noutras regiões a norte, leste e sul (...) Invadiram o nosso país. Estamos já a distribuir armas para defender o país, e distribuiremos mais a quem quiser e tiver a capacidade de defender a nossa soberania", disse.

O presidente da Ucrânia terá ainda ordenado às tropas de Kiev para infligirem o maior número de baixas às forças russas que invadiram o país, disse o comandante das Forças Armadas ucranianas, general Valery Zalouzhni.

"O comandante supremo das Forças Armadas [presidente Volodimir Zelenski] ordenou que sejam infligidas o maior número de baixas ao agressor", indicou o general Zalouzhni através de uma mensagem difundida através da rede digital Facebook.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, descreveu o ataque da Rússia como uma "invasão em grande escala" e disse que a Ucrânia "vai defender-se e vencer". "O mundo pode e deve parar Putin. A hora de agir é agora2, acrescentou.

Coligação anti-Putin

O presidente ucraniano, que já fez várias intervenções desde os bombardeamentos russos, disse que está a ser desenvolvida uma coligação anti-Putin, com outros estados para "obrigar a Rússia à paz". "Estamos a construir uma coligação anti-Putin", afirmou depois de falar com os os EUA, o Reino Unido e Alemanha. 

Zelensky pediu também aos líderes mundiais que ajudem a defesa da Ucrânia e protejam o espaço aéreo dos ataques russos, sublinhando que a Rússia 2desencadeou uma guerra com a Ucrânia e com o mundo democrático".


O número de mortos nas forças armadas ucranianas subiu para três, todos ao longo da fronteira sul com a Crimeia.
Autoridades ucranianas dizem ter matado 50 soldados russos
O número de mortos nas forças armadas ucranianas subiu para três, todos ao longo da fronteira sul com a Crimeia.

​​​​​​​Entretanto, Moscovo anunciou o encerramento da navegação no Mar de Azov, entre a Rússia e a Ucrânia, onde as forças russas lançaram uma operação militar.

As tropas russas lançaram, hoje de madrugada, um amplo ataque à Ucrânia, tendo o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, alertado outros países que qualquer tentativa de interferência terá "consequências nunca antes vistas".

Grandes explosões foram ouvidas antes do amanhecer em Kiev, Kharkiv e Odessa, enquanto os líderes mundiais denunciavam o início de uma invasão que pode causar muitas vítimas, derrubar o Governo democraticamente eleito da Ucrânia e ameaçar o equilíbrio pós-Guerra Fria no continente.

Os ucranianos começaram a fugir de algumas cidades, e os militares russos alegaram ter incapacitado todas as defesas aéreas e bases aéreas da Ucrânia em poucas horas.

Zelensky  apela à sociedade civil russa que evite guerra  

Volodymyr Zelensky dirigiu-se também à sociedade russa, apelando diretamente para que impeça uma guerra entre os dois países, num discurso emocionado, em que falou excecionalmente em russo.

"Os russos querem a guerra? Eu adoraria saber a resposta a esta pergunta. E essa resposta depende de vocês, cidadãos da Federação Russa", sublinhou o chefe de Estado ucraniano durante um discurso na madrugada de quinta-feira em Kiev, horas depois de as "repúblicas" de Donetsk e Lugansk, reconhecidas pela Rússia, terem pedido ajuda militar ao Kremlin.

Volodymyr Zelensky disse que os seus pedidos de contacto com o Presidente russo Vladimir Putin, não tiveram resposta, e que a probabilidade de haver uma guerra com a Ucrânia "depende" da Rússia.

"Se o governo russo não vem para a mesa [de negociações] connosco, talvez vá para a mesa com vocês", acrescentou.

O chefe de Estado ucraniano adiantou ainda que a Rússia pode iniciar uma "grande guerra na Europa" nos próximos dias, com o risco de "se tornar o início de uma grande guerra na Europa", alertou.

Volodymyr Zelensky rejeitou as acusações de Moscovo de que o seu país representa uma ameaça à Rússia e alertou que uma invasão russa custaria dezenas de milhares de vidas, garantindo que a Ucrânia se defenderá de uma agressão.

"Se formos atacados, se enfrentarmos uma tentativa de nos tirarem o nosso país, a nossa liberdade, as nossas vidas e a vida dos nossos filhos, vamo-nos defender. Quando nos atacarem, verão os nossos rostos, não as nossas costas", assegurou.

(Com agências)

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