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Presidenciais francesas: Expetativas apontam para grande afluência às urnas

Presidenciais francesas: Expetativas apontam para grande afluência às urnas

Foto: REUTERS
Mundo 7 min. 23.04.2017

Presidenciais francesas: Expetativas apontam para grande afluência às urnas

As mesas de voto abriram às 08h e encerram às 20h em Paris e nas grandes cidades, fechando uma hora mais cedo nas outras localidades. As eleições decorrem sob fortes medidas de segurança, tendo as autoridades mobilizado mais de 50 mil agentes para proteger os locais de voto.

As mesas de voto abriram às 08h e encerram às 20h em Paris e nas grandes cidades, fechando uma hora mais cedo nas outras localidades. As eleições decorrem sob fortes medidas de segurança, tendo as autoridades mobilizado mais de 50 mil agentes para proteger os locais de voto.

Cerca de 47 milhões de eleitores são chamados hoje às urnas para eleger o sucessor de François Hollande perante onze candidatos: Marine Le Pen, Emmanuel Macron, Jean-Luc Melénchon, François Fillon, Benoît Hamon, Nathalie Arthaud, Philippe Poutou, François Asselineau, Nicolas Dupont-Aignan, Jacques Cheminade e Jean Lassalle. Caso nenhum seja eleito hoje, com maioria absoluta, a segunda volta das eleições presidenciais está marcada para 07 de maio.

Emmanuel Macron

Foto: AFP

O candidato centrista à presidência de França, Emmanuel Macron, favorito nas sondagens, votou hoje na primeira volta das eleições acompanhado da mulher na localidade de Le Touquet, na costa atlântica do país, onde tem uma casa de férias.

Macron, que com 39 anos aspira a converter-se no Presidente mais jovem da história de França, chegou à assembleia de voto no meio de importantes medidas de segurança, uma precaução perante o nível elevado de alerta que o país vive.

O antigo ministro da Economia socialista e antigo banqueiro apresentava um ar relaxado e depois de votar cerca das 10:30 locais pousou para "selfies" com eleitores.

Apesar de Macron ser favorito, as eleições presidenciais de hoje em França são as mais incertas dos últimos anos, referem responsáveis das sondagens, citados pela Efe.

Marine Le Pen

Foto: AFP

Marine Le Pen, a candidata da extrema-direita à presidência de França, votou hoje na primeira volta das eleições na comuna Hénin-Beaumont, na região de Norte-Pas-de-Calais (a cerca de 200 quilómetros de Paris).

Acompanhada pelo autarca da cidade, Steeve Briois, também do partido Frente Nacional (FN) e do seu companheiro, o eurodeputado Louis Alliot, Le Pen depositou o voto na urna rodeada de grande atenção mediática.

A candidata tem surgido nas sondagens como a favorita para vencer o centrista Emmanuel Macron.

Porém, nas últimas semanas as intenções de votos nos dois candidatos baixaram, ao contrário do que sucedeu com o conservador François Fillon e o candidato da extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon, o que torna incerto o resultado da primeira volta.

No local de voto de Le Pen marcou presença o grupo ativista Femen, cujos elementos femininos protestam em tronco nu.

Seis das ativistas foram detidas depois de saírem de uma viatura usando máscaras da candidata à presidência francesa e do Presidente norte-americano, Donald Trump.

François Fillon

Foto: AFP

O candidato conservador à Presidência francesa, François Fillon, votou hoje no 7.º bairro de Paris, entre fortes medidas de segurança face a ameaça de um atentado terrorista.

Fillon assumiu-se como um dos alvos de supostos jihadistas, que foram detidos esta semana em Marselha, sob suspeita de planearem um atentado "iminente", pelo que agentes policiais procederam a várias inspeções esta manhã antes da abertura das urnas, no bairro onde se localiza a Torre Eiffel.

Sozinho e de semblante sério, o candidato depositou o seu boletim de voto pelas 11:45 locais (10:45 de Lisboa). Penelope, a mulher de Fillon, votou em Sablé-sur-Sarthe (região de Pays de la Loire), onde o candidato foi autarca.

Quase à mesma hora, Nicolas Sarkozy, ex-Presidente francês e derrotado nas primárias, votou no 16.ºbairro de Paris, acompanhado pela sua mulher Carla Bruni.

Jean-Luc Mélenchon

Foto: REUTERS

O candidato de esquerda à presidência francesa Jean-Luc Mélenchon, o último dos quatro grandes favoritos a votar, exerceu o direito de voto hoje no centro de Paris, rodeado pelos principais colaboradores na campanha e perante uma grande atenção mediática.

Com um amplo sorriso, Mélenchon, aparentemente muito relaxado, depositou o boletim de voto nas instalações municipais depois de se ter convertido na grande surpresa com uma campanha inovadora que o levou a roçar 20% das intenções de voto nas sondagens.

Como os outros favoritos que já votaram, a chegada de Mélenchon à mesa de voto esteve precedida de fortes medidas de segurança.

Mélenchon vai ficar hoje em casa, muito perto do local onde votou no décimo bairro, e deverá acompanhar o escrutínio num restaurante próximo, em pleno coração de Paris.

Ameaças não estragam expetativas de “mais participação” eleitoral

Desde a abertura das portas da escola La Sibelle, em Paris, os eleitores chegam em grande número, indiferentes à ameaça terrorista, e as expetativas são que haja "mais participação", segundo o presidente franco-português de uma mesa de voto.

Hermano Sanches Ruivo preside a mesa número 41 da escola La Sibelle, que tem duas mesas de voto onde estão inscritos 3.000 eleitores, e para o vereador-executivo da câmara de Paris esta é uma eleição "diferente das precedentes".

"Temos o sentimento que vamos ter mais participação porque está muito mais renhido. A própria mobilização é dessa forma mais consequente. Agora, é um dado adquirido, a abstenção é um partido em França, essa noção em que uma série de pessoas dizem ‘Eu não quero participar’ é de facto uma realidade", afirmou à Lusa.

O franco-português explicou que face a uma "outra fase do terrorismo e da vida da democracia", foram reforçadas as medidas de segurança, os membros das mesas de voto foram formados para uma maior vigilância e há um segurança à entrada desta escola do 14.º bairro de Paris.

Pela primeira vez, as eleições presidenciais acontecem num período de estado de emergência instaurado após os atentados terroristas de 13 de novembro de 2015 e o voto decorre três dias depois do ataque na avenida dos Campos Elísios, tendo sido mobilizados para todo o país mais de 50 mil polícias e guardas, apoiados por 7.000 militares.

"Bonjour! Vai votar na mesa 40 ou 41?", pergunta o presidente da mesa de voto à entrada da sala, face à afluência das pessoas, reencaminhando-as para as mesas da esquerda ou da direita, onde as equipas de voluntários verificam os seus cartões de eleitor e as convidam a recolherem as 11 folhas em que estão escritos os nomes dos diferentes candidatos.

Willian Litolff, com o cartão de eleitor número 977, entra numa das cabinas de voto e instantes depois sai com o envelope em direção à mesa da urna, onde é feita uma última verificação da sua identidade, assinando depois as folhas de presença e inserindo o voto na caixa transparente, seguido de um sonoro "A Voté" ("Votou").

"Foi uma escolha difícil, mas decidi há alguns dias. Desta vez havia quatro candidatos próximos e hesitava entre dois. Então, escolhi Mélenchon porque é uma esperança para França, ainda que talvez não passe à segunda volta", afirmou o jovem à Lusa, à saída da sala.

Michel Mourachoff, de 72 anos, já tinha feito a escolha "há muito tempo" e preferiu Emmanuel Macron porque "é o que se quer ocupar de todos os franceses e é preciso renovar as equipas", mesmo que admita não gostar de tudo o que consta do seu programa.

Philippe Debrun, de 78 anos, contou que "não foi nada uma escolha difícil" e votou François Fillon: "Ele tem um programa bem feito. Se não passar à segunda volta, vou votar por eliminação porque não quero que vença Marine Le Pen", indicou.

Mesmo se os diários franceses indicam que a primeira volta das presidencias se realiza sob a ameaça terrorista, Jeannette Kremen, de 61 anos, disse não ter medo de ir votar porque também pode "ser atropelada ao sair de casa", afirmando que até hesitou em exercer o seu direito de voto mas "por falta de solidez dos candidatos", tendo acabado por deslocar-se "porque o voto foi uma luta de séculos".

"Votei Mélenchon porque penso que é preciso passar a uma sexta república porque o Governo francês é uma democracia monárquica. É preciso que alguém dê um pontapé a isto durante cinco anos e que acabe com todos os podres que tem havido nos últimos 30, 40 anos na vida política francesa. Não concordo com a saída da Europa, mas não acredito que o faça porque tem de consultar o povo francês", indicou.

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