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Príncipe belga rejeita que Leopoldo II tenha feito sofrer população do Congo
Mundo 2 min. 12.06.2020

Príncipe belga rejeita que Leopoldo II tenha feito sofrer população do Congo

Príncipe belga rejeita que Leopoldo II tenha feito sofrer população do Congo

Foto: AFP
Mundo 2 min. 12.06.2020

Príncipe belga rejeita que Leopoldo II tenha feito sofrer população do Congo

Lusa
Lusa
"Ele nunca foi pessoalmente ao Congo, por isso não vejo como ele poderia fazer sofrer as pessoas de lá", afirma Laurent da Bélgica, irmão mais novo do rei Filipe.

O príncipe Laurent da Bélgica, irmão mais novo do atual rei Filipe dos Belgas, disse que não acredita que o rei Leopoldo II (1835-1909), considerado responsável por milhões de mortes no Congo, "tenha feito sofrer a população" daquele país.

Numa entrevista ao jornal local Sudpresse, citada hoje pela agência belga de notícias, o príncipe, conhecido por protagonizar diversas polémicas e por uma manter uma relação conturbada com o irmão, defendeu que Leopoldo II nunca esteve pessoalmente na atual República Democrática do Congo, pelo que não compreende as acusações dirigidas ao antigo rei da Bélgica.

"Devem saber que houve muitas pessoas que trabalharam para Leopoldo II e que realmente abusaram, mas isso não significa que Leopoldo II tenha abusado. Ele nunca foi pessoalmente ao Congo, por isso não vejo como ele poderia fazer sofrer as pessoas de lá", disse Laurent.

O príncipe disse também que "pede sempre desculpa" pelas ações dos europeus quando se reúne com chefes de Estado africanos.

As declarações do irmão mais novo do rei Filipe surgem no meio do debate na Bélgica sobre a "descolonização do espaço público", com a remoção de algumas estátuas de Leopoldo II de locais públicos, nomeadamente universidades, e atos de vandalismo contra estas esfinges.

Uma estátua do rei Balduíno, tio do atual monarca e do príncipe Laurent, falecido em 1993, apareceu também coberta de tinta vermelha no centro histórico de Bruxelas.


Antuérpia retira estátua do rei Leopoldo II e Londres reavalia retirada de símbolos esclavagistas
Protestos recentes contra o racismo relançaram a discussão sobre a remoção de símbolos coloniais de repressão e escravatura de outros povos das cidades.

No seguimento da morte do norte-americano George Floyd e das manifestações que se lhe seguiram, vários monumentos têm sido vandalizados e derrubados em cidades dos Estados Unidos, mas também na Europa, por serem associados ao racismo e a períodos da escravatura por alguns movimentos.

Em Lisboa, foi vandalizada, na quinta-feira, a estátua do Padre António Vieira no Largo Trindade Coelho.

O conjunto de esculturas, que inclui uma do padre António Vieira e outras de três crianças, foi pintado com tinta vermelha, tendo sido igualmente escrita a palavra "Descoloniza" na base do monumento.

Os danos em monumentos configuram crime público e o processo foi enviado ao Ministério Público.

No domingo passado, uma multidão derrubou e atirou para as águas do porto de Bristol a estátua do comerciante de escravos do século XVII Edward Colston, mas o monumento foi já recuperado pela autarquia para que possa ser colocada num museu.

Na segunda-feira, a estátua de outro esclavagista do século XVIII, Robert Milligan, foi removida de Londres na sequência de uma petição popular.

Outros monumentos, como uma estátua do imperialista Cecil Rhodes, na universidade de Oxford, e a estátua do fundador da polícia britânica Robert Peel na praça central de Manchester, são alvo de controvérsia.

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