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Príncipe André vai mesmo a julgamento acusado de crimes sexuais
Mundo 2 min. 12.01.2022
Justiça

Príncipe André vai mesmo a julgamento acusado de crimes sexuais

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Príncipe André vai mesmo a julgamento acusado de crimes sexuais

Foto: AFP
Mundo 2 min. 12.01.2022
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Príncipe André vai mesmo a julgamento acusado de crimes sexuais

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
O juiz do tribunal de Manhattan, Lewis Kaplan, rejeitou a moção apresentada pelo príncipe para rejeitar a ação civil apresentada no verão de 2021 por Virginia Giuffre, que acusa o membro da família real britânica de a ter abusado sexualmente.

O caso dos alegados abusos sexuais cometidos pelo príncipe André, no âmbito da rede de exploração sexual de menores gerida por Jeffrey Epstein, vai mesmo seguir para julgamento.

O juiz do tribunal de Manhattan, Lewis Kaplan, rejeitou a moção apresentada pelo príncipe para rejeitar a ação civil apresentada no verão de 2021 por Virginia Giuffre, que acusa André, de 61 anos, de a ter abusado sexualmente quando ela era adolescente.

A defesa do príncipe tinha pedido a rejeição desta queixa com base no facto de Virginia Giuffre ter assinado um acordo em 2009 com Epstein, que geria a rede à qual o nome do membro da família real britânica tem sido associado, para não o processar a ele e a "outros potenciais arguidos". 

No entanto, o argumento foi rejeitado pelo juiz esta terça-feira, numa decisão que foi hoje tornada pública.

Segundo refere a agência Bloomberg, para o juiz Lewis Kaplan, na fase em que se encontra a apreciação judicial do caso é demasiado cedo para se entrar em interpretações sobre o referido acordo. "As partes articularam pelo menos duas interpretações razoáveis da linguagem crítica (...) O acordo é, portanto, ambíguo", disse o magistrado num parecer de 43 páginas.


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Se todos os recursos do príncipe britânico forem indeferidos, um julgamento civil poderá realizar-se “entre setembro e dezembro de 2022”.

A decisão não é, adianta a agência, uma total surpresa, já que Kaplan tinha manifestado ceticismo em relação aos argumentos de Andrew numa audiência de 4 de janeiro, tendo-se recusado a adiar a troca de provas pré-julgamento, um sinal de que iria permitir que o processo avançasse. 

Virginia Giuffre afirma que o príncipe André foi um dos vários homens poderosos a quem Epstein a "emprestou" para ser abusada sexualmente enquanto adolescente. Na sua queixa, a mulher agora com 38 anos, descreveu um alegado encontro que terá ocorrido em Londres e durante o qual Epstein, a sua namorada Ghislaine Maxwell e o príncipe André a forçaram ter relações sexuais. 

As alegações são negadas pelo príncipe, que terá de provar que as acusações são falsas caso o processo judicial avance, o que poderá levar vários meses ou mesmo anos. 

O que dizia o acordo entre  Jeffrey Epstein e Virginia Giuffre

Em novembro de 2009, Virginia Giuffre assinou um acordo de 500.000 dólares com Jeffrey Epstein. O acordo foi feito depois de no início do mesmo ano a jovem ter processado o magnata, que acabou morto numa cela em 2019.


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O filho da rainha Isabel II foi acusado de agressão sexual por uma norte-americana, Virginia Giuffre, de 38 anos, quando esta era menor. A mulher acusa o príncipe de ser "um dos homens poderosos" que recorria à rede de tráfico sexual comandada por Jeffrey Epstein.

Esse acordo que impediria um novo processo judicial de Giuffre, abrangia Epstein, os seus advogados, empregados e "qualquer outra pessoa ou entidade que pudesse ter sido incluída como potencial arguido" num eventual processo.

Na audiência do início deste ano, Kaplan questionou como é que Epstein poderia ter pretendido que o acordo, que deveria permanecer secreto, viesse a poder ser utilizado por Andrew para se proteger, apesar de ambas as partes terem acordado que o acordo de 2009 "não deve de forma alguma ser interpretado como uma admissão por Jeffrey Epstein" de que violou quaisquer leis federais ou estaduais. 

Com Bloomberg

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