Escolha as suas informações

Portugueses na Suíça estão a regressar em massa a Portugal
Mundo 2 min. 05.08.2019 Do nosso arquivo online

Portugueses na Suíça estão a regressar em massa a Portugal

Portugueses na Suíça estão a regressar em massa a Portugal

Mundo 2 min. 05.08.2019 Do nosso arquivo online

Portugueses na Suíça estão a regressar em massa a Portugal

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Em 2018 voltaram à terra natal mais de 10 mil emigrantes, deixando filhos e netos, porque a reforma não dá para o custo de vida daquele país.

Maria é natural do norte de Portugal mas vive e trabalha em Lisboa. Tem cerca de 30 anos e é motorista da Uber. Uma profissão que gosta e onde se estreou"há mais de um ano", depois de "ter vindo da Suíça", onde esteve emigrada "quase três anos". “Voltei principalmente porque as rendas das casas são muito elevadas e o custo de vida também”, contava ao Contacto, numa curta viagem na capital, há cerca de um mês. Além de que, confessava no fundo “não gostava de lá estar”. “Gosto mais de viver aqui”, dizia sorrindo. Ganha menos do que na empresa onde trabalhava, nos arredores de Zurique, mas prefere o atual emprego e "viver em Portugal".

Maria juntou-se aos milhares de portugueses emigrados na Suíça que estão a regressar a Portugal, embora a grande maioria faça parte da primeira geração de emigrantes e tenha idades mais avançadas.

Em 2018, regressaram mais de 10 mil portugueses que viviam na Suíça, escreve a edição desta semana do Expresso. O dobro dos que regressaram à sua terra natal, em 2013. E pelo segundo ano consecutivo voltaram mais portugueses do que emigraram para aquele pequeno país europeu. O semanário português dá como exemplo prédios em Friburgo, exclusivamente habitados por famílias portuguesas que agora estão a ficar vazios devido ao regresso dos emigrantes para o seu país natal.

No ano passado, cerca de 40% dos portugueses que decidiram deixar a Suíça e voltar para Portugal tinham entre 40 e 64 anos, de acordo com os dados da Secretaria de Estado das Migrações daquele país helvético, enviados ao Expresso, e mais de metade possuía autorização de residência, ou seja, morava há mais de cinco anos naquele país. Na verdade, a maioria reside há décadas na Suíça quando se vê obrigado a voltar para a aldeia ou vila que deixaram há muitos anos atrás, num Portugal muito diferente. 

"É um caso excecional na emigração"

Muitas destes casais portugueses deixam filhos e netos na Suíça, precisamente um dos principais motivos que leva milhões de emigrantes pelo mundo, a não regressar ao país natal quando se reformam, como tinham planeado.

Só que, como contava Maria, a motorista da Uber em Lisboa, ao Contacto, “as rendas das casas são muito elevadas e o custo de vida também”. São precisamente essas razões, aliadas a uma reforma baixa para o nível de vida do país, “pouco mais de mil euros” que está a obrigar os portugueses que se reformam na Suíça a decidir voltar para Portugal, conta ao Expresso, Liliana Azevedo que está a estudar o percurso dos reformados portugueses naquele país europeu. 

A par com estas despesas elevadas, o país obriga ainda a “cada pessoa a pagar entre 500 a 600 euros por um seguro de saúde mensal”, diz esta investigadora, explicando que tudo junto, leva os emigrantes portugueses, entre os 60 e os 65 anos, a ter de recorrer às poupanças de uma vida de trabalho, para conseguir viver na Suíça quando se reformam. Por isso, estão a regressar.

“A Suíça já é um caso excecional na história da emigração portuguesa na Europa”, declara a este semanário Rui Pena Pires, coordenador do Observatório da Emigração, em Portugal.


Notícias relacionadas

Portugueses estão a emigrar menos
Segundo o relatório da emigração divulgado hoje pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, os portugueses estão a emigrar menos desde 2013. Em 2017, os lusos foram a segunda nacionalidade mais representada no Luxemburgo entre os novos emigrantes.
EDITORIAL: O mito da emigração qualificada
Por Paula Telo Alves - Na semana passada, o Relatório da Emigração encomendado pelo Governo deitou por terra mais um mito, o da nova emigração qualificada. As conclusões são demolidoras: apesar de o número de emigrantes qualificados ter aumentado na última década, “continuam a predominar os indivíduos com baixas e muito baixas qualificações”.
“O Luxemburgo sofreu um processo de lusificação”, diz investigadora
A investigadora luxemburguesa Aline Schiltz estuda a emigração portuguesa para o Luxemburgo desde 2003. A viver entre Lisboa e o Grão-Ducado, a geógrafa, de 35 anos, é autora de vários estudos sobre os portugueses, incluindo uma tese de doutoramento em que analisa a mobilidade entre os dois países. Diz que o Luxemburgo se “lusificou” e que a emigração portuguesa levou à criação de um “espaço transnacional” que podia servir de modelo para uma Europa sem fronteiras.