Escolha as suas informações

Portugueses aconselhados a saírem do sul da China temporariamente
Mundo 4 min. 30.01.2020

Portugueses aconselhados a saírem do sul da China temporariamente

Portugueses aconselhados a saírem do sul da China temporariamente

Foto: AFP
Mundo 4 min. 30.01.2020

Portugueses aconselhados a saírem do sul da China temporariamente

Lusa
Lusa
Cônsul português na cidade chinesa de Cantão aconselhou os portugueses que vivem no sul da China a saírem do país. Hoje, partiu de Beja avião para repatriar cidadãos europeus retidos em Wuhan, o epicentro do vírus.

O cônsul português na cidade chinesa de Cantão aconselhou, esta quinta-feira, 30 de janeiro, os portugueses que vivem no sul da China a saírem temporariamente, após várias companhias aéreas terem cancelado ou reduzido voos a partir do país. 

 "Dada a propagação do vírus, e no sentido de evitar futuras dificuldades que poderão ocorrer em resultado dos cancelamentos de voos, julga-se oportuno que os cidadãos portugueses na área de jurisdição do Consulado ponderem abandonar a China temporariamente", afirmou André Sobral Cordeiro, numa mensagem partilhada via Wechat, o Whatsapp chinês. 

O diplomata português confirmou à Lusa o teor da mensagem, apontando o número crescente de companhias aéreas que estão a cancelar ou a reduzir o número de voos para e a partir da China. No total, dez companhias aéreas adotaram aquelas medidas, incluindo a britânica British Airlines, a alemã Lufthansa ou a norte-americana American Airlines. 

 O consulado em Cantão tem como área de jurisdição as províncias de Guangdong, Hainan, Hunan, Fujian e a Região Autónoma de Guangxi. No total, vivem nesta área cerca de 200 portugueses, segundo estimativas do consulado. 

No conjunto, aqueles territórios reportaram dois mortos e 856 infetados com o novo coronavírus, que surgiu no mês passado na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, centro da China, e que, entretanto, se alastrou por todo o país. 


TOPSHOT - A man wearing a face mask sits on a bench as he waits on a platform for a MTR underground metro train during a Lunar New Year of the Rat public holiday in Hong Kong on January 27, 2020, as a preventative measure following a coronavirus outbreak which began in the Chinese city of Wuhan. (Photo by Anthony WALLACE / AFP)
Coronavírus. Cerco aperta-se ao Luxemburgo mas ainda não há registo de casos
Até terça-feira não havia situações suspeitas ou confirmadas de pessoas infetadas com o vírus, mas o governo já acionou medidas de prevenção. Cargolux reforçou a proteção dos funcionários e baniu o transporte de animais vivos vindos da China.

Segundo os dados oficiais mais recentes, quase 60% dos mais de 7.700 casos confirmados até agora em toda a China ocorreram na província de Hubei, onde foram reportadas 162 das 170 mortes devido à doença. 

 Além do território continental da China, foram reportados casos de infeção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, Austrália, Canadá, Alemanha, França (primeiro país europeu a detetar casos), Finlândia e Emirados Árabes Unidos. 

Avião partiu hoje de Beja para repatriamento de europeus em Wuhan 

 Entretanto, um avião da companhia aérea HiFly partiu hoje de manhã do aeroporto português de Beja para fazer o repatriamento de cidadãos europeus desde Wuhan. 

O ministro português dos Negócios Estrangeiros afirmou que a operação de repatriamento de portugueses e outros europeus residentes na cidade chinesa de Wuhan, onde teve origem um coronavírus perigoso, é muito complexa e exige discrição absoluta. 

“Confirmamos que os portugueses residentes em Wuhan e que pediram repatriamento para Portugal estão inscritos na operação de repatriamento que está a ser organizada a nível europeu, com a participação de Portugal, mas essa operação, para ter sucesso, precisa de ser rodeada da discrição e da prudência necessárias”, afirmou à Lusa Augusto Santos Silva. 

O ministro explicou que a “operação é muito complexa, quer do ponto de vista logístico, quer do plano diplomático”, tendo exigido uma delicada montagem e coordenação dos países europeus. 

A operação “também exige coordenação com as autoridades chinesas, designadamente com as autoridades da saúde pública, cujas autorizações são indispensáveis para que a operação possa ser realizada”, adiantou. 

Um avião que vai fazer o repatriamento de cidadãos europeus desde Wuhan saiu hoje, cerca das 10:00, do aeroporto de Beja, tendo o comandante da companhia aérea Hi Fly garantido estar tudo “pronto para ir e trazer as pessoas, portugueses incluídos”.  

De acordo com o comandante Antonios Efthymiou, o voo partiu para Paris, França, e na sexta-feira viajará para Hanói, no Vietname, de onde, depois, seguirá para a China. Sobre estas informações, Santos Silva não quis avançar pormenores. 


Coronavírus. Não há luxemburgueses na cidade da doença
Governo diz não ter conhecimento de cidadãos do Grão-Ducado em Wuhan. Poderá já haver 43 mil pessoas infetadas, dizem cientistas. OMS aumenta nível de risco.

 “Não tenho nenhuma informação a dar sobre os pormenores técnicos da operação de repatriamento”, disse, acrescentando que “quando for oportuno divulgar publicamente pormenores - como o dia e hora de chegada ou as medidas a que serão sujeitos os portugueses uma vez repatriados - as autoridades portuguesas competentes fá-lo-ão”. 

O ministro dos Negócios Estrangeiros avançou, no entanto, que a operação visa o repatriamento “de cidadãos europeus residentes em Wuhan ou na zona envolvente”, ou seja, pessoas que estão, neste momento, em regime de quarentena. 

 “O que nós pedimos às autoridades chinesas é que seja aberta uma exceção nesse regime de quarentena para permitir que cidadãos europeus possam ser repatriados para os respetivos países”, explicou o ministro, sublinhando que “o objetivo principal é que a operação se realize com todas as condições de segurança e eficácia”.  Para isso acontecer, reiterou, “quanto mais contidos formos nas informações e efabulações sobre os seus aspetos logísticos e técnicos, melhor”. 

 Fonte europeia disse à agência Lusa, na quarta-feira, que 17 cidadãos portugueses que estão na China – quase todos em Wuhan, na província de Hubei -, já pediram para deixar o país. 


Notícias relacionadas