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Portuguesa viu marido morrer à sua frente no ataque terrorista no Sri Lanka
Mundo 12 3 min. 23.04.2019

Portuguesa viu marido morrer à sua frente no ataque terrorista no Sri Lanka

Portuguesa viu marido morrer à sua frente no ataque terrorista no Sri Lanka

Foto: AFP
Mundo 12 3 min. 23.04.2019

Portuguesa viu marido morrer à sua frente no ataque terrorista no Sri Lanka

Sílvia Ramos e Rui Lucas estavam a passar a lua-de-mel no Sri Lanka quando o ataque ocorreu. Os sucessivos ataques bombistas deste domingo - que provocaram pelo menos 310 mortos - estão entre os mais mortíferos desde o 11 de setembro.

Sílvia Ramos regressou a casa em Viseu, esta segunda-feira. Ainda está em estado de choque. Este domingo, viu o marido - a única vítima mortal portuguesa das explosões em Colombo, no Sri Lanka - morrer à sua frente. "Disse-me que foi tudo muito rápido", declarou um amigo do casal ao Correio da Manhã. "Contou-me que ele se levantou e pouco depois deu-se a explosão. Ficou muito fumo na sala. Depois conseguiu ver o Rui. Estava morto à sua frente".  

Sílvia Ramos e Rui Lucas, de 31 anos, já viviam juntos há vários anos. Na semana passada casaram-se e foram passar a lua-de-mel no Sri Lanka. No Domingo de Páscoa, estavam a tomar o pequeno-almoço no salão do Hotel Kingsbury, em Colombo, onde estavam hospedados, quando as explosões começaram.


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O amigo do casal contou ao jornal português que Rui Lucas se levantou da mesa para reabastecer o prato quando tudo aconteceu. O bombista suicida que se tinha infiltrado no hotel, e estava na fila de espera para o pequeno-almoço, entrou na sala e fez-se explodir. Rui Lucas estava mais próximo dele do que Sílvia Ramos que saiu ilesa do atentado. Mas com feridas emocionais que dificilmente irão sarar.

A viúva de Rui Lucas chegou a Portugal na segunda-feira e segundo o amigo do casal, está ainda em “estado de choque” e “fragilizada”. No aeroporto de Lisboa, onde aterrou, Sílvia Ramos tinha a família à sua espera, que a levou diretamente para Viseu. Sílvia Ramos foi dretamente a casa dos pais de Rui Lucas, em Repeses, onde esteve com os sogros durante umas horas. Nos próximos dias, Sílvia Ramos quer ficar “resguardada” em casa, segundo vinca o amigo do casal.

A família espera agora pela trasladação do corpo de Rui Lucas para fazer o funeral e prestar as últimas homenagens. Diligências que estão a ser acompanhadas pelo Governo português, mas ainda sem data prevista.

Para a família e amigos do casal, o que aconteceu “foi um choque brutal”. O Rui “era uma pessoa com um coração enorme, extremamente profissional e muito amigo”, declarou Augusto Teixeira, patrão da vítima, ao Diário de Notícias, salientando que foi “um choque brutal” saber que o seu funcionário foi uma das vítimas dos ataques terroristas naquele país. Rui Lucas era técnico de automação e energia na empresa T&T Multieléctrica, de Augusto Teixeira, há cerca de dez anos e jogou nos escalões de formação do Sport Viseu e Benfica. Rui e Sílvia adoravam viajar.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condenou os ataques no Sri Lanka e já falou com Sílvia Ramos. “O meu pensamento vai em especial para a família da vítima portuguesa e já tive a oportunidade de apresentar as condolências à viúva”, declarou. Também o secretário de estado das Comunidades, José Luís Carneiro, prestou as suas condolências a Sílvia e irá prestar “o apoio devido e indispensável nesta altura”.


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Na fatídica manhã de Domingo de Páscoa, os atentados terroristas mataram 310 pessoas (contabilizadas até esta terça-feira de manhã) e fizeram mais de 500 feridos. A polícia local atribuiu a autoria das explosões a um grupo islamista local, o National Thowheeth Jama'ath, com ligações internacionais, e já deteve mais de 40 pessoas.

No total, ocorreram oito explosões, fazendo desta série de atentados um dos mais mortíferos desde o 11 de setembro, onde 2.977 pessoas morreram. Na capital, Colombo, os ataques aconteceram em quatro hotéis de luxo, um dos quais onde faleceu o português Rui Lucas, e numa igreja católica. Outras duas explosões ocorreram em igrejas católicas, uma em Negombo, a norte da capital e onde há uma forte presença católica, e outra no leste do país. A oitava e última explosão teve lugar num complexo de vivendas na zona de Dermatagoda.

Ana Patrícia Cardoso