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Portugal 2050. Haverá zonas em risco de inundação total. Saiba quais.
Mundo 4 min. 02.11.2019 Do nosso arquivo online

Portugal 2050. Haverá zonas em risco de inundação total. Saiba quais.

Portugal 2050. Haverá zonas em risco de inundação total. Saiba quais.

Mundo 4 min. 02.11.2019 Do nosso arquivo online

Portugal 2050. Haverá zonas em risco de inundação total. Saiba quais.

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Um estudo realizado a nível mundial identificou as zonas costeiras em perigo devido à subida do nível das águas. Por causa do aquecimento global. Milhões de pessoas ficarão sem casa.

A primeira conclusão de um novo e importante estudo é a de que, praticamente, já não há nada a fazer. Em 2050, haverá no mundo inteiro, e em Portugal, zonas em perigo, onde a subida do nível dos mares irá causar inundações, podendo até fazer desaparecer localidades inteiras. Tudo isto devido ao aquecimento global, alerta um novo e importante estudo divulgado na terça-feira passada.

Mesmo que a partir de agora o mundo acordasse e os governos começassem a reduzir a sério e em grande escala, a quantidade de emissões poluentes, tal já não mudaria o cenário de inundações que irão ocorrer daqui a 30 anos. Iria sim, fazer toda a diferença no cenário de 2100.

Estas são as conclusões de um estudo publicado na revista científica 'Nature Communications', que pela primeira vez, avança com estimativas certas de quantos milhões de pessoas vivem nessas zonas de risco de inundação.

A investigação vem acompanhada por um mapa interativo, realizado em colaboração com a organização Climate Central onde se pode ver, pelo mundo, quais serão as zonas afetadas pela subida do nível das águas.

As zonas de risco em Portugal

No caso de Portugal, de norte a sul do país, são várias as zonas de elevado risco (que surgem sempre a vermelho) dado que somos um país costeiro. Assim, e de acordo com este estudo, em 2050. Veja aqui no mapa.

A maior é a zona do estuário do Tejo e das Lezírias. Além destas, e de norte para sul, Viana do Castelo, Espinho, Matosinhos, Vagos (Aveiro), Figueira da Foz, Caldas da Rainha, estuário do Sado, e Algarve, sobretudo Ria Formosa, irão ser afetadas pela subida das águas.   

Nem Madeira nem Açores surgem a vermelho, pelo que não estão em risco.

No artigo Benjamim Strauss, que é também CEO da Organização Climática dos EUA, deixa o alerta para a necessidade de governos e empresas aeroespaciais apresentarem dados mais concretos sobre a elevação geográfica. Contudo, os dados apresentados neste estudo, são os mais aproximados da realidade conseguidos até agora.

O degelo nos polos

E porque razão já não há nada a fazer para travar estas inundações que podem fazer desaparecer quilómetros e quilómetros de costa e localidades inteiras?

Benjamin Strauss e os outros autores explicam no artigo. O aumento do nível do mar é uma das consequências das alterações climáticas que já não pode ser alterado, combatido, travado. Vai acontecer. E a causa é o degelo nos polos, que provocou a subida do nível das águas.

250 milhões de pessoas em risco em 2050

No resto do mundo a situação afetará para 250 milhões de pessoas.

Benjamim Strauss sublinha que um dos pontos importantes deste estudo é que pela primeira vez, se conseguiu recolher estimativas fiáveis sobre as zonas em perigo e as suas populações.~

Afinal, vinca este cientista no artigo, quando se pensava que existiam apenas 65 milhões de pessoas a viver nas zonas críticas de inundação, existem na realidade 250 milhões de pessoas.

Ásia o continente mais afetado

Deste total, 237 milhões vivem na Ásia que é o continente com mais zonas de risco, sobretudo em seis países, China, Bangladesh, Índia, Vietname, Indonésia. De acordo com o estudo, a China é o país onde um maior número de pessoas pode perder as suas casas e terras: 96 milhões.

A adoção de medidas e restrições de emissão de poluentes é fundamental para que a subida dos oceanos diminua entre 2050 e 2100. Se nada for feito e continuar ao mesmo ritmo as águas irão aumentar duas vezes mais do que agora.

Para começar, os autores do estudo vincam que se tem de cumprir o Acordo de Paris. Para que a temperatura média do planeta não ultrapasse os dois graus em relação ao nível pré-industrial.

O cenário em 2100

Em 2100, se o Acordo de Paris for respeitado, a subida dos oceanos poderá ser travada e o nível do mar aumentar apenas 50 centímetros. Segundo o estudo tal afetará 380 milhões de pessoas no planeta. 

Se as águas continuarem a subir ao ritmo atual, devido ao degelo e à emissão de gases poluentes, e se nada ou pouco for feito,  as águas vão subir duas vezes mais e isso irá afetar 480 milhões de habitantes das zonas costeiras pelo mundo.