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Poluição do ar deve ser cortada para metade
Mundo 3 min. 28.09.2021
Organização Mundial de Saúde

Poluição do ar deve ser cortada para metade

Organização Mundial de Saúde

Poluição do ar deve ser cortada para metade

Foto: AFP
Mundo 3 min. 28.09.2021
Organização Mundial de Saúde

Poluição do ar deve ser cortada para metade

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
A agência de saúde diz que o “novo tabaco” mata 7 milhões de pessoas por ano. Na UE são 400 mil pessoas e a Comissão Europeia abriu uma consulta pública sobre a revisão das normas de níveis aceitáveis de partículas poluentes.

 A poluição do ar é uma emergência de saúde pública e após cinco anos de revisão de cerca de 500 estudos científicos a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece o nível de alarme e recomenda um corte abrupto nas partículas poluentes em suspensão no ar, em muitos casos para meta

As novas diretrizes mundiais sobre qualidade do ar baseiam-se em evidências, segundo o comunicado da OMS, de que as partículas poluentes são muito mais danosas para a saúde humana do que se imaginava, mesmo em concentrações baixas. Há 16 anos que esta agência não atualizava as suas recomendações de níveis de poluição seguro. 

Desde 2005, data da última revisão dos valores seguros de qualidade do ar, vários estudos conduzidos a nível mundial levaram à conclusão que a poluição afeta vários órgãos e tecidos do corpo humano, encontrando-se inclusive na placenta de mulheres grávidas, afetando o desenvolvimento dos fetos.

Após uma revisão desse corpo de evidências científicas, os novos parâmetros de qualidade do ar, se os países seguirem as novas regras, “poderão salvar milhões de vidas”.

Segundo a OMS a poluição do ar causa todos os anos a morte prematura a 7 milhões de pessoas e resulta na perda de vida saudável que se contabilizam em milhões. Enfartes e AVC’s são as causas mais comuns de morte atribuída à má qualidade do ar e, segundo a OMS, há cada vez mais estudos a relacionar a diabetes e as doenças neuro degenerativas com a inalação de partículas poluentes.  Nas crianças, a poluição afeta a função pulmonar, induz doenças respiratórias e agrava a asma. A OMS defende agora que o peso da poluição - sobretudo oriunda da queima de combustíveis fósseis para a saúde pública - é tão grande como os grandes riscos para a saúde global como tabagismo e a má alimentação.

Em 2019, mais de 90% da população mundial vivia em zonas onde as concentrações de partículas poluentes excediam as recomendações de 2005. E cerca de 80% das mortes relacionadas com a poluição do ar podia ser evitada se o mundo adotar as novas recomendações, entende a OMS.

Para esta agência da ONU, reduzir a poluição do ar que respiramos – por motivos de saúde – é também importante para travar as alterações climáticas. O objetivo de cortar a poluição para metade terá consequências, entende a OMS, para o equilíbrio do clima planetário.

Respirar ar puro: um direito humano fundamental

A poluição atmosférica é uma ameaça para a saúde em todos os países, mas atinge mais duramente os países de baixo e médio rendimento”, salientou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.  “Um ar limpo deveria ser um direito humano fundamental”, considerou o diretor regional para a Europa da OMS, Hans Henri P. Kluge.

As novas diretrizes da OMS, publicadas a 23 de setembro, destinam-se a incentivar decisores políticos a tomar medidas mais drásticas para cortar rapidamente com fontes poluidoras nos transportes, na indústria e nas habitações, resultantes sobretudo de combustíveis fósseis como o carvão, gás, gasolina e gasóleo.

O nível de reconhecimento da poluição como causador direta de óbitos tem vindo a crescer. Em dezembro de 2020, uma decisão de um médico legista inglês fez história, ao determinar que a poluição atmosférica foi a causa de morte de uma menina de nove anos que sofria de asma e vivia numa zona de Londres com altos níveis de poluição.

No dia a seguir à publicação das novas recomendações da OMS, a Comissão Europeia lançou uma consulta pública sobre a revisão das leis sobre qualidade do ar da União Europeia, considerado uma parte fundamental da ligação entre saúde pública e alterações climáticas. A consulta está aberta até 16 de dezembro. Segundo os cálculos da Comissão, há 400 mil mortes evitáveis de cidadãos da União Europeia devidas à poluição do ar.

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