Escolha as suas informações

Polónia publica edição anotada no "Mein Kampf", em "homenagem às vítimas"
Mundo 2 min. 21.01.2021

Polónia publica edição anotada no "Mein Kampf", em "homenagem às vítimas"

Polónia publica edição anotada no "Mein Kampf", em "homenagem às vítimas"

AFP
Mundo 2 min. 21.01.2021

Polónia publica edição anotada no "Mein Kampf", em "homenagem às vítimas"

Contra os críticos, o historiador que editou o livro de Hitler diz que a publicação é "uma homenagem às vítimas do sistema criminoso e um aviso às gerações futuras".

O "livro proibido" chegou às prateleiras da Polónia esta quarta-feira. Desde o final da Segunda Guerra Mundial que o "Mein Kampf" foi banido do país que esteve debaixo da ocupação nazi, morada do maior e mais mortífero campo de concentração da história. 

Milhões de judeus, comunistas, social democratas, testemunhas de jeová, homosexuais, prostitutas, ciganos, entre outras minorias étnicas, não escaparam à conhecida "solução final" de Auschwitz, no sul do país. Determinado em preservar a memória, o historiador que editou a maior versão anotada do livro que inspirou o Terceiro Reich afasta-se do título de provocador. 

"Aviso às gerações futuras"

"Segundo os críticos, a publicação deste livro é um insulto à memória das vítimas do Nacional-Socialismo. Na minha opinião, o contrário é verdade", diz o Professor Eugeniusz Krol, historiador e cientista político, especialista no período nazi, que preparou esta edição durante quase três anos. É "uma homenagem às vítimas do sistema criminoso e um aviso às gerações futuras", diz ele. Existem no mercado polaco versões piratas, abreviadas, na sua maioria traduzidas do inglês e desprovidas de aparelhos críticos, e "fazem um mau trabalho", disse  à AFP. 

Ciente dos perigos, Krol avisa que o livro "não deve ser explorado por forças extremistas". Citado também pela AFP o diretor do museu Auschwitz-Birkenau, Piotr Cywinski, escreveu no diário Rzeczypospolita que mesmo as campanhas promocionais ao lançamento possa "entrar em conflito" com a legislação que proíbe a promoção do fascismo, punida com até dois anos de prisão. 

Para pensar mais tarde 

No mesmo sentido, o rabino chefe da Polónia também se manifestou para dizer que "uma edição crítica bem feita pode de facto ajudar a compreender de uma forma muito mais completa e profunda os perigos do nazismo, das mentiras e do totalitarismo". Na opinião de Michael Schudrich, "é importante que os cientistas possam ler o que Hitler escreveu em +Mein Kampf+ porque as palavras importam. E o que Hitler disse antes de chegar ao poder é exactamente o que ele fez mais tarde".

Para já, a editora polaca Bellona vai colocar 3 mil exemplares no mercado, cada uma a 33 euros. "Não queremos que esta publicação esteja amplamente disponível e estamos a pensar em apoiar a Fundação ou Museu de Auschwitz com parte dos lucros, se é que existe", diz o líder da editora especializada em obras históricas. O livro é sobretudo "um aviso de que é fácil desmantelar a democracia e conduzir a um regime totalitário quase invisível", acrescenta Zbigniew Czerwinski. 

De resto, o poloca pretende doar parte das vendas ao museu de Auschwitz. 

Escrito por Hitler entre 1924 e 1925, durante a sua estadia na prisão, depois de um putsch falhado, este texto fundador do nazismo e o plano para exterminar os judeus foi publicado em 11,5 milhões de exemplares sob o seu regime sanguinário. Desde 2016 que entrou no domínio público em vários países europeus. 


Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.