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Polícia revista diariamente casas de banho na Coreia do Sul em busca de câmaras

Polícia revista diariamente casas de banho na Coreia do Sul em busca de câmaras

Foto: Polícia da Coreia do Sul
Mundo 1 2 min. 03.09.2018

Polícia revista diariamente casas de banho na Coreia do Sul em busca de câmaras

Gravar imagens de mulheres nos provadores de roupa, nas casas de banho públicas ou por baixo das saias é um problema grave na Coreia do Sul. As imagens acabam divulgadas em sites pornográficos.

"Eu consigo lembrar-me a primeira vez que ouvi falar das câmaras espiãs na Coreia do Sul", assim começa a reportagem da jornalista da BBC Laura Bicker, "disseram-me: 'vê se há alguma câmara escondida', e eu voltei-me e ri-me, mas não era uma brincadeira. Muitas mulheres confessaram-me que a primeira coisa que fazem numa casa de banho pública é procurar se há câmaras escondidas".

As filmagens com câmaras escondidas são um grande problema na Coreia do Sul, onde foram registados mais de 6.000 casos deste tipo no último ano. Estes vídeos são colocados em sites porno sem consentimento das vítimas, 80% das quais são mulheres. Testemunhas afirmaram, a jornalistas da BBC, que grande parte das jovens coreanas vivem com o pânico diário de serem fotografadas sem o seu conhecimento.

Para obstar a esta vaga de crimes, as autoridades comprometeram-se a controlar diariamente as casas de banho públicas. A agência de notícias sul-coreana Yonhap refere que as casas de banho públicas só são verificadas cerca de uma vez por mês. Agora, além das autoridades competentes, os funcionários responsáveis pela manutenção das casas de banho terão também de investigar as casas de banho em busca de câmaras.

Em Agosto passado, mais de 70 mil coreanos saíram às ruas de Seul para protestarem contra este tipo de publicidade, pedindo medidas que punissem os responsáveis. Manifestavam-se contra quem filmava mulheres às escondidas, não só em casas de banho públicas, mas também nas escolas, escritórios ou transportes públicos:  “A minha vida não é a tua pornografia”, lia-se em alguns dos cartazes exibidos no protesto.

Cerca de 5400 pessoas foram detidas no ano passado por serem suspeitas de crimes relacionados com câmaras ocultas, só 2% ficaram presas.

A polícia da Coreia do Sul divulgou um vídeo de alerta para sensibilizar a populaçã0 para a gravidade deste crime.

A Coreia do Sul é dos países mais avançados em termos de tecnologia digital no mundo: 90% da população tem um smartphone e 93% tem acesso à internet.

Há sites pornográficos, com milhões de visitantes, que partilham este tipo de vídeos, em que as mulheres são filmadas sem o seu consentimento.

Estão reportados casos em que este assédio cibernético leva as mulheres ao suicídio.

Segundo a divisão da polícia sul-coreana para os crimes sexuais digitais, estes crimes não se limitam à Coreia do Sul, tendo já havido casos em outros países, como na Suécia e os EUA, e é preciso "trabalhar em conjunto para tentar combater estes crimes online contra as mulheres".


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