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Polícia e oposição em confrontos no Zimbabué

Polícia e oposição em confrontos no Zimbabué

Foto: AFP
Mundo 01.08.2018

Polícia e oposição em confrontos no Zimbabué

Oposição fala em fraude eleitoral e já houve confrontos entre polícia e manifestantes nas ruas de Harare que causaram um morto. Resultados apurados até ao momento mantêm a possibilidade de uma maioria de dois terços para a Frente Patriótica (Zanu-PF). Desfecho das presidenciais ainda desconhecido.

Os resultados oficiais já divulgados pela Comissão Eleitoral no Zimbabué sobre as legislativas revelam que o ex-partido do ditador Robert Mugabe, a Frente Patriótica (Zanu-PF), segue na frente e dispõe da possibilidade de obter maioria de dois terços no Parlamento. Caso se concretize uma vitória desta dimensão, a Frente Patriótica poderá alterar a Constituição sem qualquer participação da oposição. Porém, a oposição queixa-se de fraude eleitoral e a polícia já disparou durante confrontos com manifestantes nas ruas da capital, Harare, causando pelo menos um morto.

O partido no poder conseguiu vitórias esmagadoras nas áreas rurais do país e soma, até ao momento, 109 dos 210 lugares na câmara baixa do Parlamento, enquanto o partido da oposição, Movimento para a Mudança Democrática (MDC), de Nelson Chamisa, não passa dos 41.

Mas Chamisa, citado pelo diário The Guardian, escreveu no Twitter que a Comissão Eleitoral está a divulgar resultados com o objetivo de ganhar tempo e inverter a tendência vitoriosa da vontade popular nas presidenciais. "A estratégia está definida para preparar o país quanto à aceitação de falsos resultados nas eleições para a presidência. Temos mais votos do que Mnangagwa! Ganhámos o voto popular e vamos defendê-lo!", escreveu. 

À medida que o tempo avança e vão sendo apresentados resultados crescem os receios de que haja uma onda de violência e as autoridades têm estado a preparar-se para essa eventualidade.

Quanto às presidenciais, cuja vitória é disputada entre o líder do Zanu-PF, Emmerson Mnangagwa, atual presidente que sucedeu ao ditador Robert Mugabe (esteve à frente do país durante 37 anos e foi deposto após o golpe militar que se registou há nove meses) e Nelson Chamisa, os resultados devem ser divulgados até ao próximo dia 4.


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