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Peru mudou de presidente três vezes numa semana de violentos tumultos
Mundo 2 min. 17.11.2020

Peru mudou de presidente três vezes numa semana de violentos tumultos

Peru mudou de presidente três vezes numa semana de violentos tumultos

Foto: AFP
Mundo 2 min. 17.11.2020

Peru mudou de presidente três vezes numa semana de violentos tumultos

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
Desde 2000, a política peruana está marcada por meia dúzia de ex-presidentes acusados de corrupção.

Durante décadas, as elites peruanas tentaram alterar a letra do hino do Peru sem sucesso. Tudo por causa de uma polémica estrofe que fala de opressão, escravatura e revolta. Ora sai ou regressa ao hino. E agora o tema é até objeto de uma petição nacional. Como se fosse um conto do Nobel da Literatura colombiano, Gabriel García Márquez. Mas, de facto, a realidade não fica a dever à imaginação da figura de proa do realismo mágico literário. 

Numa semana, entre violentos protestos, o Peru teve três presidentes. Com a América Latina num ciclo de protestos sociais que percorre toda a cordilheira andina desde a Colômbia ao Chile, o continente assistiu primeiro à destituição de Martin Vizcarra no parlamento por "incapacidade moral". O agora ex-presidente está acusado pelo Ministério Público por um alegado caso de corrupção na construção de um hospital, quando era governador regional de Moquegua, a apenas cinco meses das eleições presidenciais.

Com a destituição de Vizcarra, o presidente do parlamento, Manuel Merino, assumiu a liderança do governo com a perspetiva de terminar o mandato em julho de 2021 mas os protestos nas ruas subiram de tom com confrontos com a polícia e a morte de várias pessoas. Parecia inevitável a demissão do presidente interino e acabou por acontecer. Durou apenas cinco dias na presidência.

Com um vazio de poder, os deputados escolheram um novo sucessor temporário de Martin Vizcarra. Desta vez, cabe a Francisco Sagasti liderar o país mas não se sabe ainda se à terceira vai ser de vez. O Tribunal Constitucional ainda pode considerar ilegal a destituição inicial de Vizcarra num cenário político muito instável.

De facto, Martin Vizcarra não era sequer o presidente eleito. Era o número dois do eleito Pablo Kuczynski que se demitira em março de 2018. A escolha de Sagasti foi uma resposta à candidata de esquerda apresentada no parlamento e que não foi consensual. Rocio Silva Santisteban não conseguiu os 60 votos necessários.

Desde 2000 que o Peru assiste à prisão de vários ex-presidentes, entre acusações de corrupção e violação de direitos humanos. O ex-presidente Alberto Fujimori acabaria cumpre uma pena de 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra a humanidade, por ter ordenado o assassínio de 25 pessoas por um esquadrão da morte durante a guerra contra a guerrilha do Sendero Luminoso.

Já as suspeitas de favorecimento à multinacional brasileira Odebrecht puseram na mira outros quatro presidentes. Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (1985-1990 e 2006-2011), Ollanta Humala (2011-2016) e Pablo Kuczynski (2016-2018) foram acusados de corrupção. Toledo fugiu para os Estados Unidos, onde enfrenta um pedido de extradição. Humala e a esposa, Nadine, passaram nove meses em prisão preventiva e Alan Garcia suicidou-se, depois de a Odebrecht admitir na justiça americana que pagou 29 milhões de dólares em subornos durante três governos peruanos, incluindo o segundo mandato de García. 

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