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Pedro Sánchez acusado de interferir na justiça espanhola
Mundo 2 min. 07.11.2019

Pedro Sánchez acusado de interferir na justiça espanhola

Pedro Sánchez acusado de interferir na justiça espanhola

Foto: AFP
Mundo 2 min. 07.11.2019

Pedro Sánchez acusado de interferir na justiça espanhola

Chefe do governo espanhol em funções e candidato acusado de interferir na justiça depois de ter dito que usava o Ministério Público para forçar a entrega de líderes independentistas exilados.

À medida que se aproximam as eleições legislativas espanholas de domingo parece cada vez mais difícil para o atual chefe do governo em funções alcançar uma vitória que lhe permita aceder ao governo sem se ver obrigado a negociar com outras forças. Em Espanha, as sondagens estão proibidas na última semana de campanha mas um jornal de Andorra publicou um estudo de opinião que mostra um novo bloqueio político. 

O PSOE que tentou atribuir ao Unidas Podemos a responsabilidade do impasse político que impediu a formação de um governo estável depois das eleições de abril não convenceu os eleitores. A sondagem dá o PSOE na frente mas longe de uma maioria absoluta e o Unidas Podemos parece perder alguns deputados mas aguenta o embate. 

Se Pedro Sánchez tinha ensaiado uma incursão à direita para conquistar o eleitorado indeciso que sobra da hecatombe eleitoral que todas as sondagens prognosticam para o Ciudadanos, a estratégia também não parece ter dado resultado. Este partido conservador com poucos anos de vida cresceu exponencialmente depois das sucessivas notícias de escândalos de corrupção dentro do PP e da consequente demissão de Mariano Rajoy, ex-chefe do governo espanhol. 

Com Pablo Casado à frente, este partido parece recuperar parte do eleitorado mas é a extrema-direita, sobretudo, que pode capitalizar com a crise independentista na Catalunha que rebentou há três semanas. O Vox que defende a prisão de todos os governantes catalães e o fim da autonomia regional pode passar de 24 para 58 deputados.

Pedro Sánchez está, aliás, debaixo de fogo à esquerda e à direita por tentar agitar a bandeira contra o independentismo de forma muito dura. Vários procuradores do Ministério Público insurgiram-se contra o atual chefe do governo em funções ao prometer que traria o ex-presidente catalão, Carles Puigdemont, exilado na Bélgica, à barra dos tribunais. Em entrevista à Rádio Nacional de Espanha, o jornalista Íñigo Alfonso perguntou-lhe como faria isso. Pedro Sánchez respondeu que o Ministério Público pediu a ativação do mandado de captura europeu e que era a prova de que o governo está a agir. 

Contudo, estas afirmações sugeriram que o Ministério Público é controlado pelo governo e vários procuradores condenaram as declarações de Sánchez num dia em que o Reino Unido rejeitou mais um mandado de captura contra outra líder independentista no exílio. A ex-conselheira da Cultura do governo catalão, Clara Ponsatí, viu as autoridades britânicas dizerem que a ordem de captura é “desproporcionada à luz da legislação” do Reino Unido.

"Lamentável", "infeliz" e "estupefato" são alguns dos termos usados pelos membros do Ministério Público sobre as declarações de Pedro Sánchez, acusado pelos independentistas de interferir na justiça. "A Procuradoria-Geral não cumpre ordens do governo e lamenta a falta de conhecimento sobre as suas funções por aqueles que proferem tais declarações, que não se ajustam à realidade e geram uma confusão inaceitável na cidadania”, afirmou a Associação dos Procuradores do Ministério Público.

"Todas as ações realizadas pelos procuradores no caso especial do processo [independentista], tal como as restantes ações realizadas diariamente pelos procuradores, decorrem no âmbito da autonomia funcional do Ministério Público e estão sujeitas aos princípios constitucionais da legalidade e da imparcialidade".

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