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Papa Francisco: "Os migrantes são, antes de mais nada, seres humanos"
Mundo 2 min. 09.07.2019

Papa Francisco: "Os migrantes são, antes de mais nada, seres humanos"

Papa Francisco: "Os migrantes são, antes de mais nada, seres humanos"

Foto: AFP
Mundo 2 min. 09.07.2019

Papa Francisco: "Os migrantes são, antes de mais nada, seres humanos"

A intervenção do Papa Francisco ocorreu no sexto aniversário da viagem que fez à ilha italiana de Lampedusa, num momento em que várias pessoas foram condenadas por resgatar migrantes do mar.

O Papa Francisco recordou esta segunda-feira, durante a homilia da missa que celebrou no Vaticano, que os migrantes são, antes de mais nada, seres humanos. A intervenção do chefe da Igreja Católica ocorreu no sexto aniversário da viagem que fez à ilha italiana de Lampedusa.


Itália recusa entrada de barcos de resgate de migrantes no porto de Lampedusa
O Ministério do Interior italiano informou que um barco da Guarda de Finanças, a polícia italiana responsável pela defesa nacional das fronteiras, notificou o comandante do barco Alan Kurdi, da organização Sea Eye, da “a proibição de acesso, trânsito e atraque em águas territoriais italianas”.

A missa coincide com o momento em que as organizações não governamentais que se dedicam a salvar migrantes no Mediterrâneo, que o Papa sempre tem apoiado, têm mantido duros braços de ferro com as autoridades italianas e em especial com o ministro do Interior, Matteo Salvini, que os impedem de desembarcar as pessoas resgatadas.

Perante as cerca de 250 pessoas que se sentaram nos bancos da Basílica de São Pedro, entre imigrantes, socorristas e pessoal envolvido no resgate, o papa disse que neste sexto aniversário pensa “naqueles que todos os dias clamam ao Senhor, pedindo para seres libertados dos males que os afligem”.


Capitã do navio humanitário processa Salvini
Referindo que o ministro italiano, conhecido por criar a regra dos “portos fechados” a refugiados, impulsiona os ódios, o advogado explicou que uma queixa por difamação “é uma maneira de enviar um sinal”, defendeu , afirmou um dos advogados de Carola Rackete.

Recordou que entre estes estão “os enganados e abandonados para morrer no deserto” e também “os torturados, maltratados e violados em campos de detenção” e os que “desafiam as ondas de um mar implacável” ou são “deixados em campos de um acolhimento que é demasiado longo para ser chamado de temporário”.

Este domingo, durante a oração do Angelus, Francisco recordou o bombardeamento de um centro de migrantes em Tripoli (Líbia) e exortou a não tolerar estes ataques e a estabelecer corredores humanitários para os mais vulneráveis. Na homilia desta segunda-feira exclamou: “São pessoas, não se trata apenas de questões sociais ou migratórias!”.

Para o Papa Francisco, os migrantes são hoje “o símbolo de todos os descartados da sociedade globalizada”.


Miguel, o português que pode passar 20 anos na cadeia por salvar imigrantes
Miguel Duarte tem hoje 26 anos, ajudou a salvar da morte certa, no mar, cerca de 14 mil migrantes. É acusado pela justiça italiana, juntamente com outros tripulantes de uma embarcação humanitária, de auxílio à imigração ilegal. Pode ser condenado a 20 anos de cadeia. Uma acusação que pretende impedir as organizações humanitárias de salvar milhares de migrantes de morrerem afogados. O Contacto falou com ele.

Numa celebração simples, acompanhada por um simples coro, perante as famílias de migrantes resgatados no Mediterrâneo, na maioria de origem africana, Francisco instou a “ajudar os mais débeis e vulneráveis” e a esticar o braço “às crianças, aos enfermos, aos excluídos, aos que de outra forma ficariam para trás e apenas veriam misérias sobre a terra, sem descobrir desde já um resplendor de céu”.

“Esta é uma grande responsabilidade, da qual ninguém pode estar isento, se queremos levar a cabo a missão de salvação e libertação para que o mesmo Senhor nos chamou a colaborar”, acrescentou Francisco.


Democratas responsabilizam Trump pela morte de migrantes
A fotografia de uma menina com menos de dois anos abraçada ao pescoço do pai, afogados num rio que faz fronteira com os Estados Unidos, está a chocar o México.

Ao referir-se aos migrantes, o Papa disse que muitos chegaram só há uns meses, mas já estão a ajudar os irmãos e irmãs que chegaram recentemente e agradeceu-lhes o “lindo sinal de humanidade, gratidão e solidariedade”.

Durante as passagens da missa evocou também os socorristas que salvam vidas no Mediterrâneo.

Lusa