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PAICV vai perder eleições autárquicas em Cabo Verde, defende analista
Mundo 5 min. 01.09.2016 Do nosso arquivo online
Autárquicas de domingo

PAICV vai perder eleições autárquicas em Cabo Verde, defende analista

O analista político cabo-verdiano João de Deus Carvalho considera que as legislativas, que deram a vitória ao MpD em Março, não terão influência nas autárquicas de domingo, considerando que “o povo cabo-verdiano está muito mais maduro e não confunde eleições municipais, legislativas e presidenciais”
Autárquicas de domingo

PAICV vai perder eleições autárquicas em Cabo Verde, defende analista

O analista político cabo-verdiano João de Deus Carvalho considera que as legislativas, que deram a vitória ao MpD em Março, não terão influência nas autárquicas de domingo, considerando que “o povo cabo-verdiano está muito mais maduro e não confunde eleições municipais, legislativas e presidenciais”
Foto: Pierre Matgé
Mundo 5 min. 01.09.2016 Do nosso arquivo online
Autárquicas de domingo

PAICV vai perder eleições autárquicas em Cabo Verde, defende analista

O analista político cabo-verdiano João de Deus Carvalho antecipa que o MpD vai ganhar as autárquicas e continuar maior força política autárquica cabo-verdiana, enquanto a liderança do PAICV terá que tirar as ilações da eventual derrota.

O analista político cabo-verdiano João de Deus Carvalho antecipa que o MpD vai ganhar as autárquicas e continuar maior força política autárquica cabo-verdiana, enquanto a liderança do PAICV terá que tirar as ilações da eventual derrota.

As eleições autárquicas em Cabo Verde acontecem no domingo, 4 de Setembro, e apenas o Movimento para a Democracia (MpD, no poder) concorre em todos os 22 municípios, enquanto o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, maior partido na oposição) vai disputar a liderança em 21 concelhos e apoia um independente na ilha do Maio.

“Tudo indica que o MpD vai continuar a ganhar as eleições autárquicas em Cabo Verde, o que ainda não se sabe é qual será a dimensão desta vitória. O MpD corre sérios riscos de reforçar a maioria nas autárquicas”, perspectiva João de Deus Carvalho, em entrevista à Lusa.

O MpD, no poder desde as Legislativas de Março, detém o poder em 14 das 22 câmaras, contra oito do PAICV, na oposição desde então. Repetindo a vitória em Setembro, o MpD continuará a ser a formação política que venceu todas as eleições autárquicas no país desde 1991.

Segundo o analista, depois das legislativas, aquele que é agora maior partido da oposição vai perder as autárquicas e a presidente do partido terá que tirar as consequências da derrota. “Quem conduz um partido a duas derrotas consecutivas deve entender que não tem condições para liderar o partido. É esse o drama do PAICV e é por isso que vai buscar a ideia do equilíbrio do poder, para ver se consegue dar a volta ao texto”, explica.

João de Deus considera que o partido, liderado agora por Janira Hopffer Almada, “geriu mal” o poder nos últimos cinco anos e “tem andado à deriva sem norte nem liderança”. “Começou com José Maria Neves e agora com Janira Hopffer Almada”, referiu, dando como exemplo o caso do concelho de São Filipe, onde desta vez o partido apostou em Eugénio Veiga, que tinha sido preterido em 2012, em detrimento de Luís Pires, que conduziu a autarquia nos últimos quatro anos com o apoio do PAICV.

“Repescar o Eugénio Veiga é complicado. Com que argumentos? Se ele fosse um elemento aglutinador, capaz de unir o partido à volta dele, eu entenderia, mas ele que fez oposição dura ao PAICV durante o mandato de Luís Pires, sem ter garantido a coesão do partido, acho que é a prova evidente que se geriu muito mal a questão do poder dentro do PAICV”, analisa.

O analista prognostica ainda as principais disputas, com destaque para a Praia, o maior município e capital de Cabo Verde, afirmando que, apesar de ser uma boa candidata, a ex-ministra Cristina Fontes Lima (PAICV) vai perder para Óscar Santos (MpD), que em Janeiro substituiu como presidente da câmara o agora primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva.

“A Cristina Fontes Lima até que é uma boa candidata, uma pessoa capaz, que prestou relevantes serviços ao país, mas só que ela aparece agora em contramão, a candidatar-se contra uma câmara que tem trabalho feito. A câmara da Praia é a que melhor trabalha a nível do país”, explicou.

NÃO HÁ LUGAR PARA OUTROS PARTIDOS

Relativamente aos outros partidos e independentes, o analista disse que também não conseguem ser alternativas a nível autárquico, explicando que isso tem a ver com a bipolarização no país.

“Infelizmente o sistema político cabo-verdiano foi concebido para dois partidos. O MpD e o PAICV conluiaram-se e criaram um sistema onde só dois sobrevivem”, critica, dizendo que enquanto não se mudar a lei e reformar o financiamento dos partidos, não haverá uma terceira via em Cabo Verde, porque os outros estão lutar com armas desiguais. “Isso é uma falha grave do nosso Parlamento, que ainda não se dignou a produzir uma lei que sirva os interesses da democracia e não apenas o interesse do MpD e do PAICV”, denuncia.

Ainda assim, considerou que a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, terceiro partido e com três assentos no parlamento), pode protagonizar uma surpresa em São Vicente, ilha onde tem a sua base e também dois vereadores na câmara. “O melhor que a UCID pode conseguir é um bom resultado em São Vicente, que tem conseguido historicamente, porque é ali que está o embrião e o coração do partido, mas fora da ilha já enfrenta dificuldades, porque não tem uma base financeira que sustenta a organização política”, conclui.

“ELEITOR CABO-VERDIANO ESTÁ MAIS MADURO”

Nos últimos tempos, o PAICV tem apelado para a importância de um equilíbrio entre poder local e poder central, mas João de Deus diz que essa é uma teoria que o ex-primeiro-ministro José Maria Neves trouxe à baila, mas considera que “não cola”, porque durante os 15 anos que esteve no poder “nunca teve preocupações com o equilíbrio do poder”.

“Pelo contrário, hoje ele está na oposição, porque teve a tentação de ter um Presidente, um Governo, um Parlamento e todos os municípios na mão, mas que deu frutos amargos, até para colocar o PAICV na oposição”, lembra.

Sobre o facto de as eleições acontecerem em altura de férias e em época das chuvas, o analista acredita que no domingo as pessoas vão votar, porque já entendem que o seu voto tem valor e que devem participar nas decisões que os dizem respeito. “O povo cabo-verdiano já tem esse entendimento cívico, de modo que não teremos abstenção por aí além. Teremos abstenção normal, à volta dos 30%”, prevê, lembrando que nas últimas autárquicas a abstenção foi de 31%.

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