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Países dão sinais de abertura para reconhecer e dialogar com novo governo talibã
Mundo 3 min. 18.08.2021
Afeganistão

Países dão sinais de abertura para reconhecer e dialogar com novo governo talibã

Afeganistão

Países dão sinais de abertura para reconhecer e dialogar com novo governo talibã

Foto: AFP
Mundo 3 min. 18.08.2021
Afeganistão

Países dão sinais de abertura para reconhecer e dialogar com novo governo talibã

Países como a Rússia, China, Turquia e Irão já mostraram sinais de abertura ao novo governo. EUA ponderam manter presença diplomática no país se houver respeito pelos direitos humanos, Europa também aguarda sinais.

São cada vez mais os países a mostrarem abertura e vontade de reconhecer o novo governo talibã do Afeganistão.

A aparente moderação dos talibãs, face ao governo da mesma fação que dominou o país entre 1996 e 2001, com o anúncio do respeito por alguns direitos das mulheres e a promessa do não exercício de represálias a opositores e colaboradores das forças estrangeiras ocupantes dos últimos anos, está a fazer com que um número crescente de países esteja disposto a dar o benefício da dúvida à força que tomou o poder no país no último fim de semana, sem enfrentar resistência. 


Um soldado americano aponta uma arma a um passageiro afegão no aeroporto de Cabul, a 16 de agosto de 2021. Os soldados tentavam conter as multidões que se aglomeravam no aeroporto da cidade tentando fugir do domínio dos talibãs, que tomaram o poder a 15 de agosto.
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Os primeiros sinais começam a surgir dos países que fazem fronteira com o Afeganistão e das potências mais próximas geograficamente.

A China já disse estar pronta para desenvolver "relações amigáveis" com os talibãs, enquanto a Rússia se mostrou-se igualmente recetiva, afirmando que as garantias dadas pelos extremistas islâmicos até agora são um "sinal positivo". A Turquia também acolheu "mensagens positivas" e o Irão fez gestos que indicam abertura face ao novo governo afegão, segundo refere a AFP. 

Nos países ocidentais, nomeadamente Europa e EUA, a resposta é mais dispersa, mas também aí começam a ser manifestados sinais de possibilidade de reconhecimento e estabelecimento de relações diplomáticas, caso os talibãs deem garantias de que respeitarão os direitos humanos, em particular os direitos das mulheres, que têm sido objeto de todo tipo de violências. 

Os EUA admitem reconhecer o novo governo talibã se este "preservar os direitos básicos do seu povo", especialmente das mulheres e, segundo a agência Lusa, pondera manter a representação diplomática em Cabul se as promessas a esse respeito forem cumpridas pelos extremistas.

"Se [a situação] for segura, e se for responsável para nós ficarmos mais tempo, podemos olhar para isso", sublinhou ontem o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, em conferência de imprensa em Washington.

Já o Canadá não tem "nenhuma intenção" de reconhecer um governo talibã. 

Na Europa, a Alemanha adianta que julgará os talibãs "pelos seus atos", enquanto Londres diz que para já não trabalhará "normalmente" com o movimento islâmico radical, mas quer ver se existe "qualquer possibilidade de moderar o tipo de regime que agora vamos ver no lugar" do governo. 

A posição do Governo do Luxemburgo não difere muito. Em entrevista à RTL ontem, Jean Asselborn afirmou que se o novo governo afegão respeitar os direitos humanos fundamentais, "quer se chamem talibã ou não - a cooperação será possível". "Se não for o caso, não vejo como poderemos ter uma relação normal com este regime", declarou, considerando que a União Europeia (UE) deve ter uma postura clara e intransigente sobre esse compromisso e sobre o respeito dos princípios da inclusão e da representatividade.


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O ministro dos Negócios Estrangeiros mantém a mesma posição que defendeu ainda antes da tomada de poder pelos talibãs: a prioridade deve ser garantir a segurança dos refugiados afegãos.

A UE "terá de falar" com os talibãs "tão rapidamente quanto necessário" porque eles "ganharam a guerra" no Afeganistão, lembra Josep Borrell, chefe da diplomacia europeia. No entanto, para o procurador do Tribunal Penal Internacional foram cometidos, no país, crimes e execuções como retaliação, que podem equivaler a violações do direito humanitário internacional. 

Numa declaração conjunta, a União Europeia e os EUA manifestaram-se, esta quarta-feira, "profundamente preocupados" com a situação das mulheres no Afeganistão, apelando aos talibãs para evitar "todas as formas de discriminação e abuso" e salvaguardar os seus direitos.

"Estamos profundamente preocupados com as mulheres e raparigas no Afeganistão, pelos seus direitos à educação, trabalho e liberdade de movimentos", refere a declaração citada pela AFP e coassinada por outros 18 países incluindo Austrália, Brasil, Canadá, Senegal, Noruega, Argentina e Nova Zelândia.

 O Conselho de Direitos Humanos da ONU anunciou entretanto uma sessão especial a 24 de agosto em Genebra, na Suíça, para discutir as suas "sérias preocupações em matéria de direitos humanos" no Afeganistão.  

 com agências 

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