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Ouro venezuelano retido no Banco de Inglaterra vai a tribunal
Mundo 2 min. 28.05.2020

Ouro venezuelano retido no Banco de Inglaterra vai a tribunal

Ouro venezuelano retido no Banco de Inglaterra vai a tribunal

Foto: AFP
Mundo 2 min. 28.05.2020

Ouro venezuelano retido no Banco de Inglaterra vai a tribunal

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
Entretanto, Venezuela e ONU acordam utilizar parte do ouro retido pelo Banco de Inglaterra para comprar alimentos e medicamentos.

Podia ser uma telenovela venezuelana mas é também britânica. Em 2019, o Banco de Inglaterra reteve 31 toneladas de ouro que pertencem à Venezuela a pedido de Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, e foi reconhecido por Londres e outros Estados. Contudo, Nicolás Maduro, eleito presidente da Venezuela, foi reconhecido por outros tantos países e acusa Guaidó de “roubar” parte das reservas de ouro do país.

O facto é que Juan Guaidó acaba de ser destituído da presidência da Assembleia Nacional venezuelana, cargo que o conduziu à autoproclamação da presidência interina, depois de parte da oposição ter decidido distanciar-se das suas posições mais radicais com acusações de corrupção pelo meio.

Esta quinta-feira, o presidente do Banco Central da Venezuela (BCV), Calixto Ortega, anunciou que foi alcançado um acordo com as Nações Unidas para destinar uma parte do ouro retido no Banco de Inglaterra, avaliado em mil milhões de dólares, à compra direta de medicamentos, alimentos e equipamento médico que permita combater a pandemia do coronavírus na Venezuela.

"Acordámos com o Programa das Nações Unidas (PNUD) que receberiam [as Nações Unidas] os fundos diretamente. Não é a minha palavra, não estou a dizer que vou comprar alimentos, medicamentos e equipamentos médicos. São as Nações Unidas que o dizem e que não se prestarão a nada de obscuro, nada que não seja neutro e independente", sublinhou Ortega à Reuters.

No entanto, a autoridade monetária venezuelana especificou que se deve esperar uma decisão rápida num tribunal de Londres, onde o governo venezuelano processou o Banco de Inglaterra "por roubar 31 toneladas de ouro" sob a sua proteção. A primeira audiência para analisar esta situação está agendada para esta quinta-feira.

Desde outubro de 2018, que a Venezuela tem vindo a tentar retirar os seus milhões de euros do Banco de Inglaterra. Nessa altura, o país sul-americano mantinha 14 toneladas de ouro na instituição britânica e agora as reservas ascendem a 31 toneladas, o que equivale a cerca de 1,2 mil milhões de dólares.

No entanto, o Reino Unido não reconhece o mandato de Nicolás Maduro, mas sim o deputado da oposição, Juan Guaidó, que em janeiro de 2019 se autoproclamou presidente. O próprio Guaidó solicitou em 2019 que a então primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, mantivesse essas reservas de ouro, porque, segundo ele, a repatriação para a Venezuela desses ativos seria uma "transação ilegítima". 

Entretanto, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, acusou esta semana Guaidó de ser um "criminoso de colarinho branco" por tentar apropriar-se destes recursos. "Decidiram fazer um complot para manter o ouro da Venezuela, património público da nação", denunciou.

Anunciou também que Maduro tinha pedido para levar o Banco de Inglaterra ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por cometer "crimes de extermínio" e "crimes contra a humanidade", tal como definidos no Estatuto de Roma.

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