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Os 500 milhões de novos pobres
Editorial Mundo 3 min. 13.05.2020

Os 500 milhões de novos pobres

Os 500 milhões de novos pobres

Foto: AFP
Editorial Mundo 3 min. 13.05.2020

Os 500 milhões de novos pobres

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Ainda está por perceber a verdadeira dimensão do efeito devastador da covid-19 na economia planetária. Mas as primeiras estimativas apontam para quebras superiores a 10% na riqueza dos países. Quase ninguém escapa. Com a subida exponencial do desemprego, na maioria das economias, dispara o número de novos pobres que pode chegar aos 500 milhões em todo o mundo.

Estima-se que o tsunami económico provocado pela covid-19 possa levar à pobreza cerca de 500 milhões de pessoas em todo o mundo. Um mar de miséria que representa mais de 800 vezes a população total de Luxemburgo. A estimativa foi avançada pela organização não-governamental britânica Oxfam.

Num relatório intitulado “O Preço da Dignidade”, a Oxfam prevê que entre 6% e 8% da população mundial pode cair na pobreza, devido à paragem das economias para controlar a propagação do vírus. Nestes novos pobres há profissionais de setores que nunca imaginaríamos que pudessem deixar de ter dinheiro para comer. Contamos algumas histórias destes novos pobres na edição desta semana do Contacto. Um universo em que os imigrantes portugueses ocupam uma percentagem significativa.

Os indicadores apontam para “um recuo de dez anos na luta contra a pobreza e um recuo de 30 anos em certas regiões, como a África subsariana, o Médio Oriente ou a África do Norte”, com mais de metade da população mundial ameaçada de cair em situação de pobreza após a pandemia, diz a Oxfam. Um relatório elaborado pela United Nations University World Institute for Development Economics Research,que foi dirigida por investigadores do King’s College e da Universidade Nacional da Austrália.

“As devastadoras consequências económicas da pandemia estão a ser sentidas em todo o mundo. Mas para as pessoas pobres dos países pobres que já lutam pela sobrevivência, quase não existem redes de segurança que as impeçam de cair na pobreza”, afirma Jose Maria Vera, Diretora Executiva da Oxfam International.

“Os trabalhadores mais pobres dos países ricos e pobres têm menos probabilidades de ter um emprego formal, de beneficiar de proteções laborais, como o subsídio de doença, ou de poder trabalhar a partir de casa. A nível mundial, apenas um em cada cinco desempregados tem acesso a subsídios de desemprego. Dois mil milhões de pessoas trabalham no setor informal sem acesso ao subsídio de doença – a maioria nos países pobres, onde 90% dos postos de trabalho são informais, contra apenas 18% nos países ricos”, acrescenta a responsável da Oxfam.

As previsões económicas divulgadas, recentemente, pelo FMI e Comissão Europeia acabam por confirmar um quadro negro de contração das economias em todo o mundo que já era esperado.

Na edição desta semana mostramos o impacto da quebra da receita das economias mundiais será de 5,9% a 10% só em 2020. Apenas a China e Índia vão conseguir ter crescimento positivo, prevê o FMI. Apesar da chuva de dinheiro em quase todas as economias para responder à crise, o desemprego deverá crescer para valores que não se viam desde a Grande Recessão. Só nos EUA, o desemprego pode chegar a 20% da população.

O economista principal do Banco Central Europeu alerta para o facto de ser provável que sejam necessários pelo menos três anos para que a economia da zona euro recuperar totalmente do “choque extraordinário e grave” da crise do coronavírus.

Este choque não deixa de for a as economias mais ricas como o Luxemburgo,

Já no próximo ano, o Grão – Ducado pode ter uma quebra do PIB que pode ir até 12%.

O STATEC, organismo de estatísticas do Luxemburgo traça dois cenários económicos, como consequência da pandemia da Covid-19. Nos dois casos “as feridas no tecido económico e social este ano serão profundas”. O STATEC  estima que haja uma redução da atividade económica que pode ir de 6% a 12%.  No pior dos casos o desemprego poderá chegar aos 9% no país.

São números muito graves que nos obrigam a pensar o que fazer para conseguirmos todos juntos ultrapassar esta crise, fazendo-o sem permitir o crescimento exponencial das desigualdades. 

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