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Oposição contesta eleição de Mnangagwa no Zimbabué

Oposição contesta eleição de Mnangagwa no Zimbabué

Foto: AFP
Mundo 03.08.2018

Oposição contesta eleição de Mnangagwa no Zimbabué

Nelson Chamisa terá recolhido 44,3% dos votos contra 50,8% do sucessor de Robert Mugabe, mas rejeita os resultados e denuncia aquilo que considera "fraude eleitoral". Polícia e Exército reprimiram protestos e causaram seis mortos.

Emmerson Mnangagwa, ex-colaborador próximo, implicado em diversas atrocidades no país e que sucedeu na liderança do Zimbabué ao ditador Robert Mugabe, depois de um golpe militar ter deposto o homem que esteve no poder durante 37 anos, foi eleito presidente com 2,46 milhões de votos, ou seja, 50,8% do total, segundo os dados divulgados pela Comissão Eleitoral. Mas a oposição contesta, considera fraudulento o processo eleitoral e a repressão à contestação por parte da polícia e do Exército nas ruas de Harare, que se iniciou pouco depois de serem divulgados os resultados das legislativas, causou seis mortos na quarta-feira.

De acordo com o diário The Guardian, Mnangagwa, responsável pelo Zanu-PF, o partido no poder, agradeceu a confiança dos eleitores através do Twitter, considerando-se honrado com o resultado e classificando a eleição como "um novo começo" para o país.

No entanto, Nelson Chamisa, candidato da oposição que terá recolhido 2,14 milhões de votos (44,3%), já contestou os resultados, considerando que são "falsos" e fruto de "manipulação eleitoral". Chamisa aconselhou, através do Twitter, a Comissão Eleitoral a divulgar "resultados válidos e verdadeiros", considerando que "o seu nível de opacidade, falta de verdade, decadência moral e falta de valores é chocante".

Priscilla Chigumba, presidente da Comissão Eleitoral do Zimbabué, aconselhou o país a "seguir em frente", recomendando que sejam rejeitadas as queixas da oposição. Segundo relata o Guardian, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla inglesa), rejeitou os resultados mesmo antes de estes serem divulgados. Morgan Komichi, líder do MDC, teve uma intervenção perante a Comissão Eleitoral que foi televisionada, dizendo que a eleição era "fraudulenta" e que o partido iria contestar o desfecho em tribunal. A contagem dos votos demorou mais de três dias, levando à acumulação de tensões e suspeitas.

Polícia e Exército continuam nas ruas de Harare e uma camioneta recheada de agentes da autoridade estacionou precisamente à porta da sede do MDC.

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