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OPINIÃO: Uma vitória à espera de confirmação
Editorial Mundo 2 min. 10.05.2017

OPINIÃO: Uma vitória à espera de confirmação

OPINIÃO: Uma vitória à espera de confirmação

Foto: AFP
Editorial Mundo 2 min. 10.05.2017

OPINIÃO: Uma vitória à espera de confirmação

No discurso de Macron, encontram-se muitas ideias que a Europa já conheceu com Tony Blair e com Gerhard Schröder.

Emmanuel Macron venceu as presidenciais francesas com confortável margem sobre Marine Le Pen, mas tal como a sua adversária, tem agora imensos problemas pela frente. A grande dúvida é saber como é que, num regime presidencial, ele vai encontrar uma maioria para governar.

Emmanuel Macron não pode cair na ilusão de que vale, num futuro parlamento, os mesmos 66,1% que obteve na segunda volta das eleições presidenciais de domingo. Ele sabe que o único valor que pode considerar como mais ou menos certo são os 23,5% que obteve na primeira volta. Os restantes 42,6% vieram das mais diversas origens e, portanto, não é seguro que esses eleitores nas legislativas de 11 de Junho se associem de novo a Macron.

Em teoria simples, podem retirar-se daqui os quase 20% de François Fillon e os 6% de Benoît Hamon. Estes votos podem regressar à origem, isto é, à UMP e ao Partido Socialista. Se isto acontecer, Macron ficará distante de uma maioria que lhe dê tranquilidade parlamentar.

Ultrapassadas estas questões, que Macron podemos esperar? Com base nas suas promessas eleitorais, ele representa a chamada terceira via, de pendor claramente neoliberal, disposto a penalizar o trabalho e a favorecer o capital. No discurso de Macron, encontram-se muitas ideias que a Europa já conheceu com Tony Blair e com Gerhard Schröder. E, destas duas experiências, ficaram os péssimos resultados para o Partido Trabalhista britânico e para o Partido Social-Democrata alemão, que ainda hoje sofrem violentas penalizações eleitorais.

Do lado de Marine Le Pen, o futuro próximo também se apresenta difícil, com um caminho cheio de cascas de banana que a podem fazer escorregar a qualquer momento.

Temos de admitir que o seu resultado eleitoral foi bom. Ou melhor, terá sido bom se ela conseguir refleti-lo nas eleições legislativas. Mas se descer para os 12% das últimas legislativas, isso representará uma grande derrota para ela e para a sua Frente Nacional.

E é bem natural que a FN não consiga repetir a votação da sua líder. Desde logo, porque se trata de um partido sem grandes quadros com notoriedade pública, e isso pode ser decisivo numas eleições que elegem deputados. Mais decisivo ainda nos círculos uninominais, onde o carisma dos candidatos é fundamental.

Um desaire nas eleições gerais pode inclusivamente pôr em causa a liderança de Marine Le Pen. E já se fala na sobrinha para a substituir. Se isso se concretizar, a Frente Nacional deixa de ser um partido, para se transformar em qualquer coisa parecida com uma empresa familiar perfeita.

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