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OPINIÃO: Que fazer com esta vitória?
Os desafios que se colocam ao português são impressionantes: alterações climáticas. Síria e Iraque. A Coreia do Norte como potência nuclear. Guerras em África. E claro, um fluxo de refugiados e de migrações sem qualquer precedente.

OPINIÃO: Que fazer com esta vitória?

Foto: AFP
Os desafios que se colocam ao português são impressionantes: alterações climáticas. Síria e Iraque. A Coreia do Norte como potência nuclear. Guerras em África. E claro, um fluxo de refugiados e de migrações sem qualquer precedente.
Editorial Mundo 2 min. 12.10.2016

OPINIÃO: Que fazer com esta vitória?

Por Hugo Guedes - Os desafios que se colocam ao português são impressionantes: alterações climáticas. Síria e Iraque. A Coreia do Norte como potência nuclear. Guerras em África. E claro, um fluxo de refugiados e de migrações sem qualquer precedente.

Por Hugo Guedes - A satisfação de ver António Guterres como “líder do mundo” é quase unânime entre os portugueses e tem sido profusamente referida. Menos discutido tem sido o significado dessa eleição para a Europa, primeiro, e para a própria ONU, depois.

É de uma inépcia inacreditável, mas no preciso momento em que um europeu volta a atingir o cobiçado cargo após longos 35 anos (e o último a fazê-lo, Kurt Waldheim, tinha sido um oficial do exército nazi), a Europa ainda consegue sair diminuída de todo o processo. Tudo porque à senhora Merkel não basta controlar, através do Partido Popular Europeu de centro-direita, todos os lugares de poder dentro da UE; a ONU era considerada demasiado apetecível para ser deixada nas mãos de alguém alinhado com outro partido, mesmo que se tratasse claramente do melhor candidato.

A Alemanha, tal como faz na UE, procurou furar as regras, ignorar os seus aliados, passar por cima das votações já feitas, e obrigar a Comissão Europeia (supostamente neutral), a lançar e apoiar tardiamente uma candidata impreparada, a búlgara Georgieva, apenas pela sua filiação partidária e contra outros candidatos europeus, incluindo um ex-primeiro-ministro de um Estado-membro.

O ramalhete, completado com os habituais artigos elogiosos colocados cuidadosamente na imprensa alinhada, foi uma estrondosa e humilhante derrota da comissária. Agora importa perceber que a imparcialidade da Comissão Juncker está de novo posta em causa e a sua credibilidade em Portugal, onde é claramente vista como um inimigo, está de rastos. De caminho, a Europa dá ao mundo mais uma triste imagem de desunião e indecisão.

Os desafios que se colocam ao português são impressionantes.

Que vai Guterres fazer com esta vitória? Porque desunião e indecisão definem também, hoje mais do nunca, a ação da ONU num mundo transformado num lugar perigoso. Os desafios que se colocam ao português são impressionantes: alterações climáticas. Síria e Iraque. A Coreia do Norte como potência nuclear. Guerras em África. E claro, um fluxo de refugiados e de migrações sem qualquer precedente. Tudo isto perante instituições enfraquecidas, lideradas por políticos cada vez menos consensuais.

As Nações Unidas têm sido, sobretudo na última década, uma arena de bloqueios inoperantes, incapaz sequer de manter a paz. O seu desmembramento é uma hipótese real.

Mas todas estas ameaças representam também, é claro, uma oportunidade dourada para que um português, armado da sua vocação internacionalista que todos temos, entre para a história tornando este mundo num local muito melhor.

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