OPINIÃO: Francisco

Foto: AFP

Sergio Ferreira Borges

Ninguém pode ficar indiferente à figura e personalidade do Papa Francisco que, no último fim de semana, esteve em Fátima. Irradia simpatia e tem sempre um discurso de abertura que atrai toda a gente, mesmo os não crentes.

Não vou entrar no jogo dos números, não me vou preocupar em saber quantos peregrinos estiveram em Fátima. É, a meu ver, uma polémica estéril com efeitos divisionistas. Prefiro reter-me nas palavras do Papa, que falou de paz, da exclusão dos mais desprotegidos, da miséria, da fome e da doença. E lembrou a todos os católicos a sua obrigação de tomarem atitudes concretas que ajudem à inclusão de todos aqueles que têm sido esquecidos pela sorte e pelos egoísmos das sociedades contemporâneas.

Francisco é um grito de alma cristã. O Papa sensibiliza, comove, desperta consciências em todos aqueles que o ouvem, sem preconceito. Defende uma Igreja aberta, mesmo para aqueles que se acham agnósticos ou mesmo ateus. Não sei se Francisco quer revolucionar a Igreja, como dizem muitos comentadores que seguem a vida do Vaticano, com mais proximidade do que eu. Mas tenho a certeza que Francisco não a quer deixar no mesmo estado em que a encontrou.

O Papa sabe que o mundo mudou muito, as sociedades sofreram profundas alterações e se a Igreja quer dar resposta às novas questões, tem também de mudar e abrir-se a todos os setores, mesmo para aqueles que durante décadas foram esquecidos ou mesmo proscritos.

Num momento histórico em que os sectarismos e os fundamentalismos são usados para servirem os mais perversos fins, o Papa quer uma Igreja que reveja alguns dos seus dogmas e que saiba aceitar aqueles que, por simples criticismo dialético, ou por outras opções, puseram em causa o conservadorismo catecista.

Na História recente da Igreja de Roma só houve um momento parecido, o Concílio Vaticano II que João XXIII ergueu contra todas as forças instaladas na cúria. Com o fim do pontificado de João XXIII, tudo foi voltando ao que sempre foi, mesmo contra a vontade de alguns, como Paulo VI. O que prova que a passagem dos homens pela História é sempre um momento muito breve que qualquer esponja pode pagar, ou qualquer habilidade pode manipular.

Veremos, por isso, até onde podem chegar as transformações que Francisco defende e que estimula com o seu exemplo de humildade.

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