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Opinião. "Conhece-me antes de me odiares"
Editorial Mundo 2 min. 20.11.2019

Opinião. "Conhece-me antes de me odiares"

Opinião. "Conhece-me antes de me odiares"

Foto: Shutterstock
Editorial Mundo 2 min. 20.11.2019

Opinião. "Conhece-me antes de me odiares"

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
“A magia da migração”, é o título de um especial da revista “The Economist” que revela que as migrações são um dos principais motores do crescimento económico mundial.

 O provérbio etíope “Conhece-me antes de me odiares” resume, numa frase, o principal antídoto para o racismo. É o desconhecimento e perplexidade face ao que é diferente, que causa a desconfiança e medo que levam a atitudes, muitas vezes inconscientes, de racismo e xenofobia. A presença de diferentes práticas culturais é vivida, por vezes, como uma ameaça à coesão e identidade nacional. Perceções que são alimentadas por discursos políticos de ódio à emigração que ganham cada vez mais adeptos no espaço europeu e por esse mundo fora.

Estranha-se que o Luxemburgo, uma sociedade com quase metade da população imigrante, surja no top três dos países com a mais elevada taxa de racismo percecionado pelas comunidades de origem africana. Esta é uma das principais conclusões do relatório da União Europeia que apresentamos nesta edição do Contacto. Uma reportagem acompanhada de testemunhos, na primeira pessoa, de atitudes racistas, quer no acesso ao trabalho, habitação, saúde e educação.

Nesta edição mostramos também o outro lado da moeda. Como a comunidade portuguesa também ajuda a preservar a tradição culinária, que os luxemburgueses estão a esquecer. Mostramos também como a comunidade indiana, que ganha cada vez peso na sociedade luxemburguesa, revive as suas tradições culturais.

“A magia da migração”, foi o tema de um dossiê especial da revista “The Economist”, recentemente publicado e que titulava no seu principal artigo “Para tornar o mundo mais rico, deixem as pessoas moverem-se”. “Se todos os que quisessem emigrar o pudessem fazer, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial duplicaria”, previa Michael Clemens, do Centro para o Desenvolvimento Global em declarações à Economist. As contas que apresenta são simples e revelam que seriam mais 81 triliões de euros de riqueza por ano, se fosse dada a possibilidade a quem o desejasse fazer de imigrar.

Para além disso a migração traz novas ideias, novos empreendedores e negócios às sociedades que acolhem estas populações.

O Luxemburgo parece ser um exemplo disso mesmo. Com mais de metade da população imigrante é um dos países mais ricos da Europa. Se a imigração pode ser considerada um dos fatores que contribuem para este crescimento económico, como explicar que ocupe o 2° lugar na lista dos países europeus em que são percecionadas mais atitudes racistas?


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