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Operação Lava Jato. Odebrecht trama quarto ex-presidente peruano
Mundo 4 min. 18.04.2019

Operação Lava Jato. Odebrecht trama quarto ex-presidente peruano

Operação Lava Jato. Odebrecht trama quarto ex-presidente peruano

Foto: AFP
Mundo 4 min. 18.04.2019

Operação Lava Jato. Odebrecht trama quarto ex-presidente peruano

Pedro Pablo Kuczynski é acusado do crime de lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção que envolve a empreiteira brasileira Odebrecht.

Um tribunal peruano rejeitou na segunda-feira o pedido de liberdade do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski e ordenou o cumprimento dos 10 dias de detenção preliminar, no âmbito de uma investigação pelo suposto crime de lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção que envolve a empreiteira brasileira Odebrecht. O caso está ligado ao mega-processo Operação Lava Jato, no Brasil. 

"Confirma-se a medida de detenção preliminar contra o cidadão Pedro Pablo Kuczynski", decidiu o magistrado Juan Guillermo Piscoya, presidente da primeira sala de apelações da Corte Superior de Justiça. "Existem indícios suficientes de suposta lavagem de dinheiro do cidadão Kuczynski e de obstrução às investigações", completou o juiz.

O tribunal revogou a medida de detenção preliminar para a ex-secretária Gloria Kisic e do ex-motorista José Luis Bernaola, ambos detidos junto a Kuczynski por 10 dias. A procuradoria especial responsável pela investigação Lava Jato, que investiga os esquemas de suborno envolvendo a empreiteira Odebrecht no Peru, anunciou que solicitará a prisão preventiva - que pode chegar a 36 meses - para Kuczynski na audiência de apelação da detenção, que acontecerá nesta terça-feira.

A audiência, transmitida pela televisão, ocorreu na presença de Kuczynski, representantes da procuradoria e advogados. "Destruíram a minha reputação, de um homem que trabalha há 60 anos", disse Kuczynski, de 80 anos, que descartou fugir do país. "Estou neste momento sem fundos porque as minhas contas estão bloqueadas há muitos meses", lamentou.

"É uma cilada (emboscada) e uma arbitrariedade", afirmou o advogado César Nakazaki, defensor do ex-presidente. A solicitação de prisão preventiva incluiu a ex-secretária Kisic e o ex-motorista Bernaola. A Procuradoria suspeita que os dois foram usados num esquema de lavagem de dinheiro pelo político, que esteve na presidência de 2016 a 2018.

Kuczynski foi detido na quarta-feira passada, depois de um tribunal especializado em crime organizado e corrupção de funcionários públicos aceitar um pedido de detenção de 10 dias por risco de fuga e obstrução da justiça. Kuczynski e as ligações à Odebrecht

Kuczynski, ex-banqueiro de sucesso em Wall Street, é investigado por receber subornos da Odebrecht por empresas de assessoria ligadas ao ex-presidente peruano: First Capital e Westfield Capital.

A Odebrecht revelou no final de 2017 que pagou cerca de cinco milhões de dólares por estes serviços à First Capital e à Westfield Capital quando o ex-presidente era ministro de economia de Toledo, alegações que Kuczynski nega. 

A acusação assegura que ex-presidente favoreceu a Odebrecht na licitação para a construção da estrada interoceânica Peru-Brasil e no projeto de irrigação hidroenergética Olmos, no norte de Peru.

Além disso, Jorge Barata, ex-diretor da Odebrecht no Peru, disse à justiça brasileira que a empresa deu 300 mil dólares para a campanha presidencial de Kuczynski em 2016, um valor que não figura nos registos da campanha. A revelação provocou um processo de impeachment pelo Congresso, que culminou com a renúncia de Kuczynski a 21 de março de 2018. O impeachment corresponde a um processo político-criminal instaurado por denúncia no Congresso para apurar a responsabilidade do presidente da República, governador, ministros do Supremo Tribunal ou de qualquer outro funcionário com altos cargos estatais, por delitos graves ou má conduta no exercício das suas funções. 

Quatro ex-presidentes na mira

Além de Kuczynski, outros três ex-presidentes do Peru estão a ser investigados no âmbito da mesma investigação: Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (1985-1990 e 2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016). García, Humala e Kuczynski estão proibidos de deixar o país, enquanto Toledo fugiu para os Estados Unidos, onde enfrenta um pedido de extradição. Humala e a esposa, Nadine, passaram, inclusive, nove meses em prisão preventiva. 

A Odebrecht admitiu na justiça americana que pagou 29 milhões de dólares em subornos durante três governos peruanos, incluindo o segundo mandato de García. Na sequência da detenção de Alain Garcia, este suicidou-se.

Em dezembro passado, a empreiteira brasileira fechou um acordo de cooperação pelo qual aceitou pagar uma multa ao Estado peruano e entregar provas que podem comprometer ainda mais os quatro ex-presidentes e outros políticos e funcionários peruanos. O ex-chefe do governo peruano Humala e a esposa, Nadine, passaram, inclusive, nove meses em prisão preventiva. 

Bruno Amaral de Carvalho/AFP

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