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OpenLux. As ligações do Brasil ao Luxemburgo
Mundo 4 min. 10.02.2021

OpenLux. As ligações do Brasil ao Luxemburgo

OpenLux. As ligações do Brasil ao Luxemburgo

Mundo 4 min. 10.02.2021

OpenLux. As ligações do Brasil ao Luxemburgo

Um dos principais aliados de Bolsonaro, família que foi acusada pela polícia italiana de ligações à máfia e homem mais rico do Brasil, segundo a Forbes, têm empresas no Luxemburgo.

O Luxemburgo continua nas bocas do mundo pelo impacto na imprensa da investigação realizada através da análise de milhares de documentos públicos por parte dos meios Süddeutsche Zeitung, Le Soir, OCCRP, IrpiMedia, McClatchy, Woxx, Piauí e Le Monde. O jornal francês tem publicado reportagens todos os dias e retratou o elevado peso de França nos proprietários beneficiários que utilizam o Luxemburgo para evitar o pagamento de impostos.

Mas também no Brasil, país que vive uma tensa situação política desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder, há quem destaque as ligações do país sul-americano ao Grão-Ducado. A revista Piauí, uma das responsáveis pela investigação OpenLux, referiu vários proprietários beneficiários e companhias que estão registados no Luxemburgo.

É o caso do organizador do partido de Jair Bolsonaro, Aliança pelo Brasil, que não declarou empresa que tem no Grão-Ducado nem informou o Tribunal Supremo Eleitoral dos ativos. Luis Felipe Belmonte, que também é primeiro-suplente no Senado, começou por negar ter qualquer relação com a empresa Copalli.

“Não declaro à Receita Federal nada com relação à Copalli, pelo simples fato de que não integro o quadro social, como quotista ou acionário daquela empresa, não tendo qualquer titularidade com relação à mesma. Declaro ainda, com toda segurança, nunca ter sido beneficiário de nenhum centavo da referida empresa, o que pode ser facilmente constatado junto às autoridades de Luxemburgo, não havendo nenhum registro ou existência de qualquer movimentação financeira da aludida empresa em meu favor”, declarou à Piauí.

A empresa foi constituída em 10 de outubro de 2013 e, segundo a revista brasileira, o nome de Belmonte não consta nos documentos de registro. A partir de março de 2019, sob pressão internacional, o Governo luxemburguês foi obrigado a divulgar os nomes dos beneficiários finais das empresas lá registadas e foi a partir dessa alteração que a Piauí e os restantes meios envolvidos na investigação identificaram 358 brasileiros ou residentes no Brasil com 448 empresas no Grão-Ducado. Luis Felipe Belmonte aparece como beneficiário final único da Copalli.

Com um passado polémico, a família Ortiz também aparece nos registos. Os Viveiros Ortiz controlam quatro empresas no Grão-Ducado, com capital somado de 251 milhões de euros. Na década de 1990, uma investigação da polícia italiana acusou os Ortiz de lavarem dinheiro do tráfico de cocaína para a Cosa Nostra, máfia siciliana. 

Segundo a Piauí, foram intercetadas dezenas de ligações telefónicas entre os mafiosos e Alejandro Ortiz Fernandez, espanhol radicado no Brasil, pai de Johnny e Alejandro Viveiros. Na altura, a polícia italiana denunciou que as transações financeiras ilegais eram feitas pela Astro Turismo, casa de câmbio em São Paulo em nome do pai e dos dois filhos. Um pedido de colaboração da Justiça da Itália motivou a abertura de inquérito pela Polícia Federal no Brasil, que seria arquivado em 2003 sem indiciar ninguém.

Mas entre os empreendimentos de brasileiros o de maior valor em ativos é a BRC, holding financeira criada em 2004 cujo beneficiário final é o empresário Jorge Paulo Lemann, segundo na lista dos mais ricos do Brasil, de acordo com a lista da revista Forbes. Os ativos da BRC somam 36,4 mil milhões de euros. A segunda empresa em ativos, a Ambrew, com 22,1 milhões de euros, também tem Lemann como um dos beneficiários, além de Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Marcel Herrmann Telles. Lemann tem posição de destaque na lista: aparece como um dos beneficiários finais de dezessete empreendimentos no Luxemburgo. 

O homem mais rico do Brasil, segundo a Forbes, o banqueiro Joseph Safra, morto em dezembro de 2020 aparecia como beneficiário final em mais companhias: 71. Entre elas, a maior em valor de ativos é a J. Safra Holdings Luxembourg, com 3,96 bilhões de euros. Safra é o único brasileiro a estar no top 50 mundial de beneficiários finais com mais empresas em Luxemburgo. 

A revista destaca ainda outras figuras ligadas à política como o ex-governador de Mato Grosso, ex-senador e ex-ministro Blairo Maggi, um dos maiores produtores de soja do mundo. O empresário aparece como beneficiário final da Amaggi Luxembourg, com 29,2 milhões de euros em ativos. 

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