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ONU precisa de valor recorde de 50 mil milhões de euros para ajuda humanitária
Mundo 3 min. 01.12.2022
Nações Unidas

ONU precisa de valor recorde de 50 mil milhões de euros para ajuda humanitária

Maimun Ali com o filho de 2 anos no Centro de Estabilização Sahal Macalin Ciise em Baidoa, Somália. Este é um dos cinco países onde há maior risco de pessoas a morrer de fome.
Nações Unidas

ONU precisa de valor recorde de 50 mil milhões de euros para ajuda humanitária

Maimun Ali com o filho de 2 anos no Centro de Estabilização Sahal Macalin Ciise em Baidoa, Somália. Este é um dos cinco países onde há maior risco de pessoas a morrer de fome.
Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP
Mundo 3 min. 01.12.2022
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ONU precisa de valor recorde de 50 mil milhões de euros para ajuda humanitária

AFP
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"O próximo ano corresponderá ao maior programa humanitário alguma vez lançado a nível mundial", revelou o chefe da agência humanitária das Nações Unidas, Martin Griffiths.

A ONU lançou esta quinta-feira um apelo recorde para 2023, com o objetivo de responder às crescentes necessidades humanitárias, impulsionadas pelo conflito na Ucrânia e pelos efeitos das alterações climáticas que estão a aumentar o risco de fome em África. 

As agências humanitárias da ONU precisarão de 51,5 mil milhões de dólares (49,6 mil milhões de euros) no próximo ano, um aumento de 25%. Estes fundos permitirão às Nações Unidas financiar os seus programas para ajudar 230 milhões das pessoas vulneráveis em 68 países. "O próximo ano corresponderá ao maior programa humanitário alguma vez lançado a nível mundial", disse aos jornalistas o chefe da agência humanitária da ONU, Martin Griffiths. 

Mas a ONU não está a conseguir ajudar todos os que precisam. Estima-se que um total de 339 milhões de pessoas em todo o mundo necessitem de assistência de emergência no próximo ano, contra 274 milhões em 2022. "É um número enorme e deprimente", disse Griffiths. 

Quarenta e cinco milhões de pessoas em risco de morrer de fome

O apelo das Nações Unidas para angariação de fundos revela um quadro sombrio da situação global. Pelo menos 222 milhões de pessoas em 53 países sofram de insegurança alimentar extrema até ao final de 2022. Quarenta e cinco milhões de pessoas em 37 países estão em risco de morrer de fome.

"Cinco países já estão a viver aquilo a que chamamos condições de fome, onde podemos dizer (...) que há pessoas que estão a morrer por causa do deslocações, insegurança alimentar, falta de alimentos", explicou Griffiths. 

Estes países são o Afeganistão, Etiópia, Haiti, Somália e Sul do Sudão, disse à AFP Jens Laerke, porta-voz do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU. 

Por seu lado, Martin Griffiths salientou também que as necessidades humanitárias, que atingiram o auge após a pandemia de covid-19, infelizmente não diminuíram desde então. "As secas mortíferas e as inundações estão a cobrar o seu preço (...) desde o Paquistão até ao Corno de África. A guerra na Ucrânia transformou parte da Europa num campo de batalha. Mais de 100 milhões de pessoas estão deslocadas em todo o mundo. E tudo isto para além da devastação que a pandemia causou nas pessoas mais pobres do mundo", afirmou Griffiths, que estima que 2023 mantenha a tendência de 2022. 


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Doenças e pandemia agravam condições dos países pobres

A saúde pública está também sob pressão em todo o mundo, com a persistência da covid-19 e da mpox (o nome dado esta semana pela Organização Mundial de Saúde à monkeypox), o ressurgimento do Ébola no Uganda e os múltiplos surtos de cólera em todo o mundo, nomeadamente na Síria e no Haiti. 

Tudo isto acontece num contexto de alterações climáticas, que está a aumentar os riscos e vulnerabilidades, particularmente nos países pobres. No final do século, o calor extremo poderá matar tantas pessoas como o cancro, de acordo com a ONU. 

2023: o ano da solidariedade?

Em 2022, a ONU só conseguiu 47% do financiamento que pedira, uma percentagem aquém dos anos anteriores. "Antes dos últimos dois a três anos, teríamos tido um financiamento global de 60 a 65%", lembrou Griffiths.

A generosidade dos doadores não tem sido suficiente para compensar o rápido crescimento das necessidades, explicou o responsável, que disse esperar que "2023 seja o ano da solidariedade, após um ano de sofrimento em 2022". 


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Três milhões de crianças estejam desnutridas de forma aguda e mais da metade da população do país precisa de assistência humanitária.

De acordo com a ONU, a quebra de financiamento nunca foi tão grande, e está atualmente nos 53%, forçando as organizações humanitárias a fazer a infeliz escolha de selecionar as populações que irão beneficiar da ajuda.  

O país para o qual a ONU necessitará de mais fundos no próximo ano é o Afeganistão (4,63 mil milhões de dólares), seguido da Síria, Iémen, Ucrânia e Etiópia.

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