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ONU alerta para cessar-fogo "frágil" em Gaza e possíveis "consequências devastadoras"
Mundo 4 4 min. 09.08.2022
Tensão

ONU alerta para cessar-fogo "frágil" em Gaza e possíveis "consequências devastadoras"

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ONU alerta para cessar-fogo "frágil" em Gaza e possíveis "consequências devastadoras"

Foto: Mahmud Hams/AFP
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ONU alerta para cessar-fogo "frágil" em Gaza e possíveis "consequências devastadoras"

Lusa
Lusa
No fim de semana, com a escalada de violência, quase 50 palestinianos foram mortos (15 crianças) e há centenas de feridos.

O enviado da ONU para o Médio Oriente, Tor Wennesland, alertou que o cessar-fogo alcançado entre Israel e a Jihad Islâmica Palestiniana (JIP) "é frágil" e que a retoma das hostilidades pode ter "consequências devastadoras".

Tor Wennesland falava por videoconferência durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, para analisar a situação em Gaza após três dias de escalada de violência, que resultaram em quase 50 palestinianos mortos e centenas de feridos.

O diplomata referiu que o cessar-fogo negociado com a mediação do Egito ajudou a evitar a eclosão de uma "guerra de grande envergadura" e permitiu a prestação de assistência humanitária à população de Gaza.

No entanto, Wennesland insistiu que este "cessar-fogo é frágil" e garantiu que um regresso das hostilidades teria "consequências devastadoras para palestinianos e israelitas e tornaria qualquer progresso político difícil de alcançar”.

O enviado da ONU analisou ao Conselho de Segurança o que aconteceu nos últimos dias, em que Israel e a JIP trocaram ataques repetidamente, situação que, realçou, teve um impacto muito sério na população civil.

De acordo com os números fornecidos pelo enviado da ONU para o Médio Oriente, entre 05 e 07 de agosto, 46 palestinianos morreram, incluindo 20 civis, sendo que 15 eram crianças e quatro mulheres. As autoridades israelitas referiram que os seus ataques mataram 21 combatentes palestinianos, principalmente membros da JIP.

O diplomata condenou ainda, no seu discurso, "o disparo indiscriminado de 'rockets' desde bairros residenciais densamente povoados em Gaza para centros populacionais em Israel, o que colocou civis palestinianos e israelitas em risco e viola o direito internacional humanitário".

"Embora reconheça plenamente as legítimas preocupações de segurança de Israel, reitero que, sob a lei internacional, qualquer uso da força deve ser proporcional e deve tomar todas as medidas possíveis para evitar baixas civis. Crianças, em particular, nunca devem ser alvo de violência ou colocadas em perigo”, insistiu.

Wennesland acrescentou que a ONU ainda está a investigar o ocorrido, mas destacou que as milícias palestinianas lançaram um total de 1.100 projéteis, dos quais cerca de 20% teriam caído dentro da própria Faixa de Gaza, "causando danos e, pelo menos em três casos, potencialmente um grande número de vítimas civis”.

Israel atribuiu aos 'rockets' lançados pela JIP, entre outras coisas, a morte a cinco crianças na cidade de Jabalia, no norte de Gaza, enquanto a organização culpou as forças israelitas.

Uma avaliação militar israelita apontou que perto de um terço dos palestinianos que morreram nos últimos dias devido à escalada de violência podem ter sido atingidos por 'rockets' disparados pelo lado palestiniano.

A Associated Press (AP) referiu que os dados parecem ser consistentes com uma investigação independente realizada por esta agência de notícias. Nenhuma autoridade em Gaza prestou declarações sobre estes dados, segundo a AP.

Mas imagens de televisão transmitidas em direto mostraram 'rockets' a atingirem bairros residenciais densamente povoados depois de falharem o alvo.

Israel promoveu na sexta-feira uma "operação preventiva" contra a Jihad Islâmica, ao considerar existir um "risco iminente" de um ataque deste grupo contra a população civil israelita, em represália pela detenção dias antes do líder do movimento na Cisjordânia, Basam al Sadi.

Após dias e semanas de tensão, Israel bombardeou na sexta-feira um edifício residencial onde se encontrava Taysir al Ybari, comandante no norte de Gaza das Brigadas Al-Quds, braço armado da Jihad Islâmica, matando este dirigente e mais 15 pessoas.

No sábado, no decurso de constantes bombardeamentos aéreos sobre o enclave, o exército do Estado judaico matou o comandante do sul de Gaza, Khaled Mansour, e eliminou a liderança militar do grupo que Israel considera um aliado do Irão e atua na fronteira com o seu território. Por sua vez, a Jihad Islâmica respondeu com o disparo de 'rockets' contra Israel.

O primeiro-ministro israelita, Yair Lapid, afirmou esta segunda-feira que a Operação Amanhecer contra a Jihad Islâmica em Gaza "cumpriu todos os seus objetivos" e que a totalidade do alto comando militar do grupo "foi atacado com êxito em três dias".

Tratou-se do pior confronto entre o Estado hebreu e organizações armadas da Faixa de Gaza desde a guerra de maio de 2021, que fez em 11 dias 260 mortos, incluindo combatentes, do lado palestiniano, e 14 mortos em Israel, entre os quais um soldado, de acordo com as autoridades locais.

Israel impõe desde 2007 um embargo à Faixa de Gaza, território com 2,3 milhões de habitantes, governado pelos radicais islâmicos do Hamas.

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