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Uma aula de zumba que se transformou numa maratona informativa
Opinião Mundo 3 min. 11.09.2021
Onde estava no 11 de Setembro

Uma aula de zumba que se transformou numa maratona informativa

Onde estava no 11 de Setembro

Uma aula de zumba que se transformou numa maratona informativa

Opinião Mundo 3 min. 11.09.2021
Onde estava no 11 de Setembro

Uma aula de zumba que se transformou numa maratona informativa

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Os minutos do embate nas Torres Gémeas acabaram por transformar-se numa maratona informativa na Rádio Comercial.

Era uma rotina quase sagrada. Duas vezes por semana, à hora do almoço, saía da redação da Comercial, descia a rua e ia fazer uma aula de zumba ao Clube VII, um ginásio encravado no meio do Parque Eduaro VII. Era chefe de redação e aqueles 45 minutos de dança, a meio do trabalho, que começava às 6h00, eram um momento de descompressão precioso para enfrentar o resto do dia que acabava muito tarde. Porque gerir uma equipa de 20 jornalistas, a maioria mais velhos que eu (tinha 28 anos na altura) e a informação em três antenas - porque o grupo de Rádios da Media Capital, tinha também a Rádio Nostalgia e o ressuscitado Rádio Clube Português - não era pera doce. E quando saia da Rádio ao final da tarde ainda ia para o Diário Económico onde assegurava uma página semanal dedicada à Educação.

Bem mas voltando ao que interessa. As instalações da Rádio Comercial, na rua Sampaio Pina, têm um longo corredor com muitas histórias para contar. Por ele passaram por exemplo, os capitães de abril na madrugada daquele célebre dia 25.

Já me estou a desviar do assunto outra vez. Bem, a meio desse longo corredor ficava a porta da redação. Ao fundo da sala tínhamos uma sucessão de televisões permanentemente ligadas nos principais canais de informação de todo o mundo. Lembro-me como se fosse hoje. Estava numa secretária no fundo da sala a preparar-me para sair para a minha aula de zumba. De repente fui a correr para junto dos ecrãs quando alguém gritou “Mas o que é que está a acontecer?” Incrédulos e, no início, sem saber muito bem o que se estava a passar, demorámos alguns segundo a reagir. Nos seis ecrãs sintonizados em diferentes canais a mesma imagem. Em diversas línguas os jornalistas  diziam que não sabiam o que estava a acontecer.


O céu que nos proteja
No Expresso os jornalistas fumavam em cadeia, de queixo caído, numa salinha onde a televisão repetia as aeronaves da American Airlines a atravessar as torres do World Trade Center, deixando um rasto de fumo e pânico no azul do céu.

Um segundo avião embate na segunda torre. Pareciam imagens de um filme com efeitos especiais de série B. Rapidamente percebemos que a realidade consegue ultrapassar em muito a ficção. Ainda não sabíamos que aquele seria o primeiro ataque terrorista transmitido em direto para todo o mundo.

Nos minutos seguintes, foi preciso mobilizar toda a redação para montar uma emissão especial de acompanhamento ao que se estava a passar para as três emissões. Na altura, José Mendes era o diretor de informação e Luís Montez o diretor da rádio.

A rádio tem essa magia do “em direto” que mais nenhum meio de comunicação social consegue bater. Os cerca de 20 jornalistas que compunham a redação multiplicaram-se em contactos. Com o correspondente da Rádio Comercial nos EUA, com os comentadores da estação, e a tentar conseguir o maior número de testemunhos possíveis da cidade onde tudo estava a acontecer. Assim começou uma maratona que acabou por prolongar-se por vários dias. Ia a casa dormir mas rapidamente voltava para o meu posto. Escusado será dizer que durante vários meses não voltei ao ginásio.

Lembrei-me então da maratona a que assisti na redação da TSF quando foi a invasão do Kuwait em 1990. Estava no curso de formação de jornalistas da Rádio da TSF, mas as aulas rapidamente se transferiram para os estúdios da rádio, seguindo os nossos professores que eram então os jornalistas da estação que passou a estar em emissão contínua de informação.


Os taliban voltaram ao local do crime num país que já tem TikTok
Na altura que os Estados Unidos invadiram este pequeno país e autêntico cemitério de impérios não havia redes sociais, nem os smartphones estavam na mão de toda a gente. A tecnologia mudou muito, o mundo nem por isso.

Mas voltando ao 11 de setembro. Depois é a história que todos conhecem.

Seguiu-se a “Guerra ao terror” decretada por George Bush que provocou mais de 350 mil mortos entre militares e civis. Cerca de 174 mil vítimas na intervenção militar no Afeganistão. Mais 174 mil na invasão do Iraque. Uma vingança que custou caro. Para quê? Vinte anos depois os taliban voltam a estar no poder no Afeganistão.

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