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Quando o fim da História foi atropelado por aviões
Opinião Mundo 09.09.2021
Onde estava no 11 de setembro

Quando o fim da História foi atropelado por aviões

Onde estava no 11 de setembro

Quando o fim da História foi atropelado por aviões

Foto: Randy Taylor/ZUMA Press Wire Ser
Opinião Mundo 09.09.2021
Onde estava no 11 de setembro

Quando o fim da História foi atropelado por aviões

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Os aviões que derrubaram os arranha-céus em Nova Iorque mostraram a quem estava cego pela ilusão ideológica , que a história não tinha acabado num momento de paz universal com a derrota da União Soviética.

Só me lembro de estar com os olhos cravados na televisão, a ver as imagens do primeiro avião a ir contra os arranha-céus, quando me telefonou a minha mãe a perguntar se era um acidente. De repente, o segundo avião embate nas torres gémeas. Não era acidente.

Nessa noite, vim de Sines para uma reunião em Lisboa. Todas as pessoas com que falei partilhavam a mesma sensação de ter-se passado algo irreal, como se fossem as cenas inciciais de um filme de catástrofes.

Há quem diga que o século XXI começou naquele momento, tal como o século XX terá começado, de facto com a Primeira Guerra Mundial e terminado com o fim da União Soviética, segundo defendia o historiador Eric Hobsbawm.

A datação de onde começa um século - do ponto de vista de uma rutura que abre um golpe no tempo e em que se cria uma nítida separação de um antes e de um depois -  não é sempre consensual.  Há quem diga que o verdadeiro corte que inaugura novos tempos foi o início da pandemia da covid-19.


À procura de um ecrã
A única coisa que sei é que se o 11/09 fosse hoje, teria continuado sentada na relva, mas desta vez teria visto tudo em directo do meu telefone.

Mas uma coisa é certa, os aviões que derrubaram os arranha-céus em Nova Iorque mostraram a quem estava cego pela ilusão ideológica, que a história não tinha acabado num momento de paz universal com a derrota da União Soviética e do campo socialista.

O mundo está cada vez mais desigual e a grande parte do planeta apenas sobrevive com migalhas. Num planeta assim, em que os 26 mais ricos têm tanto dinheiro quanto a metade mais pobre da população mundial, haverá sempre rastilhos para explosões.

O terrorismo fundamentalista islâmico alimentado pelas madraças da Arábia Saúdita não será a última bomba relógio que a Terra verá. Pelo contrário, em sociedades em que os laços são cada vez mais precários, as economias se globalizam, e as redes sociais estão por todo lado, a necessidade de reinventar lugares de pertença e de conseguir criar um sentido no meio do caos está para durar. 

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